Movimento cineclubista continua ativo em Florianópolis

Atualizado

A organização dos cineclubes começa muito antes da exibição de qualquer filme. Tem de se escolher a temática dos ciclos mensais, produzir cartazes para promover as sessões e preparar o local de exibição. O público se reúne em salas de cinema atípicas. Não há em muitas delas cadeiras estofadas, sistemas de som de última geração ou telas gigantes. Salas de aula e espaços em fundações culturais se transformam em salas de exibição, que tem o intuito de levar filmes que estão fora do circuito comercial ao grande público.

O movimento que começou na França, chegou em Florianópolis com o Clube de Cinema – Divulgação/ND

O movimento cineclubista começou na França na década de 20, mesmo país onde o cinema foi inventado em 1895 pelos irmãos Louis e Auguste Lumiére. A proposta inicial era usar imagens como forma de ilustração em palestras destinadas ao público popular. Com o tempo, tornam-se espaços de debate e discussão de temas apresentados nos filmes. A partir dos anos 50 acontece a expansão dos cineclubes para diversos países do mundo. No Brasil, o “Chaplin Club” no Rio de Janeiro é considerado o primeiro do país.

Em Florianópolis, o “Clube de Cinema” foi o primeiro cineclube a entrar em atividade. A organização das sessões era responsabilidade do Grupo Sul, conhecido por editar a “Revista Sul”, que circulou entre os anos de 1948 e 1957 na Capital. Os donos da editora eram os escritores Salim Miguel e Walmor Cardoso da Silva. Em 1968, o Nossa Senhora do Desterro, cineclube com maior duração na cidade, foi criado por iniciativa de estudantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) ligados ao GUCA (Grupo Universitário de Cinema Amador). Entre os participantes estavam Rodrigo de Haro, Deborah Cardoso Duarte e Gilberto Gerlach.

Em 1968 surge o Art 7 Cine Club, criado pelo jornalista Darci Costa. As primeiras sessões aconteceram na rua Almirante Alvim, em um prédio da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc). A seleção dos filmes era feita na casa de Costa, em reuniões calorosas entre os membros. Hoje, o cineclube tem espaço cativo dentro das sessões de filmes da Fundação Cultural Badesc. A sala de 45 lugares ainda é tomada por grandes públicos. Em 2015, durante o ciclo de “Cinema Noir”, as pessoas tiveram de apertar para assistir “Rei Lear”, produção baseada em textos de William Shakespeare.

Nos anos 2000, o cineasta Alan Langdon foi o responsável pela criação de dois cineclubes em Florianópolis. O Sopão de Filmes usava o espaço cultural Pomar das Artes para realizar as sessões. Por cinco anos foram exibidas diversas produções audiovisuais brasileiras de cineastas como Kleber Mendonça Filho e Christian Caselli. Com exibições na Cinemateca Catarinense, o Cine Ieda Beck funcionou por aproximadamente quatro anos. O cineclube homenageava a produtora e cineasta lageana Ieda Beck, que morreu em 2008 em decorrência de leucemia.

Outro importante cineclube da Capital foi o Cine Maciço. A montagem das sessões era feita com caixa de som, projetor e telão, que exibiam filmes em comunidades do maciço do Morro da Cruz. O projeto coordenado por Pedro MC, hoje presidente da Cinemateca Catarinense, ganhou o prêmio Cultura Viva, idealizado pelo Ministério da Cultura.  Por 15 anos Pedro também cuidou do Cine Pitangueira, que acontecia na Casa das Máquinas, na Lagoa da Conceição.

Atualmente muitos cineclubes são organizados em instituições de ensino. Na UFSC, bolsistas e voluntários se dividem na administração do “Cine Paredão” e do “Cine Rogério Sganzerla”. Estudantes do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) cuidam da programação semanal do “Cineclube Ó Lhó Lhó”, que acontece na sala de artes da própria instituição. Na Fundação Cultural Badesc a sessão “Art 7” ainda exibe filmes às quartas-feiras. No mesmo espaço ainda acontecem o “Cine Africano” e a ”Sessão Divã”. Em Santo Antônio de Lisboa, o “Cine Coisa Linda” valoriza as produções catarinenses.

Conheça alguns do cineclubes em atividade de Florianópolis

Cineclube Ó Lhó Lhó

Organizado por estudantes do IFSC, o cineclube acontece às sextas-feiras – Divulgação/ND

A sessão do filme “As Sufragistas” teve de ser transferidas às pressas para auditório do IFSC. A notícia que o Cineclube Ó Lhó Lhó exibiria o longa protagonizado por Carey Mulligan circulou até nas rádios. A sala de artes, que às sextas-feiras recebe as sessões de cinema, ficou pequena para o público que lotou o lugar. Organizado por um grupo de nove bolsistas, alguns voluntários e coordenado pela professora Gizely Cesconetto, o cineclube completa cinco anos em novembro.

Criado a partir da iniciativa do Grêmio Estudantil, o Ó Lhó Lhó organiza as exibições por ciclos, selecionando os filmes por temas comuns. A sala comporta até 50 pessoas para as sessões semanais que começam às 18h. Para participar basta apresentar um documento com foto.

Quando: Sextas-feiras, 18h

Onde: Sala de Arte do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Av. Mauro Ramos, 950 – Centro, Florianópolis

Cineclube Badesc

Criado em 2007 pela Fundação Cultural Badesc, o projeto “Cineclube” promove 17 sessões fixas mensais ou bimestrais, sempre às quartas-feiras. Entre elas estão Art 7, Cine Francês AF, Sessão Divã, Cine Africano e o Imagens Políticas. Exibindo filmes de diversas temáticas, origens e estilos, a Fundação já tem um público cativo. O espaço, que já foi residência do presidente Nereu Ramos, recebe também mostras e festivais de cinema.

