Receitas de Páscoa que aquecem o coração e inspiram o paladar

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Em 2020, a Páscoa vai ser celebrada de maneira diferente no mundo inteiro. As famílias terão que se reunir em meio a cuidados e restrições e evitar trocar os abraços afetuosos que a data pede. Mas se a Páscoa é momento de ressurreição para os cristãos, também pode ser oportunidade de buscar um novo olhar sobre o momento que estamos vivendo.

Resgatar as boas sensações, memórias, tradições, aquela lembrança que enche o coração de amor e esperança também é maneira de recomeçar. Reunimos algumas receitas e tradições de Páscoa que mantêm vivo esse espírito, mesmo nesses tempos de incertezas. Tem doce, salgado e decoração. Em todas, um ingrediente comum: tudo feito com amor e afeto.

Valentina mostra a arte nas casquinhas. Ela tem apenas dois anos e já está aprendendo sobre a magia da Páscoa – Foto: Arquivo Pessoal/ND

De mãe para filha

Aos dois anos, Valentina Carniel Bonfanti se diverte pintando ovinhos. Algumas casquinhas se quebram, mas nada que abale a alegria da pequena, que está o tempo todo com um sorriso no rosto. Uma tradição que está apenas começando na vida da menina, mas se depender da mãe, Verônica Carniel, vai durar por muitos anos. Nas melhores lembranças de sua infância, no Rio Grande do Sul, a atividade fazia parte dos rituais da Páscoa.

Veronica conta que sua mãe sempre incentivou os filhos a fazerem a própria cestinha, e a família toda se reunia, tias, primos, e todos traziam coisas recicláveis a adereços para estimular as crianças. A mãe era funcionária de uma padaria e depois veio a ter sua própria. Então, cada ovo usado nos pães e doces da padaria eram quebrados cuidadosamente. Só a pontinha, para trazer as casquinhas para casa.

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“Eu amava pintar. Então, fazia com diferentes técnicas, com papel crepom, tinta guache, esmalte. Mas o que eu mais gostava era o cri cri (amendoim envolto com açúcar, que em algumas regiões também é chamado de carapinha) dentro, e fechava com forminha de docinho. Na adolescência, eu continuava gostando da tradição, principalmente de pintar, e continuava fazendo isso para meus sobrinhos. É algo que me lembra muito a infância. A gente acordava no domingo e ia procurar a cestinha, minha mãe colocava pedacinhos de cenoura como pistas. É uma memória muito alegre, muito feliz dessa época”, conta.

A empresária explica que hoje, ela e marido tentam criar esses momentos de alegria em família com Valentina, já que é a primeira Páscoa que ela entende um pouco mais o que está acontecendo. “Quero resgatar um pouco disso. Como estamos em casa nesse período, todas as tardes pintamos um pouco, cada dia com uma coisa nova. Ela se diverte muito, e sempre pede antes de começar ‘mamãe, fazer os ovinhos?’. Toda vez que eu faço omelete, alguma receita que vai ovo, quebro certinho e explico para ela que estou guardando para a gente pintar e colocar o amendoim dentro”, explica.

Valentina se diverte com a orgulhosa mamãe, Verônica – Foto: Arquivo Pessoal/ND

A casa da família, em Garopaba, é rodeada de árvores. No planejamento deste ano, o casal pretende criar um cenário com pegadas do coelho e cenouras para Valentina se divertir. Junto com isso, eles também contam histórias de Páscoa que a escola está mandando e cantando músicas temáticas.

“Ela tá curtindo muito tudo isso, já decorou algumas músicas. Está sendo muito legal criar esse momento com a Valentina, além de deixar tudo isso que estamos passando um pouco mais leve”, finaliza.

“Cri cri”  saudável e lisinho

– 2 xícaras de amendoim

– 1 xícara de açúcar demerara

– 1 xícara de água

Modo de fazer

– Misturar os ingredientes na panela e mexer sem parar até o açúcar derreter.

– Uma diferença dessa receita para a tradicional é que no ponto que começa a desgrudar do fundo da panela, não se deve desligar o fogo.

– Continuar mexendo até o açúcar derreter de novo e colar com o amendoim. Vai ficar um amendoim mais liso.

Inspirada na Osterbaum, a maior árvore de Páscoa do mundo, que fica na catarinense Pomerode, Maria da Graça criou a sua própria árvore – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Carinho revelado na Osterbaum e nos coelhinhos espalhados pela casa

O gosto por ter a casa bem decorada, a aposentada Maria da Graça Pigozzi herdou da mãe. Em datas festivas, como a Páscoa, o capricho é ainda maior. A cada ano, o acervo de enfeites e coelhinhos só aumenta. Mas foi há cerca de quatro anos, quando visitou a maior Osterbaum do mundo, em Pomerode, que Graça começou a fazer a sua.

Maria da Graça confraterniza com os filhos na caprichosa mesa montada com carinho para comemorar a Páscoa – Foto: Arquivo Pessoal/ND

A Osterbaum, ou árvore de Páscoa, carrega muitos significados. Pela simbologia cristã, os galhos secos são a tristeza pela morte de Jesus, e as casquinhas de ovos coloridas simbolizam a alegria pelo renascimento.

“Eu achei muito bonita a árvore e o significado também. Fiquei encantada e passei a fazer a minha todos os anos, sempre diferente. Acho uma tradição muito bonita, e quando tiver netos quero passar para eles também”, relata.

Inspira!