Crítica: Com poucos acertos, “It – Capítulo Dois” não convence

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Vinte e sete anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, os membros do Clube dos Perdedores voltam à Derry para ficar frente a frente com a entidade contra a qual lutaram no passado em “It – Capítulo Dois”. Dirigido por Andy Muschietti, o aguardado longa-metragem traz consigo a promessa de um desfecho para a história do palhaço dançarino, colocando-o frente à frente com os adultos cujos medos um dia foram despertados por ele.

Ator Bill Skarsgård volta ao papel de Pennywise – Divulgação/ND

Desde o lançamento do primeiro trailer, pairava no ar a certeza de que o ator Bill Skarsgård incorporaria Pennywise com a mesma maestria do filme de 2017. O tom sádico e, por vezes, debochado presente em suas expressões condiz com a intenção de alcançar as profundezas de cada vítima antes de atacá-las, o que é reforçado pela inteligente caracterização e maquiagem. No entanto, isso não é suficiente para que a obra se mantenha acima da média durante quase três horas de duração.

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Cena após cena fica claro que o potencial das personagens não é aproveitado como poderia. A razão? Um roteiro que permeia a superficialidade na maior parte do tempo, optando por soluções já vistas inúmeras vezes no universo cinematográfico. Neste sentido, a ausência de situações mais inspiradas dificulta a criação de empatia entre o grupo e os espectadores, o que é agravado pelo texto falho.

Mesmo com a exploração da temporalidade através de flashbacks, é nítida a sensação de que o didatismo pouco contribui para a narrativa desta sequência, proporcionado um conjunto de memórias somente capazes de justificar sentimentos entre alguns membros do grupo. A cidade de Derry, ao contrário do primeiro filme da saga, parece não ter a relevância pretendida, apesar das bem-sucedidas aparições de Pennywise em locais como o festival, por exemplo.

“It – Capítulo Dois” passa longe de convencer o público ao abordar o reencontro do Clube dos Perdedores com uma infantilidade disfarçada de humor. Trata-se de uma obra que não faz jus às expectativas, mas que pode entreter os dispostos a embarcarem no universo de Stephen King sem compromisso.

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