Jornalistas compilam histórias gastronômicas e criam um guia de receitas “manezinhas”

Atualizado

Interessadas em cultura, comidas e restaurantes, as ainda estudantes Catarina Duarte e Lívia Schumacher decidiram abordar esses temas no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) delas. Da pesquisa que fizeram com cozinheiros e chefs da cidade surgiu o “Guia de receitas manezinhas”.

Lívia Schumacher e Catarina Duarte com o seu “Guia de receitas manezinhas” – Foto: Anderson Coelho/ND

Estudantes de jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), hoje já formadas, elas resolveram ir além das receitas. O livro conta a história das pessoas e ressalta o papel da gastronomia local para a cultura da região.

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A intenção da dupla foi mostrar os “bastidores” da produção dos alimentos, além da relação dos cozinheiros com a comida. Elas também abordam a cultura local, as tradições que passam de geração para geração e inovações que esses cozinheiros e chefs incluíram na culinária da cidade.

Personagens

Encontrar os personagens não foi muito difícil: alguns simplesmente não poderiam ficar de fora, pois seus pratos tornaram-se referência da gastronomia “manezinha”. Já os outros foram indicados por amigos e até pelos próprios entrevistados.

Para contar as histórias, Lívia e Catarina foram in loco: acompanharam a produção das receitas nas casas e nos restaurantes. Assim, conseguiram descrever desde a preparação, a alquimia, os aromas e apresentação dos pratos. E foi assim que elas puderam contar um pouco da história de pessoas como a dona de casa Lila, a proprietária do Pedacinho do Céu Zenaide, a jornalista Janaína e seu marido, o inventor Josué.

Elas puderam ver a diferença entre cozinhar em casa e em um restaurante, numa cozinha profissional. “É diferente a relação do cozinheiro profissional em restaurante para uma pessoa que está cozinhando na própria casa”, conta Catarina.

Gastronomia como parte da cultura

“A gente pensa muito em cultura só em relação a música que a pessoa está ouvindo ou a um filme que ela assistiu, quando na verdade é a comida que está presente todos os dias”, explica Lívia.

No entanto, a cultura de um povo abrange tudo o que é produzido pelas pessoas, as crenças, as artes, os hábitos. Por isso, a gastronomia também é um meio de expressar a cultura de um lugar.

Catarina complementa: “A gente pensa em cultura como algo muito longe da gente. Cultura é o que a gente veste, é o que a gente fala, é como a gente se posiciona e é o que a gente come. Então, o que o florianopolitano come é cultura. O que o “manezinho” come é cultura”.

Catarina e Lívia escolhem ingredientes no Mercado Público de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Em seu guia de receitas, a dupla conta um pouco das raízes da gastronomia de Florianópolis, que tem origem com os povos indígenas que habitavam a região. Deles, ficaram como herança os vários usos da mandioca e o uso da folha de bananeira em receitas com peixes, por exemplo.

A colonização açoriana impulsionou ainda mais a utilização de frutos do mar nas receitas. Os chamados “centrinhos” foram criados para reconstruir os elementos culturais trazidos pelos portugueses. Nesses locais, eram vendidos artesanatos, alimentos e excedentes da produção agrícola.

O início da globalização culinária na cidade se dá com os africanos, que adaptavam os pratos da sua terra natal com os ingredientes disponíveis. Mais tarde, outros imigrantes (principalmente europeus) trouxeram outras influências gastronômicas.

Abaixo, duas receitas que Catarina e Lívia catalogaram.

O risoto de camarão dos Arante

Esta receita tem tempo de duração de 40 minutos, dificuldade média e serve 10 porções.

Ingredientes

  • 2 dentes de alho picados
  • 1 cebola picada
  • 400 g de camarão médio
  • 2 xícaras de arroz
  • 1 lata de creme de leite
  • 1 L de água

Sal, pimenta, cebolinha e salsinha a gosto

Modo de fazer

Em uma panela grande, refogue o alho e a cebola por 5 minutos. Adicione o camarão e tempere com sal e pimenta a gosto. Quando o crustáceo ficar rosa, adicione o creme de leite e a cebolinha e salsinha desligue o fogo e reserve. Em outra panela, refogue o alho picado e, quando o ingrediente ficar dourado, adicione o arroz. O refogado do grão é rápido e deve ser seguido pela adição de 1l de água. Deixe cozinhar até o arroz ficar seco. Misture então o camarão e arroz e sirva em uma travessa.

O pirão d’água da Lila

A receita mais simples da culinária manezinha tem duração de cinco minutos, dificuldade facílima e serve seis porções.

Ingredientes

  • Meio litro de água fervente
  • 1 xícara de farinha de mandioca crua

Sal e pimenta opcionais

Modo de fazer

Aqueça a água. Quando ferver, misture com a farinha de mandioca até engrossar e cozinhar. Para que não empelote, é necessário mexer rápido. Adicione sal, pimenta e algum molho a gosto.

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