Exposição em Florianópolis celebra a pulsante produção de Tércio da Gama

Atualizado

No Centro de Florianópolis, uma exposição celebra um dos artistas mais produtivos em atividade e que muito retratou a cultura e costumes da cidade.

“Cultura Popular na Pintura de Tércio da Gama” está aberta à visitação no Mesc (Museu da Escola Catarinense) e traz um apanhado de obras do artista plástico realizadas entre 1959 e 2018. A curadoria é de Teresa Collares e a curadoria educativa de Andressa Argenta.

Produção artística de Tércio da Gama está ligada à história da arte em Santa Catarina – Foto: Neno Brazil/Divulgação/ND

A mostra apresenta 20 trabalhos, todos com elementos que sobrevivem em seu processo de criação, da cultura popular ilhoa, do mito e da magia da Ilha de Santa Catarina.

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O projeto foi contemplado pelo Apoio às Culturas do Fundo Municipal de Cultura, da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. A proposta também integra uma Cartilha de Ação Formativa, elaborada pela artista visual, professora e pesquisadora Andressa Argenta.

O material serve a orientar os professores no desenvolvimento de atividades em sala de aula e estará disponível em formato físico e online.

Um artista pulsante

Natural de Florianópolis, Tércio da Gama iniciou sua carreira em 1958 e sua produção artística está ligada à história da arte em Santa Catarina.

Pintor e desenhista autodidata, ele realizou exposições individuais e coletivas, tendo sido premiado com menções honrosas e homenagens por sua contribuição ao mundo da arte.

Tércio é morador de um dos bairros que mais mantém vivo os traços açorianos, Santo Antônio de Lisboa. É claro que em seu trabalho essas referências se evidenciam, seja pelas manifestações folclóricas, das festas e do cotidiano ilhéu.

Estão em suas em suas telas, por exemplo, as casas açorianas, a ponte Hercílio Luz, o boi de mamão, pilão de café, as rendeiras, pescadores, peixes, tarrafas, pássaros, sanfonas, surfistas, morros, bruxas com paleta de cores diversas e intensas.

“Barraquinhas da Festa do Divino Espírito Santo”, trabalho feito por Tércio da Gama em 2000 sobre uma das festas religiosas mais presentes na cultura açoriana – Foto: Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

Sua temática central é a Ilha de Santa Catarina, seu cotidiano, histórias, memórias, o mito e a magia, o folclore e os costumes açorianos.

Revolução nas artes em SC

Inquieto, múltiplo, instigante, viajante, pulsante, conversador, contador de histórias, colecionador, Tércio da Gama foi um dos artistas integrantes e formador do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis – GAPF, criado nos anos 1950.

Compunham a formação e a continuidade do grupo diversos outros artistas, que à época, eram considerados um tanto revolucionários da arte: Aldo Nunes, Dimas Rosa, Ernesto Meyer Filho, Hiedy de Assis Corrêa (Hassis), Hugo Mund Júnior, Pedro Paulo Vecchietti, Rodrigo de Haro, Tércio da Gama, Thales Brognoli, Jair Plat, entre outros.

O grupo e os artistas fizeram história, deixando um legado modernista para a realização de estudos sobre um período efervescente dos movimentos artísticos em Florianópolis.

Na mesma época, um pouco mais cedo, um outro grupo, no qual participavam vários destes artistas,  o Círculo de Arte Moderna, foi criado. Assim foi como primeiro se autodenominou e mais tarde se tornaria o famoso Grupo Sul.

Serviço:

O quê: “Cultura Popular na Pintura de Tércio da Gama”

Quando: Até 27/11, segunda a sexta, 13h às 19h, sábado, 10h às 16h

Onde: Mesc, rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Florianópolis

Quanto: Gratuito

Exposição em Florianópolis celebra a pulsante produção de Tércio da Gama

"O mito e a magia da Ilha", de (1998). O tema manifesta-se na obra de Tércio no decorrer das décadas, com plásticas distintas. Por vezes em um pictórico carregado quase abstrato, por outro em figuras reconhecíveis e bem destacadas. Dedicado à pintura, o artista não se preocupa com a técnica e sim com a cor e o tema. Adepto das cores puras, confessa que há muito tempo não trabalha com esboço, “começo a pintar e já tem tudo pronto na minha cabeça” - Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

"Boi de Mamão e Bernunça – Folclore catarinense", trabalho do artista de 2018 - Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

"A bruxa de Cacupé", de 2001, destaca-se na pintura com a presença das cores que remetem ao fauvismo, misturado com as pinceladas circulares e expressivas de Van Gogh. Antes de qualquer analogia, o destaque da figura da bruxa e do sapo soa a lembrança do mito das bruxas de Itaguaçu, tão repetida entre moradores e visitantes da Ilha na historieta de Franklin Cascaes - Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

"Aquarelas do Brasil", de 2002, tem em seu lado superior esquerdo os círculos de tons de azul, verdes e amarelos e, ao lado superior direito, a tarrafa se faz presente em um plano de fundo e se espalha por partes da tela com sua textura tramada. Os círculos se repetem em detalhe no olho do peixe, ao lado esquerdo do pescador. Os elementos se repetem, de modo diferenciado, incorporando à arquitetura conhecida dos ilhéus a igreja e as casas açorianas - Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

"Trivial", de 2017, está entre as mais recentes pinturas de Tércio. O excesso de cor, de cenas e de figuras nos faz caminhar pela tela abrindo outras possíveis interpretações e montagens. Tércio sobrepõe elementos, fragmenta em traço e cor as figuras, mistura com elementos do cotidiano e, diferente de outras produções ao longo da carreira, destaca alguns elementos com contorno preto. A tela mostra-se como um mosaico de elementos que carrega na memória, que revisita, que se depara nos tempos atuais - Reprodução Neno Brazil/Divulgação/ND

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