Provocador e visionário, gaúcho Carlos Asp é homenageado em Florianópolis

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Celebrando a vida e obra de Carlos Asp, a exposição “DES(E)POEMAS” reúne 70 trabalhos marcantes do artista gaúcho. O número não foi escolhido ao acaso. Asp completa 70 anos no dia 19 de novembro, mesmo data, lembra ele, em que é comemorado o Dia da Bandeira.

“DES(E)POEMAS” é uma exposição em homenagem ao artista gaúcho Carlos Asp – Foto: Divulgação/ND

A exposição “DES(E)POEMAS” recebe visitantes a partir deste domingo (3), às 17h, no Espaço Cultural Armazém Coletivo Elza, no Sambaqui. A mostra faz parte do Polo-SC da 14ª Bienal de Curitiba. As obras expostas estarão disponíveis para a compra.

São 70 desenho homenageando cada ano de vida de Asp. A curadoria é de Juliana Crispe e Francine Goudel. Asp fará uma obra no dia da abertura da exposição. A  instalação definida pelo artista como“obra falada” será feita com auxílio de carvão vegetal.

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A marca de seu trabalho é o uso de materiais descartáveis. Nas produções ele usa bulas de remédios, caixas e outras embalagens. Por meio deles busca fazer revelações com coisas que diz  “sempre estarem lá”.

O estúdio onde cria suas obras é dividido em dois espaços de sua casa: a mesa do quarto e da cozinha. A casa da rua Vinte e Cinco de Novembro, em Forquilhas, em São José, é seu recanto criativo, onde passa madrugadas em plena atividade.

Artista se considera provocador e “meio burro”

Asp lembra de andar pelas ruas munido de uma prancheta. Nela fazia anotações sobre as árvores da Praça 15, no Centro da Capital, e sobre as pessoas que avistava durante suas andanças.

Considera-se um provocador, mas se define como “meio burro”. A visão falha do olho esquerdo, a falta de equilíbrio que o obriga a usar bengalas e a ausência de quatro patas como as do animal, são os motivos pelo qual o artista usa para determinar tal descrição.

Asp comemora 70 anos em 19 de novembro e a exposição reúne 70 obras do artista – Foto: Marco Santiago/ND

O artista fez parte do grupo Nervo Óptico, um coletivo formado por ex-colegas de faculdade que queriam compartilhar suas produções. Durante 1975 e 1978, o grupo produziu cartazes impressos em offset e distribui de forma gratuita para museus nacionais e internacionais.

Desistiu do doutorado, mas fez produções dignas de prêmios das academias de artes. O reconhecimento ao seu trabalho está nos acervos do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), MARGS (Museu de Artes do Rio Grande do Sul) e do MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo).

Recentemente, foi a Museu Victor Meirelles doar uma obra mais nova ao acervo. O motivo de seu deslocamento foi o futuro. Quer ser estudado, catalogado e lembrado pelas futuras gerações. “Quando eu fechar a cortina será para sempre”.

Serviço:

O quê: Exposição “DES(E)POEMAS”

Quando: 3/11, 17h (abertura), Visitação até 29/11, de quarta à sexta-feira, das 14h às 18h

Onde: Espaço Cultural Armazém Coletivo Elza, Rod. Gilson da Costa Xavier, 1384, Sambaqui, Florianópolis

Quanto: Gratuito

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