Florianópolis terá 1ª edição do Festival Cinema Negro

Atualizado

Criado pelo programa Cinemática Temas Transbordantes, em parceria com Movimento Negro Periférico, Projeto É Da Nossa Cor e Coletivo Pele, o Festival Cinema Negro SC tem sua primeira edição de 4 a 10 de novembro, abrindo o Mês da Consciência Negra em Florianópolis. O evento será realizado no Centro Integrado de Cultura.

A atriz Grace Passô no inédito “Temporada” de André Novais Oliveira – Foto: Vitrine Filmes/Divulgação/ND

Com curadoria e mediação do crítico de arte Allende Renck, com produção colaborativa, o Festival oferece gratuitamente oficinas de teatro e de filmagem de curta-metragem de 1 minuto, sobre representatividade do corpo negro, cursos sobre arte negra e resistência política, debates sobre branquitude e Conversas após cada filme exibido.

O festival apresenta seis longas-metragens seguidos de debate com convidadas, relacionados aos temas de racismo estrutural, negritude, feminismo, diversidade, empreendedorismo e políticas culturais.

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Também será exibida a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens com filmes escolhidos por inscrição de todo país. O júri oficial da Mostra Competitiva é formado por Bia Silva, mulher negra egressa do curso de cinema UFSC, Sarah Motta, atriz do Coletivo NEGA de teatro, e o crítico de arte Allende Renck.

A oficina de teatro com o tema “Elaborações do Corpo Negro” será ministrada pela doutora em teatro Julianna Rosa e o ator Leandro Batz.

A oficina de filmagem “O Minuto que Foi” será ministrada pelo cineasta cubano e mestrando em Letras na UFSC, Yasser Socarrás, e vai produzir cinco curtas de 1 minuto cada, com câmera de celular, sobre o tema “representatividade”.

Para crianças

No sábado a programação será para crianças, com o apoio da Mostra de Cinema Infantil, através do Cineclube Infantil, a partir das 16h, seguido de apresentação dos grupos infantis do Projeto É Da Nossa Cor, do Monte Serrat, organizado pela psicóloga Mathizy Pinheiro, e das crianças do Grupo Mittos, do Morro da Queimada.

Toda a programação é gratuita e o Festival Cinema Negro conta com apoio do Institut Français, Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, Cineclube Unisul, Mostra de Cinema Infantil, Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis, Fundação Franklin Cascaes, Prefeitura Municipal de Florianópolis, Instituto Vilson Groh, em parceria com Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina e Fundação Catarinense de Cultura.

PROGRAMAÇÃO

Dia 4, segunda-feira

18h: Apresentação do Festival com a Equipe de Produção, Homenagens  (Cinema do CIC)

19h: Mostra de Longas-Metragens (Cinema do CIC)

“Abolição” (1988, dir. Zózimo Bulbul). Documentário sobre os 100 anos de abolição da escravatura no Brasil. O ator e diretor brasileiro Zózimo Bulbul é um dos ícones negros dos anos 60 por suas interpretações na TV e no cinema. Ele foi o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira, Vidas em Conflito, foi um dos principais atores do Cinema Novo e é um dos poucos cienastas negros brasileiros. Zózimo Bulbul dirigiu filmes importantes, infelizmente mais conhecidos no exterior do que no Brasil, que militam pelo reconhecimento cultural e pelo espaço dos negros na mídia. Abolição, programado em Toulousse, filme que marcou o centenário da Abolição da Escravatura, acumula prêmios em festivais internacionais até hoje.

21h: Conversa  (Cinema do CIC): Tema: Sistema Prisional; Racismo Estrutural e Como Revolucionar As Relações Raciais na Sociedade. Com: Claudia Aguiyrre, cineasta e pesquisadora; Allende Renck, mediador; e convidadas a confirmar.

Dia 5, terça-feira

16h: Debate Cinema Negro (Espaço Lindolf Bell 2)

18h: Mostra Longa-Metragem (Sala de Cinema)

Ela Quer Tudo. EUA, She’s Gotta Have It, 1986, dir. Spike Lee, 84 min

Classificação Indicativa 14 anos/Legendas em português brasileiro

Primeiro longa de Spike Lee, rodado em uma semana no Brooklyn com verba mínima, como conclusão do curso de cinema em NY, “Ela Quer Tudo” é sobre a vida amorosa e sexual de Nola Darling, artista plástica do Brooklyn.

21h: Conversa  (Cinema do CIC) – Tema: Feminismo, Feminilidade e Negritude

Com: Fênix Lua, mestranda em Letras/UFSC, pesquisadora de feminismo gênero no cinema, organizadora do projeto Cinema Mundo; Allende Renck, mediador; e convidadas a confirmar.

