Cia de Dança Deborah Colker apresenta seu novo espetáculo em Florianópolis, “Tatyana”

Walter Carvalho / Divulgação/ ND

Trabalho que tem a coreógrafa no palco une a literatura do russo Aleksandr Púchkin e a dança contemporânea

Em mais uma montagem ousada de estética contemporânea, Deborah Colker e sua aclamada companhia de dança dessa vez não desafia a gravidade com bailarinos em improváveis movimentos verticais e cenários deslumbrantes. Em “Tatyana”, seu novo espetáculo, a coreógrafa transpõe eventuais barreiras que poderiam separar a literatura da dança contemporânea na releitura de um clássico russo do século 19, “Evguêni Oniéguin”, o romance em versos publicado em 1832 por Aleksandr Púchkin (1799-1837). O balé terá duas apresentações em Florianópolis, sexta (15) e sábado (16) no teatro Pedro Ivo. 

Depois da experiência com o “Ovo”, espetáculo o qual escreveu e dirigiu para o Cirque du Soleil, em 2009, Deborah diz ter sentido necessidade de montar um balé que contasse uma história. “Tatyana”, portanto, é o primeiro com início, meio e fim de sua companhia; e também a primeira adaptação de livro. “Não é fácil adaptar para a dança um texto do século 19. É difícil, mas possível”, afirma. No palco, a história de amores e desilusões é contada com a emoção e subjetividade dos movimentos dos bailarinos, sem uma única fala, tendo como apoio a música de compositores eruditos como Rachmaninov, Tchaikovsky, Stravinsky e Prokofiev (com releituras modernas) que embalam a saga atemporal de duelos, desencontros, paixões e decepções.

Sem preocupar-se necessariamente com uma narrativa, a coreógrafa apostou na força dos personagens para conduzir a história. Para isso recruta os protagonistas da obra de Púchkin – Tatyana, Oniéguin, Lenski e Olga – e deles retira sentimentos e emoções que dão subsídio à coreografia contemporânea. “Me interessa a maneira como Púchkin apresenta os personagens. Ao mesmo tempo é realista e poético. E a dança tem muito de poesia”, compara.

Cada personagem é representado por quatro bailarinos, e cada qual se revela uma faceta diferente. O quinto personagem é o próprio Púchkin, no papel do narrador que interfere nas cenas, interpretado-dançado pela própria Deborah em alguns momentos.

História de amor em dois atos

O espetáculo “Tatyana” é dividido em dois atos. O primeiro se passa no campo, representado simbolicamente por uma árvore estilizada de sete metros de altura criada pelo cenógrafo Gringo Cardia. É para o campo que o aristocrata Oniéguin, cansado da vida na cidade, decide mudar-se, onde conhece Tatyana e sua irmã, Olga, namorada do poeta Lenski, de quem Oniéguin se torna amigo.  A jovem Tatyana se apaixona por Oniéguin, declara a ele seu amor em uma carta desesperada. Ele, por sua vez a menospreza. O segundo ato se passa na cidade, mas num cenário mais subjetivo e onírico que de concretos e urbanidades, com desfechos transformadores para os protagonistas.

Focada na pesquisa quase obsessiva do movimento, Deborah Colker que já cursou psicologia, foi jogadora de vôlei e estudou piano por dez anos, entrou para o universo da dança nos anos 1980. Há 19 anos criou sua própria companhia de dança, e desde então vem desafiando limites físicos numa ideia que parece fixa de explorar a relação movimento versus corpo versus espaço. Foi assim que se tornou a coreógrafa mais famosa do Brasil – inclusive com fama de louca – e fez da dança um fenômeno pop.

Apesar da estética contemporânea de suas montagens, Deborah não dispensa a técnica. “Para mim a técnica é fundamental. Não temos despojamento clássico, somos livres, mas o clássico é a nossa base”, ressalta. Ela e seus bailarinos fazem balé clássico todos os dias, assim como aulas de dança contemporânea. “Um complementa o outro”, resume. E avisa: “Na minha companhia não é qualquer um que entra.”

Serviço:

O quê: Espetáculo de balé contemporâneo “Tatyana”, da Cia de Dança Deborah Colker
Quando: 15/6, 21h30, 16/6, 18h
Onde: Teatro Pedro Ivo, rod. SC – 401, Km 5, 4.600, Saco Grande, Florianópolis, tel. 3665-1630
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

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