Catarinense Flávio Dias lança versão física de “As Bruxas do Lago Léman”

Flávio Dias - Richar Feijó/Divulgação
“As Bruxas do Lago Léman” conta a história de Diane, uma roterista européia prestes a lanças seu primeiro documentário – Richar Feijó/Divulgação

Há mais ou menos 20 anos, o catarinense de Ilhota, Flávio Dias, mudou-se para a Suíça. Entre visitas anuais ao Brasil e as aulas de pilates que ministra, Dias escreveu o livro “As Bruxas do Lago Léman”. O romance conecta a Lagoa da Conceição, em Florianópolis, ao Lago Léman, localizado entre a Suíça e a França. Lançada em formato digital no ano passado, a obra ganhou uma versão física, com venda disponível na internet e em livrarias brasileiras. Em dezembro passado, quando esteve em Florianópolis, fez uma sessão de autógrafos no Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, em Santo Antônio de Lisboa. 

Narrado pelo personagem Jackson, que também faz parte da trama, o livro conta a história de Diane. A roteirista suíça está terminando seu primeiro documentário autoral, sobre as mulheres condenadas à morte por serem tidas como bruxas. Ao descobrir que é filha de pai brasileiro nascido em Santa Catarina, ela vem para o Florianópolis buscando conhecer mais sobre a “Ilha das Bruxas” e acerca de seu passado.

A história tem um elemento de serendipidade, vocábulo definido como o ato de descobrir algo agradável por acaso. O livro de 260 páginas possui como títulos de seus capítulos as palavras favoritas em qualquer idioma de Diane e Jackson. Outra proposta do autor é a não linearidade do conteúdo, não sendo preciso ler a narrativa em ordem para entender o contexto geral.

As Bruxas do Lago Léman - Richar Feijó/Divulgação
O livro se inspira na história real de pessoas acusadas de bruxaria na Europa – Richar Feijó/Divulgação

A Suíça detém o recorde europeu de mortes de acusados de bruxaria. De acordo com a plataforma de jornalismo do País, Swissinfo, entre os séculos 15 e 16, aproximadamente 60 mil pessoas foram incriminadas, com seis mil casos registrados na Suíça. O caso mais famoso do país é o de Anna Goldi, considerada a última bruxa da Europa. Goldi foi acusada de envenenar uma criança, sendo torturada e decapitada. Em 2008, ela foi inocentada após 226 de sua condenação.

Morando perto de onde tudo isso aconteceu, na cidade de Vevey, à beira do lago Léman, Flávio resolveu escrever. Inspirado em Enrique Vila-Matas e Rubem Fonseca, o catarinense já havia apresentado elementos do livro em seu primeiro trabalho intitulado “A Bengala de Chaplin”. Estão presentes nas duas publicações Florianópolis e o narrador Jackson, uma espécie de alter-ego do autor.

Formado em Educação Física pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Dias tem planos de lançar outro livro, outra vez com o lago Léman em plano de fundo. Planeja ainda traduzir seus textos já publicados para o francês, além de fazer continuar fazendo apresentações musicais no grupo “Prosa Poética”.

Literatura