Ator e palhaço catarinense cria “novelinha da quarentena” nas redes sociais

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O ator e palhaço Egon Seidler virou praticamente um astro do clown na quarentena do coronavírus. Integrante da Traço Cia. de Teatro, um dos grupos mais tradicionais e longevos de palhaçaria de Florianópolis, ele começou a criar vídeos curtos cheios de humor pelo Instagram e Facebook. A companhia é conhecida pelo projeto (A)gentes do Riso que faz intervenções nos hospitais.

Egon Seidler é ator conhecido na palhaçaria em Santa Catarina – Foto: Divulgação/ND

As “Medidas Protetivas”, que já estão na 22ª nesta quarta (8), mostram o palhaço em situações banais, como comendo pipoca com a cachorrinha Cindy,  ou assistindo a série “Friends”, na faxina ou fazendo um spa caseiro. As postagens diárias e com trilha sonora bem-selecionada, já ficaram conhecidas como a “novelinha da quarentena”.

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Tudo começou com uma inquietação pelo cancelamento ou adiamento de espetáculos e intervenções, preocupação constante da classe cultural. “‘Estou palhaço’ em muitos momentos. Porém, algo apontava para que eu não pudesse mais estar. A expectativa frustrada de nos próximos dias não me ‘arrumar’ e ‘encontrar’ pessoas me fez com que eu pensasse em construir um diálogo a distância.”

Jubi e o dia a dia da quarentena

O “start” do projeto veio pela organização internacional Pallasos en Rebeldía, com sede na Espanha. Ela solicitou à Traço um vídeo sobre algo que os atores pudessem brincar ou ensinar as pessoas em isolamento. “Foi o impulso que faltava… e aí surgiu a primeira medida protetiva – eu/Jubi ensinando as pessoas a lavarem as mãos”, conta.

A personagem Jubi agora dialoga em muitas direções, sentimentos e ações durante o isolamento. “Cabe tudo dentro da gente, sorrir, chorar, brigar, ficar entediado… e ver isso no outro, mediado pela Palhaçaria, pode provocar o riso, a identificação e aí, o respiro… tão precioso em dias tensos como esses”, diz.

Egon, que nasceu em Palmitos, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, começou os vídeos sozinho, em casa, pelo celular mesmo. Porém, na casa da irmã Eliane, que também estava sozinha, ele encontrou um novo cenário, a pessoa para aprimorar as filmagens e na cadelinha Cindy uma parceira de várias “Medidas Protetivas”.

Não estar só

“Eu sou ator e encontrei na Traço e na Palhaçaria esse lugar de exercício. Por meio dessa linguagem servir a sua sociedade o que ela necessita”, diz o ator, já habituado a trabalhar nas situações de fragilidade e vulnerabilidade com o (A)gentes do Riso, que atua com as crianças dentro do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.

“Rir de nós mesmos e de como reagimos as coisas se transforma num convite ao outro… a pessoa percebe que não está só e costuma abrir sua percepção para além do que estava focada, enxerga mais nuances e possibilidades”, finaliza.

Os vídeos são postados no Instagram pessoal do ator, no Facebook e no da companhia.

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