Artesã Nara Guichon trabalha há 30 anos no Sul da Ilha com materiais sustentáveis

Rosane Lima/ND

Nara vende sua arte em seu ateliê e em uma loja localizada no Mercado São Jorge no bairro Itacorubi

“Minha história de vida é meu envolvimento com os fios”. É assim que a artesã Nara Guichon, 59 anos, define-se em um breve perfil veiculado em seu website. A artista começou a costurar ainda criança e aos nove anos já vendeu sua primeira peça de roupa. Desde 1983 a tecelã, que é natural de Santa Maria, Rio Grande do Sul, produz peças de vestuário e de decoração de ambientes em seu ateliê localizado na Costa da Dentro, no Sul da Ilha. “O tricô foi só o começo de uma total dedicação à arte de tecer. Já fascinada pela beleza e simplicidade dos acessórios gaúchos em lã, fui descobrindo na tecelagem os traços das civilizações. Após uma longa estada na América Latina, decidi concentrar meus esforços na viabilização de um ateliê em Florianópolis”, conta Nara.

A artesã busca cooperar com a preservação ambiental na produção de sua arte têxtil – a sustentabilidade pode ser constatada nos materiais que utiliza. Nara costuma utilizar materiais recicláveis, algodão orgânico e fibras naturais como a lã, o linho e o rami. “Junto com a automobilística, a moda é uma das indústrias mais poluentes do planeta. Por ter essa consciência, prezo muito pela preservação das matérias-primas. Sei que estou ‘remando contra a maré’, mas não me interessa, sigo os meus princípios”, observa.

Para Nara, tudo começa com as cores e as texturas – a artesã afirma que seu processo criativo é estabelecido através das duas vertentes características. “Acredito no dom e talento. Tenho algo nato em mim: minha inspiração vem do próprio material que utilizo”. Atualmente, a artista vende seus produtos em seu ateliê no Sul de Florianópolis, em uma loja localizada dentro do Mercado São Jorge no bairro Itacorubi, e em dois bazares que realiza anualmente em São Paulo. Nara também exporta seus produtos para o exterior para países como Paris e Suíça.

Quanto às técnicas que a artesã radicada na Ilha utiliza, também possuem uma especificidade característica. Além do tear, Nara trabalha com tramas de fios, nós, costura, crochês, bordados e outras aplicações têxteis. A arte têxtil de Nara é produzida em pequena escala, por isso as peças são mais exclusivas. “Minha arte alimenta minha alma e mente. Vejo oportunidade de criação em tudo, e se não criar, fico sufocada”, conclui. Atualmente, por questões de produção e custo-benefício, Nara deixou de tecer em seu ateliê na Capital – as peças que necessitam da tecelagem como técnica produtiva são confeccionadas em Belo Horizonte, Minas Gerais, e a artesã envia os desenhos e os materiais para a cidade.

Rosane Lima/ND

Nara busca utilizar materiais recicláveis em sua produção


Rede de pesca e patchwork
Uma das matérias-primas mais utilizadas por Nara é a rede de poliamida, que muitas vezes é abandonada pelos pescadores e torna-se uma grande ameaça à vida marinha. A artesã utiliza as redes para produzir xales, echarpes, toalhas de mesa e até mesmo cortinas. Com originalidade e ousadia, Nara costura a rede de pesca em tecidos como seda e linho. “Além de ser confortável, a rede proporciona criações extremamente originais”, acrescenta a artesã, que utiliza ainda outros materiais ecologicamente sustentáveis como miçangas de coco e de madeira. A artista também utiliza bastante o pacthwork como técnica, e na busca de efeitos decorativos, usa alguns elementos metálicos como o cobre.

Conheça mais a arte têxtil de Nara Guinchon no site www.naraguichon.com.

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