Evento Mulher Artista Resiste celebra a produção delas a partir deste domingo

Atualizado

Temas que giram em torno das mulheres, como o feminismo, representatividade, empoderamento, aceitação do corpo, margeiam e atravessam a maioria dos debates atuais.

Não à toa que é esta reflexão que o Polo SC da 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba se apropria com o evento “Mulher Artista Resiste”, que abre neste domingo (4), com uma programação que se estende por todo o mês no Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, local gerido por mulheres.

Uma das cenas da série “Ilhas de Força”, da artista Luciana Petrelli. Ela foi realizada e performada em parceria com a banda Mulamba – Luciana Petrelli/Divulgação/ND

O evento é voltado à linguagem da performance, que integrará esta pré-abertura da Bienal em Florianópolis, bem como a proposta da Semana da Performance, fomentada pela instituição curitibana.

Neste domingo, no programa está a exposição da artista Luciana Petrelli, a performance da artista paranaense Fernanda Magalhães, que trabalha desde os anos 1980 com o tema “sobrevivência”, abordando o corpo e em especial o da mulher gorda.

Ainda na agenda, a performance musical das artistas da “Mulamba” O sexteto curitibano composto por Amanda Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Érica Silva (baixo, guitarra e violão), Fer Koppe (violoncelo), Naíra Debértolis (guitarra, baixo e violão), aborda temas contundentes e reforça o protagonismo feminino na música nacional.

Abrem a apresentação delas, a banda La Leuca e a DJ Lê Bafão. O evento pretende promover a conexão entre performance, música e instalação em artes visuais, lançando um olhar para a produção de artistas mulheres atuantes do cenário contemporâneo.

A programação se estende por todo o mês de agosto: no dia 10 de agosto será a vez das mulheres do Coletivo Abrasabarca com uma apresentação literária no jardim e as mulheres do Cores de Aidê que farão um ensaio aberto a comunidade.

No dia 18, as programações do espaço integram a Maratona Cultural 2019, e teremos uma feira de mulher + atrações artísticas organizadas pela Fatto a Femme. Também contará com uma Roda de Conversa sobre Políticas Públicas para Mulheres.

Dia 24 de agosto é a vez das performances de Cacá Durães e Ida Mara Freire, e no dia 25 uma Roda de Conversa sobre gestão de Carreira musical, para mulheres artistas e produtoras com Gika Voigt, a oficina “Alma na Voz e Mãos no Tambor”, com Ana Paula da Silva, e uma Jam-Feminina, aberta a mulheres cantoras, instrumentistas, compositoras, intérpretes, bandas, duos, trios, solos.

Para finalizar o “Mulher Artista Resiste” é a vez de Lilian Amaral coordenar três dias de ações pelo espaço e ao final na sexta-feira dia 30 a apresentação MÚLTIPLAS – Mostra coletiva de audiovisual, com curadoria da artistas-pesquisadora. A entrada no local é gratuita, tendo algumas atividades com cobrança de ingresso indicada na programação geral.

A programação do polo catarinense da 14ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba tem curadoria de Juliana Crispe, Francine Goudel e Sandra Makowiecky e abrange atividades até dezembro, incluindo duas  exposições coletivas, uma no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina) e outra em O Sítio.

Luciana Petrelli conta que o elemento pedra, que aparece neste trabalho, já é uma pesquisa recorrente – Daniel Queiroz/ND

Confira a entrevista com a artista Luciana Petrelli, que abre a exposição “Ilhas de força”, que exibe ensaio fotográfico, vídeos e instalação realizados com a banda curitibana Mulamba, formada só por mulheres . A mostra ganhou curadoria de Juliana Crispe.

Como nasceu o trabalho com a Mulamba? Você que propôs a elas o ensaio? Como chegou à banda?

Fui apresentada ao grupo pela Márcia Valência, produtora delas na empresa Máquina, de São Paulo, em agosto de 2017. Combinamos de desenvolver o trabalho para o encarte do novo CD delas. Estivemos juntas em Curitiba para a realização das fotos quatro vezes, acompanhei a prova dos figurinos no Atelier HAU e conversamos muito sobre conceito. Escolhi uma pedreira próxima a Curitiba para fotos, e a decisão da pedra branca foi fundamental, pois a pedreira era basicamente cinza de modo, que saltava aos olhos este trono majestoso branco que deu origem ao processo de colocá-las sobre ele. Ali estava a força.

Qual o conceito que você trabalhou?

Continuei acompanhando os shows do Grupo Mulamba e inspirada nelas pela atitude, força e garra, segui com a ideia de transformação da força bruta da pedra, que já faz parte de trabalhos anteriores meus, com este conceito de Ilhas de Força para falar de transformação através da água e da fertilidade. Aí surge o convite para a Bienal, o Grupo não pode vir para ser fotografado literalmente na água, mas pude levar a água para dentro da ideias, criando os vídeos e apresentando com o formato de instalação.

Como será a exibição?

São duas imagens coladas com cordas e lã  impressas em lona. Os fios são os condutores da força e da transformação. Os tamanhos são 1.10m X 1.60m. A ideia é do efeito das cordas e lã criando volume coladas sobre a impressão. E tem dois vídeos criados para integrar as garotas do grupo com as fotos já realizadas na pedreira em Curitiba. Editadas com o apoio do Sítio Arte e Tecnologia.

Outra cena da série “Ilhas de Força” com a banda Mulamba – Luciana Petrelli/ND

SERVIÇO:

O quê: 14ª BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE CURITIBA • POLO SC. EVENTO: MULHER ARTISTA RESISTE

Quando: de 4 a 30/8

Onde: Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, rod. Gilson da Costa Xavier, 1384,  Sambaqui, Florianópolis

Quanto: Eventos gratuitos e pagos

Programação dia 4/8

14h30 – DJ Lê Bafão

15h – La Leuca

16h – MULAMBA

17h – Performance “Grassa Crua” de Fernanda Magalhães

18h – Abertura da Exposição “Ilhas de Força” de Luciana Petrelli

Entrada paga das 13h30 às 15h. Entrada gratuita após às 17h.

Ingressos: www.sympla.com.br

14ª Bienal Internacional de Curitiba em SC