Seis dicas para reconhecer uma boa cachaça

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De Tubarão, Renato Bittencourt é mestre alambiqueiro, master blender e possui o título de Mestre Cachacier – Foto: Lara Decker/Divulgação/ND

Terceiro destilado mais consumido no mundo, a cachaça é considerada bebida nacional por decreto federal. No Brasil são cerca de 30 mil produtores da bebida, que é uma verdadeira paixão nacional.

Ainda assim, muitas pessoas dizem dizem não gostar porque nunca provaram uma cachaça de qualidade. Será que é o seu caso?

O empresário catarinense Renato Bittencourt, que é mestre alambiqueiro, master blender e possui o título de Mestre Cachacier, dá cinco dicas para quem quer reconhecer uma boa cachaça.

Ele é autor da cachaça Antonieta, premiada no Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelles 2019 (Concurso Mundial de Bruxelas), o mais importante e prestigiado concurso mundial de destilados.

Em sua primeira participação no festival, a Antonieta, que é armazenada em tonéis de amburana, levou a premiação máxima, a Grand Golden Medal.

Confira as dicas e saboreie com moderação:

1.Opte por um produto artesanal

Se a ideia é degustar uma bebida de qualidade, o primeiro e mais importante passo é optar por uma cachaça produzida artesanalmente. Um bom destilado, seja cachaça ou não, aquece o peito, mas não desce queimando. A cachaça artesanal é produzida a partir de cana fresca, preferencialmente fermentada naturalmente e destilada em alambiques de cobre (mesmo sem entender de bebida dá pra sacar que não tem como ter tanto cuidado em uma fabricação de larga escala, não é mesmo?).

2.Confira se tem selo do Mapa

O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é o responsável por fiscalizar e inspecionar a produção de bebidas no Brasil. Verifique no rótulo da cachaça se ela possui registro. Isso não garante que a cachaça é gostosa, mas é essencial para certificar que foi fabricada dentro dos padrões mínimos exigidos para bebidas comerciais no nosso país.

3.Se tem medalha é um ótimo indicativo

Pessoas com o paladar muito seletivo para destilados são juradas em concursos de bebidas. Então, escolher uma cachaça premiada é garantia de que ela já passou por crivos exigentes. Isso não quer dizer que uma cachaça não premiada seja ruim: determinadas marcas podem preferir optar por nunca concorrerem a nada e serem excelentes, mesmo assim. É apenas uma certeza de que se foi premiada, vale a pena investir.

4.Identifique se é cachaça ou aguardente

Ambas são produtos similares e podem ser facilmente confundidas. No Brasil, a aguardente é feita, geralmente, a partir do melado e seu teor alcoólico pode variar entre 38 e 54%. Já a cachaça é produzida a partir do caldo de cana fresco, garantindo mais qualidade e complexidade de aromas e sabores ao destilado. Seu teor alcoólico pode variar de 38 a 48%. Dica: Leia atentamente o rótulo. Caso contenha adição de corantes, saborizadores ou mesmo frutas, trata-se de uma aguardente composta (ou bebida mista). Na cachaça, tanto as notas quanto a coloração são conferidas exclusivamente pela cana de açúcar e pela madeira na qual o destilado é armazenado.

5.Beba com taça

Isso mesmo! Pode parecer estranho para quem aprendeu que cachaça se bebe no formato de shot, o famoso martelinho. Mas Renato Bittencourt indica a taça ISO, caracterizada pelo formato alongado, com estreitamento da boca e bojo, para que o líquido se movimente livremente, formando lágrimas na parede e liberando os aromas da bebida. “A haste permite que o calor das mãos não interfira na temperatura e no sabor. Através da taça também é possível observar a cor, a oleosidade, limpidez e o brilho”, aponta o cachacier.

6.Para degustar como um especialista (bônus!)

Há quatro tipos de análises principais ao se degustar uma cachaça. Na visual, observe se há turbidez ou qualquer outro tipo de impureza. Agite a garrafa fechada e observe a formação de bolhas, elas deverão desaparecer em até dez segundos. “Uma boa cachaça deve ser cristalina e suas lágrimas devem escorrer pelo cálice como um óleo fino”, explica Renato. Na análise olfativa, três a quatro centímetros de distância entre copo e nariz já são suficientes. Faça um movimento circular com o cálice para liberar os aromas. Na análise gustativa, coloque uma pequena quantidade na boca e faça percorrer todos os seus cantos. Já a retro-olfativa permite descobrir novos sabores. Inspire preenchendo parcialmente os pulmões com ar, coloque a cachaça na boca e a sinta. Só então, expire lentamente. Perceba o conjunto da obra, revelado pelo buquê de aromas, sabores, qualidade e requinte.

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