Centro de Cultura e Eventos da UFSC só vai sediar espetáculos mediante licitação

Divulgação / ND

Teatro do Centro de Cultura e Eventos da UFSC fecha as portas para eventos comerciais

O cancelamento do espetáculo “Portugal é Aqui”, com o humorista Diogo Portugal no último domingo (30), no Centro de Cultura e Eventos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, gerou polêmica entre a classe cultural da cidade. Com a data agendada há meses na pauta do centro cultural, a produtora C5 foi informada pela reitoria da universidade com apenas quatro dias de antecedência de que o show não poderia mais ser apresentado no local. O motivo: falta de licitação para utilização de espaço público.

Em nota oficial, a UFSC informou que a Procuradoria Federal emitiu parecer no dia 25 de setembro pedindo a anulação dos termos de cessão de uso do espaço público da UFSC por não terem sido licitados. Foi a atual administração da universidade que solicitou parecer jurídico ao órgão acerca das atividades realizadas no Centro de Eventos e os contratos firmados na gestão anterior. “Deveria ter uma licitação aberta para que todas as empresas produtoras pudessem concorrer e então reservar datas”, afirma o chefe de gabinete da reitoria da UFSC, Carlos Vieira.

Portanto, até que todas as questões e possíveis irregularidades sejam apuradas, a UFSC optou pela suspensão dos espetáculos culturais previstos para serem apresentados na universidade. “Nós sentimos muito em detectar esse problema. Mas pode ser legalizado. A ideia é lançar uma licitação até novembro. Outras empresas ficarão felizes de não ter o monopólio das mesmas produtoras de sempre”, diz Vieira.

Produtores lamentam

O Centro de Cultura e Eventos da UFSC preencheu uma lacuna deixada pelo fechamento do teatro Ademir Rosa, há mais de três anos. “Fomos nós que inauguramos o Centro como espaço cênico para apresentações culturais. Sempre cumprimos todas as regras”, afirma Luiz Henrique Costa, da C5 Produções Artísticas, que costumava fazer contratos com o ex-diretor do espaço. “Na quarta passada a vice-reitora ligou e falou friamente que o evento de domingo havia sido cancelado devido a irregularidades da gestão anterior.”

Indignado, o produtor afirma ter tido sempre contratos para todas as apresentações e lamenta que o problema tenha refletido no público. Com a anulação do contrato com a UFSC, o espetáculo “Portugal é Aqui” foi apresentado no Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura. “Tivemos que devolver muitos ingressos”, lamenta o produtor.

Na quinta-feira passada, outro espetáculo quase deixou ser apresentado na UFSC pelo mesmo problema, e a empresa produtora foi avisada da irregularidade no mesmo dia da apresentação. “Redescobrir”, show da cantora Maria Rita em homenagem à mãe, Elis Regina, só foi realizado em função de uma liminar emitida pela justiça.

Teatros não precisam de licitação

Os três teatros mais importantes de Florianópolis são públicos mas, diferente do que propõe a UFSC, não exigem que empresas produtoras passem por processos licitatórios para conseguir datas nas pautas. Tanto o TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), quando o Pedro Ivo e o Teatro Ademir Rosa são estaduais e possuem uma comissão de pautas que analisa as propostas de espetáculos e define a agenda. 

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