Dia 6, quarta-feira

16h: Oficina de Teatro: Elaborações do corpo negro com Julianna Rosa e Leandro Batz (Espaço Lindolf Bell 2)

18h: Mostra Competitiva de Curtas-Metragens (divulgação dia 01 de Novembro, sexta-feira, da seleção oficial)

Dia 7, quinta-feira

16h: Debate Cinema Negro

18h:  Mostra Longa-Metragem (Sala de Cinema)

MAKALA. CONGO/FRANÇA, 2017, dir. Emmanuel Gras, 97 min

Classificação Indicativa 12/Legendas em português brasileiro

Primeiro documentário a ganhar prêmio da Semana de Crítica do Festival de Cannes (em júri presidido por Kleber Mendonça Filho, em 2017), o filme é sobre um jovem morador de um vilarejo no Congo não tem muito a oferecer à sua família, mas está disposto a dar tudo de si para oferecer-lhes um futuro melhor e com mais oportunidades. Na jornada para vender os frutos do seu próprio trabalho, ele aprende uma importante lição sobre a vida, a perseverança e o valor da família.

20h: Conversa sobre Políticas Culturais e Afroempreendedorismo

Apresentação da Primeira Edição ExpoAfro SC

Com: Hudson Pereira,  Téissa Marcos, Kim Isac. Mediação: Giselle Marques, arte-educadora/ escritora e Coordenadora da Rede Nacional de Afroempreendedorismo em SC.

Dia 8, sexta-feira

16h: Debate (Sala Lindolf Bell 2)

Tema Branquitude e Relações Interraciais

Com Lia Vainer Schucman

17h: Oficina de Filmagem Curta 1 min “Minuto Que Foi”

Tema Representatividade Negra no Audiovisual

Com Yasser Socarrás

18h:  Mostra Longa-Metragem (Sala de Cinema)

Temporada. (BRASIL), 2018, André Novais Oliviera, 72 min

Classificação Indicativa 12

Estreia em Santa Catarina de filme premiado no Festival de Locarno na Suíça e Melhor Filme no 51º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro. Sinopse: Juliana está se mudando de Itaúna, no interior do estado, para a periferia de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para trabalhar no combate às endemias na região. Em seu novo trabalho ela conhece pessoas e vive situações pouco usuais que começam a mudar sua vida. Ao mesmo tempo, ela enfrenta as dificuldades no relacionamento com seu marido, que também está prestes a se mudar para a cidade grande.

20h: Conversa com produtor cultural Babyton Santos e convidado(a)s.

Dia 9, sábado

14h: Curso (Espaço Lindolf Bell 2)

Tema O Grito do Negro Mudo: Arte Negra como Resistência Política

Com Allende Renck.

15h: Oficina “Minuto Que Foi”, com Yasser Socarrás

16h: Cineclube Infantil  (Sala de Cinema)

Especial Cinema Negro

17h: Apresentação (Sala de Cinema)

Grupo infantil Projeto É Da Nossa Cor e Projeto Mittos

18h30: Performance  (Sala de Cinema)

Com artista Beatriz N.

19h: Mostra Longa-Metragens

Eu Não Sou Seu Negro. (EUA, SUÍÇA, FRANÇA, BÉLGICA), Im Not Your Negro, 2017, dir. Raoul Peck, 94 min

Classificação 12 anos

Vencedor do Oscar, o documentário do cineasta haitiano Raoul Peck é sobre o escritor James Baldwin, que deixou antes de falecer uma carta para o seu agente sobre sua intenção de terminar o livro Remember This House, que relata a vida e morte de alguns dos amigos do escritor, como Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Junior. Com sua morte, em 1987, o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck.

21h: Conversa (Sala de Cinema): Tema Intelectualidade negra.

Mediação Allende Renck, com Giselle Marques, arte-educadora/ escritora e Coordenadora da Rede Nacional de Afroempreendedorismo em SC; Cíntia Cardoso, doutoranda em estudos de branquitude na edução infantil; Vera Marques Santos, coordenadora do núcleo de estudos afro brasileiros / Neab e o LabEdusex / UDESC.

Dia 10, domingo

15h – Cerimônia de Premiação dos Curtas-Metragens

Exibição do filme premiado Melhor Curta.

16h – Mostra Especial: SLAM: Voz de Levante (105min)

17h30 – SLAM org. DKG

18h30 – Exibição dos Curtas de 1min da Oficina de Filmagem

19h – Mostra Longas-Metragens:

Moonlight. (EUA), dir. Barry Jenkins, 2017, 72min

Classificação 16 anos

Três momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem. Vencedor do Oscar de melhor filme em 2017.

21h – Debate sobre Masculinidades, Saúde Mental e Sexualidade na Negritude a partir do filme de Jenkins, com Elaine Sallas

22h – Encerramento do Festival de Cinema Negro 2019

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