É a melhor fase do terror brasileiro, diz diretor que exibe curta no 1º Floripa Que Horror

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Pela primeira vez em Santa Catarina, um Festival Internacional de Terror conecta os fãs do gênero com o que vem sendo produzido de novo no cenário independente. O 1º Floripa Que Horror começa nesta quinta (15), em Florianópolis, no Centro Integrado de Cultura (CIC), às 20h, com uma curadoria que privilegia filmes fora do circuito norte-americano. Nos próximos dias, a Capital terá estreias de “A Casa de Suor e Lágrimas”, “A Mata Negra”, o canadense “Lifechanger” e oito curtas-metragens brasileiros.

Em “Dead Teenager Séance”, um grupo de adolescentes mortos decide se vingar de seu assassino invocando-o para o seu mundo – Rafael Avancini/Divulgação/ND

“O cinema de terror se tornou muito rico de 2010 para cá, com filmes culturalmente relevantes e que vai muito mais longe do que o mainstream americano, como ‘Escape Room’ ou ‘Verdade Ou Desafio?’ – para falar de dois exemplares recentes. O nosso intuito dessa seleção é refletir sobre o que está sendo produzido lá fora e aqui dentro, tendo em vista a quantidade de diferentes terrores brasileiros que serão exibidos. Só no Brasil já se vê essa variedade. E como um apaixonado pelo gênero, eu quero que filmes como esses que apresentaremos sejam assistidos pelo máximo número de pessoas”, observa curador do festival, Andrey Lehnemann.

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O evento traz uma produção potente de curtas de terror de jovens diretores, entre eles, “Dead Teenager Séance”,  de Rodrigo Gasparini e Dante Vescio.  “O curta é um terror anos 1980 com toques de comédia. É uma homenagem aos filmes “slasher” – os clássicos com assassinos mascarados, como ‘Sexta-Feira 13’, ‘A Hora do Pesadelo’, etc”, explica Dante Vescio, sobre a produção que já esteve em mais de 20 festivais pelo mundo e ganhou prêmios.

“Todo ano, muitos curtas e longas brasileiros de terror estão rodando os festivais de cinema pelo mundo”, observa o diretor Dante Vescio – Divulgação/ND

Formado em cinema, ele já tem vários curtas no currículo profissional e sua história é com o terror, gênero que o fascina desde criança. Confira entrevista com o diretor Dante Vescio:

Quantos e quais filmes já produziu?

De 2013 para cá, dirigi, escrevi e produzi quatro curtas, além de dirigir um longa. Entre os curtas, “M is for Mailbox”, “Blondie”, “Children of the Cosmos” e “Dead Teenager Séance”. Todos esses eu dirigi, escrevi e produzi com meu parceiro Rodrigo Gasparini. Além dele, o Rafael Baliú também esteve presente no roteiro de todos e na produção do “Dead Teenager Séance”. Fora os curtas, eu e o Rodrigo dirigimos o longa “O Diabo Mora Aqui”, quando tínhamos por volta de 25 anos. Esses quatro curtas e um longa fizeram carreira em festivais de cinema e competições de cinema, ganhando vários prêmios pelo caminho.

Por que o terror?

Eu sou obcecado por filmes de terror desde que me entendo por gente. Fui uma criança fascinada com coisas sombrias, monstros, dia das bruxas, enfim. Isso continua até hoje. De uma perspectiva mais fria, gosto das possibilidades visuais e de estilo que o cinema de terror permite. Gosto muito também da possibilidade de contar histórias sobre pessoas ordinárias passando por situações extraordinárias. É o tipo de coisa que o cinema fantástico permite. Além disso, há muito espaço para metáforas e alegorias dentro do cinema fantástico. O cinema de terror sempre foi ótimo em retratar a sociedade.

Como vê o horror no Brasil?

Eu acho que estamos vivendo a maior fase do horror brasileiro no cinema. Acho que a produção de gênero nunca foi tão rica e variada como é agora. Todo ano, muitos curtas e longas brasileiros de terror estão rodando os festivais de cinema pelo mundo. Quanto ao público, sim, acho que eles estão acostumados com a estética e narrativa norte-americana. Mas eu acho que, com o tempo, os realizadores e o público vão se encontrar no meio do caminho.

A produção de curtas de horror é significativa?

Com certeza. Fazer um curta é, claro, mais fácil e mais barato do que fazer um longa. Isso colabora para a quantidade de curtas brasileiros de terror que estão sendo feitos e exibidos pelo mundo. Quanto mais, melhor.

Os festivais de gênero ajudam a divulgar o horror?

Sem dúvida. Festivais de cinema são a maior plataforma que um cineasta pode ter para ser descoberto. Especialmente os de cinema fantástico. É outro tipo de público, é outro tipo de parceria. Tem uma sensação de comunidade muito maior do que em festivais mais abrangentes. E se você escolhe os festivais certos, você tem chances de fazer ótimos contatos internacionais para realizar projetos futuros. Enfim, festivais de cinema fantástico são lugares ótimos para navegar e conhecer pessoas e levantar projetos.

Serviço:

O quê: “Floripa Que Horror!” Festival Internacional de Cinema Fantástico

Quando: 15 a 18/8, sessões sempre às 20h

Onde: Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômica, Florianópolis

Quanto: Gratuito

As sessões serão sempre 20h, com entrada franca.

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