Conheça o incrível “Bolo de Coelho”, tradição familiar que está completando 40 anos

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Em 2020, o bolo com cara de coelho de Marilene Francisca de Campos completa 40 anos, mesma idade de sua filha mais velha, Ariane Angioletti. A massa de bolo, cortada cuidadosamente no formato das orelhas e rosto, coberta com glacê branco, confeitada com coco ralado e olhos vermelhos de cereja para finalizar, tem um significado muito especial para elas.

Várias versões do bolo de coelho desenvolvidas por Marilene ao longo dos 40 anos – Foto: Arquivo Familiar/ND

O gosto por reunir os amigos e a família na Páscoa já fazia parte da vida de Marilene, uma herança do pai, mas após seu casamento e nascimento da primogênita, a procuradora federal resolveu criar uma tradição própria em casa, que a cada ano se renova com as novas gerações.

“Sempre gostei de fazer bolo. Era fim do ano e estava procurando um bolo para fazer no aniversário de um ano da Ariane, e por um acaso eu vi esse bolo de Páscoa e achei muito fácil e bonito de fazer. Ela era bebê, mas ficou encantada. Meus irmãos, que ainda eram adolescentes, também adoraram. Então, comecei a fazer todos os anos”, recorda.

Mesa posta para o Café de Páscoa da família de Marilene Campos, onde o bolo de coelho é colocado há 40 anos sempre na mesma travessa, que ela ganhou de chá de panela – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Desde então, sempre nos domingos de Páscoa, ela reúne toda a família – irmãos, netos, sobrinhos, sobrinhos-netos e amigos, cerca de 35 pessoas -, em sua casa para um café, com muitos enfeites e mesa farta. Neste ano, a celebração vai ser adiada por conta da quarentena, mas a casa já está toda decorada e Marilene garante que a atração principal não vai faltar.

“Meus sobrinhos sempre perguntam se vai ter o bolo do coelho. Já casaram, tiveram filhos, mas continuam querendo o bolo. Mas o mais importante é o significado, a reunião da família. Gosto sempre de passar uma mensagem, porque a Páscoa é o renascimento de Cristo, uma época em que a gente pode renascer para se refazer, nos pensamentos, nas atitudes, nos hábitos”, reflete.

“Na Páscoa, a gente recomeça o ano de forma diferente, não importa que seja abril. Vejo como uma oportunidade de se renovar. Eu espero que isso sempre tenha continuidade, para não se perder esse caminho tão bonito que meu pai desenhou e nos ensinou.”

Marilene Francisca de Campos, procuradora federal

Marilene com a sobrinha-neta, Alice, que também passou a admirar a arte da tia – Foto: Marilene sobrinha neta Alice

Filha já assumiu a produção em versão menor para o filho

Ariele conta que nas lembranças de sua infância no período da Páscoa o bolo de coelho sempre estava presente. Para ela, significa mais que um doce enfeitado, pois passou por todas as fases de sua vida, construindo boas lembranças.

“A Páscoa na minha casa sempre foi quase um Natal, com decorações para todos os lados, chocolates e cestas enfeitadas no domingo de manhã. Tenho lembranças desse bolo sendo feito em vários lugares, como em Balneário Camboriú e na vez mais histórica: quando nossa família foi passar o feriado em Lages e a minha mãe foi para a cozinha do Hotel Fazenda fazer o bolo. Enquanto ela estava confeitando, uma hóspede resolveu elogiá-la e disse ‘Que ovelhinha linda!’. A família toda reagiu na hora, explicando que era um coelho. E no café da tarde do hotel, lá estava o bolo”, lembra.

Num outro ano, já bem mais tarde, a mãe chegou de uma viagem no domingo de Páscoa, e faria o bolo e as demais coisas para o café, mas ela resolveu fazer uma surpresa e fez seu primeiro bolo de coelho, que agradou a todos. Em outra ocasião, teve que explicar para um primo mais novo, que o “Bolo de Coelho” não era “de coelho”, mas de chocolate.

Em 2008, quando foi participar do primeiro evento familiar na casa do então namorado – hoje marido, resolveu fazer a tradicional receita. “Fiz uma entrada triunfal”, brinca. Mais tarde, Ariele também passou a fazer o bolo para o filho.  “Mesmo tendo o da minha mãe, faço o nosso para sábado. Assim, temos nosso bolo de coelho em casa. Uso uma forma menorzinha. Um mini bolo de coelho. É engraçado que até hoje no café ninguém quer cortar o bolo. Se a minha mãe não cortar, todo mundo come as demais coisas da mesa e o bolo fica”, finaliza.

Parte da família no Café de Páscoa, junto com a vovó Zizica – Foto: Arquivo Pessoal/ND

“Bolo de Coelho”

– Massa de bolo que preferir (nega maluca, pão de ló, tradicional, etc)

– Glacê branco

– Coco ralado

– Cereja, confetes e outros ingredientes para enfeitar a gosto

Modo de fazer

– Cortar a massa do bolo no meio e rechear com o recheio que preferir (Marilene geralmente faz nega maluca com brigadeiro)

– Virar o bolo e cortar com uma faca o formato das orelhas e rosto (pode usar um molde).

– Passar o glacê em todo o bolo, finalizar com o coco ralada e em seguida enfeitar como achar mais bonito. As cerejas também o toque nos olhinhos.

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