Quando:  Segunda a sexta-feira, 19h

Onde: Fundação Cultural Badesc, Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis

Cine Paredão

A sessão do filme “Libertem Angela” fez sucesso com o público presente – Áurea Fonseca/Divulgação/ND

O primeiro filme exibido pelo cineclube há mais tempo em funcionamento na UFSC (Universidade de Santa Catarina), foi “Pink Floyd The Wall”, longa baseado no álbum na banda de rock britânica Pink Floyd, lançado em 1979. A obra inspirou os bolsistas, que nomearam o projeto de Cine Paredão. A organização, dividida entre três bolsistas e alguns voluntários, desenvolve cartazes de divulgação ao longo da semana sendo responsáveis também por espalhá-los por toda a universidade. Às sextas-feiras, a equipe trabalha na montagem da tela na parede atrás do auditório do CFH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas).

A seleção dos filmes é pensada para privilegiar obras de difícil acesso do grande público, como produções independentes ou alternativas. Dividido em mostras mensais, o Cine Paredão não conta com debates após a exibição dos longas, o que não impede uma intensa interação do público. Ao final do filme “Libertem Angela”, sobre a ativista pelos direitos negros Angela Davis, as 50 pessoas ali presentes aplaudiram a obra por vários minutos.

Quando: Sextas-feiras, 19h ou 20h

Onde: Bosque da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), R. Eng. Agronômico Andrei Cristian Ferreira, s/n, Trindade, Florianópolis

Cine Coisa Linda

Criado por Alan Langdon, o Coisa Linda exibe produção catarinenses – Divulgação/ND

A primeira sessão do Cine Coisa Linda apresentou três curtas-metragens catarinenses. A sala de piso de madeira e de panos vermelhos bordados com flores, da Nau Catarineta, recebeu desde a abertura do cineclube cinco exibições. Privilegiando produções locais, o Coisa Linda promove debates entre realizadores e o público, fator que altera a sua periodicidade. A segunda edição, por exemplo, aconteceu em um domingo, já a terceira numa quinta-feira. Para Alan Langdon, criador das sessões, o mais importante é a troca de experiências entre o público e os produtores do estado.

Quando: sem data definida

Onde: Nau Catarineta, R. Cônego Serpa, 30, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis

Cine Rogério Sganzerla

O Cine Rogério Sganzerla promove debates após a exibição dos filmes – Áurea Fonseca/Divulgação/ND

Em abril de 2018, após oito anos sem atividade, o Cine Rogério Sganzerla voltou a exibir filmes. A mostra escolhida para retomar as sessões incluía obras dos cineastas brasileiros  Rogério Sganzerla e Helena Ignez. Criado por iniciativa de acadêmicos do curso de Cinema da UFSC, o cineclube foca nos debates após a exibição, que acontece às terças-feiras em uma sala de exibição da universidade.

Quando: Terças-feiras, 19h

Onde: Sala de exibição do curso de Cinema da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina),  R. Eng. Agronômico Andrei Cristian Ferreira, s/n, Trindade, Florianópolis

Projeto Cinema Mundo

O projeto acontece na Biblioteca Universitária da UFSC às quintas-feiras. A proposta é promover sessões comentadas de filmes e propor debates entre a comunidade externa a universidade e os acadêmicos. Criado por alunos do curso de Cinema, o Cinema Mundo conta com apoio dos funcionários da biblioteca.

Quando: Quintas-feiras, 18h30

Onde: Biblioteca Universitária da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina),  R. Eng. Agronômico Andrei Cristian Ferreira, s/n, Trindade, Florianópolis

Sessão Cinemática

A primeira exibição da Sessão Cinemática aconteceu em 2016 durante a ocupação do de um prédio no Largo da Alfândega. Os manifestantes ocupavam o lugar para protestar contra o fim do Ministério da Cultura. Em 2017, as sessões foram transferidas para a sala de cinema do MIS (Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina). Nos ciclos mensais são apresentados filmes que não entram no circuito comercial de cinema, como os longas “O Caso do homem  errado” e “Café com Canela”, ambos produzidos por mulheres negras.

Quando: Quartas-feiras, 19h30

Onde: Sala de Cinema do MIS (Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina), Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis

Cineclube da Mostra de Cinema Infantil

A programação do Cineclube é montada pensando em contemplar crianças de todas as idades. – Carolina Arruda/Divulgação/ND

Dedicado ao público infantil, o Cineclube acontece aos sábados na sala de cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura). Os filmes exibidos fazem parte do acervo da Mostra de Cinema Infantil e buscam retratar a realidade do povo brasileiro. Após as sessões é aberto um espaço para que as crianças emitam suas opiniões sobre a obra apresentada. Iniciado em 2017, o Cineclube infantil tem um espectadores fiéis, recebendo público mensal de 550 pessoas.

Quando: Sábado, 16h

Onde: Sala de Cinema do CIC, Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis

Cineclube Unisul

Em novembro de 2014 foi exibida a primeira sessão do Cineclube na sala de cinema do CIC. Após quase cinco anos, foram mais de 840 exibições contemplando um público de 28 mil espectadores. Resultado de uma parceria entre o curso de Cinema da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) e a FCC (Fundação Cultural Catarinense), o cineclube funciona gratuitamente de quinta-feira a domingo.

Quando: De quinta a domingo, 20h

Onde: Sala de Cinema do CIC, Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis

Mais conteúdo sobre

Cinema