Crítica: “Vingadores – Guerra Infinita” deve agradar os fãs da franquia, mas só

Quando o agente Phil Coulson abordava pela primeira vez Tony Stark durante uma festa em “Homem de Ferro”, o universo Marvel no cinema era calculista ao dar seu primeiro passo em direção a algo maior. Dez anos depois, em “Vingadores – Guerra Infinita”, o estúdio finalmente expõe a grandiosidade de suas intenções, ao reunir pela primeira vez as suas franquias de sucesso. Um espetáculo que, sim, encontra ressonância em cenas como aquela em que Thor chega a Wakanda ou a que Tony Stark aparece caminhando numa Nova York sitiada, após uma breve conversa de apresentação com o Doutor Estranho. No entanto, diferente da novidade que o primeiro filme dos Vingadores proporcionava ou até mesmo dos gatilhos dramáticos eficientes que faziam os heróis comungarem em uma causa comum, “Vingadores – Guerra Infinita” peca por sua pressa, pelo anseio em oferecer o máximo de sequências antológicas para os fãs e sofre por uma montagem no mínimo discutível.

Separados desde
Separados desde “Guerra Civil”, Os Vingadores se unem em “Guerra Infinita” – Divulgação/ND

Afinal, começando já no centro da batalha, com direito a mortes importantes e ação ininterrupta, o filme de Anthony Russo e Joe Russo abdica de propor a história de sacrifício que pretende narrar para aforismos vazios que pouco repercutem o aspecto moral por trás da proposta de Thanos. É óbvio, verdade, que os diretores tentam trazer mais para a mesa do que apenas uma figura vilanesca que quer controlar o universo, mas, ao se ancorar numa fórmula que foge de um debate mais social, alternando a tensão com piadinhas deslocadas (a pior delas é, provavelmente, “você é um péssimo irmão”), fica dificílimo correlacionar o clima tempestuoso almejado com os gracejos que aqui e ali provocam o entretenimento.

Por consequência, quando os diretores se dão conta de que precisam de recursos dramáticos para remover o nó da história, o filme se torna extremamente vulnerável em suas numerosas coincidências narrativas e relacionamentos pouco imaginativos. Perceba como a montagem jamais consegue nos mostrar um mesmo filme, mas várias sequências com diferentes heróis – sem que haja completa sintonia. Desta forma, as provações finais de personagens que deveriam sugerir a passagem da vingança para o sacrifício por um bem comum se tornam rasas.

Os atores Benedict Cumberbatch, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e Benedict Wong foram dirigidos pelos irmãos Joe e Anthony Russo - Divulgação/ND
Os atores Benedict Cumberbatch, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e Benedict Wong foram dirigidos pelos irmãos Joe e Anthony Russo – Divulgação/ND

“Vingadores – Guerra Infinita”, não se pode esquecer, procura denunciar um mundo de genocidas aleatórios. E líderes, lado a lado, buscando um bem comum nos fazem sentir melhor. Ainda assim, é uma pena observar que a expectativa e a esperança que o mesmo Phil Coulson possuía no primeiro filme mudou bruscamente nas intenções do projeto Marvel. Diferente de filmes como “A Ira de Khan”, de “Star Trek”, o novo “Vingadores” é mais similar a pretensão de “Batman vs Superman” do que a sensibilidade da nave comandada por Capitão Kirk. Sugere ser apenas mais um obstáculo para aventuras maiores, que acabam somente cumprindo os anseios de fãs mais fervorosos.

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