Alunos procuram a dança de salão para socializar, fazer atividade física ou se tornar profissional

Débora Klempous/ND

O casal Eliza e Alexandre se conheceu em uma aula de tango — ela era professora e ele aluno. Hoje têm uma escola e se apresentam juntos

Diferente de outras danças que tomam lugar no palco, a dança de salão — como o nome já diz — é, além de uma arte, uma atividade social. Em sua escola, a Casarão da Dança, o casal Eliza Moritz e Alexandre Souza organiza bailes, churrascos e atividades como rafting com os alunos, que interagem além das aulas de dança. “A dança de salão é um quebra-gelo. O aluno se sente à vontade para convidar alguém de outra turma para dançar porque, apesar de não se conhecerem, eles têm a dança em comum”, diz Alexandre. Para ele, esse é um dos principais atrativos pelos quais as pessoas procuram a dança, e Eliza destaca também o bem-estar e atividade física.

Eliza e Alexandre estão entre os professores que oferecem oficinas na 12º Mostra de Dança de Salão de Florianópolis – Baila Floripa, que começou na quinta (30) e vai até domingo em Florianópolis. Só no primeiro dia, foram cerca de 750 inscritos nas aulas de nível iniciante ou avançado, entre profissionais em treinamento e pessoas que têm a dança como hobby pelos seus motivos pessoais. É o caso de Dieter Westphal, 24 anos, que era lutador de judô e começou a dançar por convite de um grupo de amigos. Ele viu a dança como um desafio à sua timidez, e continua praticando há três anos. “Se vou sair à noite, quero ir a uma festa de dança de salão. Não me interessa música eletrônica”, diz ele, que é aluno de Eliza e expandiu seu círculo de amizades através da dança.

Mas a socialização promovida pelas escolas e pela própria dança não fica apenas na amizade. Eliza conta que já foi em três casamentos de casais que se conheceram em sua escola, e agora já nasceram dois bebês. É a história dos dois professores que se repete: eles se conheceram em aula, ela era a professora de tango, ele o aluno. Hoje têm a escola juntos e apresentam coreografias de tango juntos, como na segunda noite da mostra oficial do Baila Floripa, sábado, no Teatro Ademir Rosa.

Débora Klempous/ND

Dieter encontra na dança de salão uma forma de vencer a timidez e socializar

Dança para vencer desafios

Ed Charlles era atleta, participando de provas de resistência de atletismo em campeonatos como o Jasc. Depois de dez anos dedicados ao esporte, ele sofreu lesões na virilha, lombar e posterior da coxa, e teve que parar de correr. Na época tinha 20 anos e decidiu buscar outra atividade pela qual sempre se interessou mas não tinha tempo ou dinheiro para se dedicar: a dança. E não foi fácil para o atleta. “Eu tinha muita dificuldade motora. Demorei um ano para começar a dançar”, diz ele, que hoje, aos 34, é professor e uma referência no seu ritmo, a salsa. “Eu encaro a dança como uma terapia. Substituí o atletismo, a coisa que eu amava, por algo que me apaixonei”, diz Ed. Hoje ele faz caminhadas e algumas corridas mais leves, mas sua atividade física principal é a dança. Hoje e amanhã ele oferece a oficina de salsa para iniciantes no Baila Floripa.

Débora Klempous/ND

Matheus Espinoza estuda para se tornar profissional e Fernanda Krüger ocupa todas horas livres com a dança

Dedicação exclusiva

Matheus Espinoza começou a dançar aos cinco anos de idade. Na cidade de Butiá, no Rio Grande do Sul, ele fazia dança folclórica gaúcha e aos 12 passou para dança de salão. Agora, aos 18, faz faculdade de dança em Porto Alegre e quer transformar a atividade em profissão. Ele veio a Florianópolis especialmente para participar das atividades do Baila Floripa. “Na dança a gente consegue se expressar de uma maneira que falando a gente não consegue”, diz ele

Já a curitibana Fernanda Krüger, 27, que mora há quatro anos em Biguaçu, começou a dançar a sete anos mas interrompeu os estudos por alguns anos. Tudo começou com uma curiosidade com relação ao tango, estilo que sempre gostou de assistir e queria aprender. Mas a facilidade de aprender a levou a tentar todos os gêneros de dança. Hoje ela é bolsista no Inevitável Estúdio de Dança, o que significa que faz todas as aulas e ajuda a fazer par em turmas ímpares, e se apresenta com o dono da academia, Daniel Paiva. Administradora, ela não quer abandonar a profissão, mas ocupa todo seu tempo livre com a dança de salão.

Programação – Baila Floripa

Sexta

12h: Aulão especial com Carlinhos de Jesus (Majestic Palace Hotel, av. Jorn. Rubens de Arruda Ramos, 2746, Centro,  Florianópolis, tel. 3231-8000)

20h30: Mostra Oficial de Dança. Abertura com Carlinho de Jesus e encerramento com Alex de Carvalho e Daniela Wergles. (Teatro Ademir Rosa, CIC, av. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel. 3953-2351)

23h – Baile (Majestic Palace Hotel, av. Jorn. Rubens de Arruda Ramos, 2746, Centro,  Florianópolis, tel. 3231-8000)

Sábado

12h: Apresentações e aulão no Beiramar Shopping (Piso L1, rua Bocaiúva, Centro, Florianópolis, tel. 3333-8576)

20h30: Mostra Oficial de Dança. Abertura com Marcelo Amorim e Anna Elisa e encerramento com Léo Fortes e Robertinha. (Teatro Ademir Rosa, CIC, av. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel. 3953-2351)

23h – Baile (Majestic Palace Hotel, av. Jorn. Rubens de Arruda Ramos, 2746, Centro,  Florianópolis, tel. 3231-8000)

​Domingo

20h30: Competição do 8º Baila Duo e baile de encerramento (Majestic Palace Hotel, av. Jorn. Rubens de Arruda Ramos, 2746, Centro,  Florianópolis, tel. 3231-8000)

Oficinas

Sexta (14h – 18h45)

Iniciantes: Salsa, Zouk e Valsa para festas

Intermediário/avançado: Zouk, tango, samba-rock, samba tradicional, samba e west coast swing

Sábado (14h – 18h45)

Iniciantes: Sertanejo, west coast swing, salsa, forró eletrônico

Intermediário/avançado: Salsa, samba funkeado, zouk, tango, samba tradicional, bolero e west coast swing

Domingo (13h – 18h45)

Iniciantes: Bachata, forró, zouk e samba

Intermediário/avançado: Tango, samba tradicional, samba-rock, samba funkeado, técnica para mulheres, técnica para homens, bolero, zouk e west coast swing

Dança