Reconhecido no exterior, coreógrafo catarinense Volmir Cordeiro apresenta espetáculo inédito

Rosane Lima/ND

Morador de Paris, Volmir Cordeiro apresenta pela primeira vez em Santa Catarina seu espetáculo de dança “Inês”

A dança como instrumento questionador às estruturas sociais é uma das muitas provocações dos trabalhos do catarinense Volmir Cordeiro, 28 anos. Natural de Concórdia, cidade localizada no Oeste do Estado, porém morador de Paris, capital da França, o dançarino apresenta hoje [quarta-feira] pela primeira vez em Santa Catarina seu mais recente espetáculo, “Inês”. “É sobre uma mulher que quer ser uma celebridade e faz tudo para atingir esse objetivo. Quero problematizar essa supervalorização da imagem e da exposição que vivemos atualmente”, explica Cordeiro, que já apresentou suas peças em diferentes lugares da Bélgica, França e Portugal. “Agora, depois do Brasil, sigo para Nova Iorque e Viena, na Áustria”, adianta o dançarino, que se prepara para dar continuidade ao tour internacional.

É com gestos singulares e autônomos que Volmir explora as representações de gestos marginais na dança contemporânea e questiona a ética da exposição e do olhar consumista sobre o corpo físico. “Inverti a lógica e passei a olhar para corpos completamente diferentes dos meus, investiguei como poderia ‘encarnar’ esses corpos expostos e excluídos”, observa o artista.

Desde os cinco anos de idade Volmir Cordeiro faz teatro. A paixão pelo palco fez com que o artista seguisse a graduação em Artes Cênicas. Durante três anos cursou a formação na Udesc (Universidade Estadual de Santa Catarina) em Florianópolis, para então transferir o curso para a UNIRIO (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O interesse pela disciplina corporal fez com que fosse natural para o artista caminhar do teatro para a dança. Na Capital, estudou durante anos com o Cena 11 Cia. de Dança, e inclusive participou de um espetáculo da companhia, “Segredos Dançantes Contra a Brutalidade Surda”.  “No Rio de Janeiro estudei na Cia. Lia Rodrigues, que ficava localizada na favela da Maré. Lá despertou a minha vontade de estudar de forma mais aprofundada a figura do marginal”, conta Cordeiro.

Foi em seu primeiro espetáculo individual, “Céu”, que o dançarino catarinense explorou em diferentes medidas o imaginário da marginalidade. “O mendigo, a prostituta, o camponês. Misturei os movimentos característicos que podem ser reconhecidos na gestualidade dessas figuras marginais”, observa o artista. Foi com a encarnação desses personagens de corpos excluídos de “Céu” que o trabalho de Cordeiro começou a ser reconhecido na Europa. De seus interesses pelos corpos excluídos para os corpos expostos, Volmir compôs o seu espetáculo atual, “Inês”. “Sou apenas um jovem intérprete e coreógrafo”, observa o artista, que já é doutor em dança, criação e performance pelo Centro Nacional de Dança d’Angers, na França.

Voz também é corpo
A passagem de Volmir Cordeiro por Florianópolis é parte do projeto “Tubo de Ensaio – Composição [Interseções + Intervenções]”, que iniciou em fevereiro deste ano e segue até outubro com ações mensais que trazem a proposta de interseção entre saberes e práticas artísticas da dança. Para o dançarino catarinense, o uso de alegorias agrega conteúdo a seus espetáculos. Alegorias como o característico figurino vestido por ele em “Inês” ou como os textos declamados em suas performances de dança; “uma coisa não elimina a outra. Texto é dança, e a voz também é corpo”, observa o artista, que também é a favor da emancipação do público. “É claro que tenho a intenção de questionar com meus trabalhos, mas as pessoas dão a significância que querem a eles”, conclui Cordeiro. Além da apresentação de “Inês” hoje [quarta-feira], Volmir Cordeiro ainda ministra amanhã [quinta-feira] na Udesc, em Florianópolis, a oficina gratuita e aberta ao público “Festa de Pobre”.

O quê: espetáculo “Inês”
Quando:
17/6, 20h
Onde:
Teatro Pedro Ivo, rod. SC – 401, Km 5, 4.600, Saco Grande, Florianópolis, tel. 3665-1630
Quanto:
R$ 10, R$ 5 (meia)

O quê: oficina “Festa de Pobre”
Quando:
18/6, 14h
Onde:
sala Espaço 1 do Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), av. Madre Benvenuta, 2007, bairro Itacorubi, Florianópolis
Quanto: gratuito, inscrições através do e mail tubodeensaiofpolis@gmail.com

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