Volta à Lagoa percorre as belezas e tradições do bairro

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Suzana dos Santos (à frente) competirá neste ano pela segunda vez na prova. Carmem Santos estreia na disputa que ocorrerá neste fim de semana – Anderson Coelho/ND

Localizada no Leste da Ilha, a Lagoa da Conceição é um dos lugares mais procurados pelos turistas por suas belezas naturais, a rica gastronomia, as baladas noturnas, a diversidade de esportes náuticos e a cultura tradicional preservada. E é lá que ocorrerá neste domingo (8) a tão aguardada corrida de 10,5 km da Volta à Lagoa. Já são mais de mil inscritos, entre atletas e amadores que poderão desfrutar de uma das mais lindas paisagens da capital catarinense. A disputa, acima de tudo, busca enfatizar a escolha por um estilo de vida saudável e a valorização do esporte.

As provas serão de 10,5 km e 4 km, individuais ou em revezamento. A entrega das medalhas ficará a cargo do casal de protagonistas da novela da RIC TV Record “Topíssima”, Camila Rodrigues e Felipe Cunha, transmitida às 19h45 na RICTV. A largada será às 8h30 em frente ao Tilag (Terminal Integrado da Lagoa da Conceição) e a cerimônia de premiação está prevista para às 10h, no mesmo local.

Vamos conhecer um pouco mais sobre este lugar tão especial da Ilha onde ocorrerá a prova? Para isso, a Inspira! convidou representantes de diferentes áreas de atuação na região para conversar sobre os principais temas ligados à Lagoa da Conceição. Nice Nunes, 50 anos, é técnica cultural há 31 anos e desde 2005 está à frente do grupo de rendeiras que se encontram todas as quartas e sextas-feiras, há 20 anos, para manter atual essa antiga tradição açoriana. Inicialmente o encontro era realizado no Casarão Bento Silvério, que neste momento está fechado para futuras reformas. Por isso, elas passaram a se reunir na Casa das Máquinas. Nesse encontro, participam 30 rendeiras de diversas regiões, desde aquelas que são naturais da Lagoa da Conceição até as do Rio Tavares, da Barra da Lagoa, do Canto da Lagoa e do Retiro da Lagoa. Além da oficina de renda tradicional, a Fundação Franklin Cascaes de Cultura investiu em rendeiras do Sul da Ilha que dominavam as técnicas dos pontos de Tramoia e Maria Morena para ensinar as demais.

Rendeiras em atividade no bairro, uma das tradições locais – Anderson Coelho/ND

“Essa atividade, além de manter a cultura da renda de bilro viva, promove um momento de encontro e de terapia ocupacional, que proporciona bem-estar e descontração entre senhoras rendeiras, sendo que muitas delas já estão acima de 80 anos e continuam ativas”, enfatiza Nice.

A técnica cultural afirma também que existem pessoas de outras gerações que tecem a renda de bilro tanto por meio de oficinas para iniciantes como por práticas voluntárias realizada na Escola Básica Henrique Veras, com o projeto “Mãos que ensinam mãos”, por meio do qual são ministradas aulas de renda para meninas e meninos do 5° ao 9° ano do ensino fundamental. Na década de 1970, com o início do turismo na região, havia muitas barracas de rendeiras na avenida, que não por acaso foi intitulada como Avenida das Rendeiras, sendo que antigamente a renda representava uma parte importante do orçamento dessas famílias tradicionais.

É importante destacar que a Casa das Máquinas, local onde o encontro entre as rendeiras atualmente se realiza, é um espaço de muitas histórias. Em 1912, início da Revolução Industrial, o espaço foi construído para funcionar como radiotelégrafo dos Correios, e nas décadas seguintes, o espaço tornou-se público. Foi ganhando outras funções como salão de baile, delegacia e transformado em teatro.

Esq. para dir: Guilherme Zerwes, Nice Nunes, Eliane Butin e Rodrigo Daura Brito em frente ao casarão Bento Silvério: amor pelo bairro – Anderson Coelho/ND

Antigo e o novo em harmonia

Eliane Butin, de 56 anos, presidente da Associação dos Moradores da Lagoa da Conceição, é carioca de nascença, mas há 11 anos, segundo ela, é “manezinha de coração”. Eliane faz parte de um grupo expressivo de pessoas de diversas partes do país e do mundo que escolheram o local para viver. “Esse conjunto de belezas naturais – lagoa, mar, dunas e mata – é indiscutivelmente maravilhoso e mágico, faz totalmente jus ao título Ilha da Magia atribuído à cidade”, revela a presidente.

A mescla entre culturas tradicionais – como a presença de rendeiras, de pescadores e dos pratos à base de frutos do mar – e a cultura cosmopolita com toda a sua diversidade gastronômica, que passa pelas cozinhas nordestina, peruana, italiana e asiática, também é um ponto forte e que atrai muitas pessoas.

Atualmente, novos grupos vêm escolhendo a região para morar, e “é cada vez maior a presença de brasileiros vindos do Norte e do Nordeste do país que se mudaram para a localidade, assim como os imigrantes do Haiti, da Venezuela e da Síria. Inclusive, é aqui na praça que acontece com frequência a Feira dos Imigrantes, e sem dúvida, a Lagoa da Conceição é como uma mãe que abraça todos os povos”, destaca Butin.

Com o intuito de agregar todos os comerciantes, a comunidade local e os turistas, em 5 de outubro ocorrerá o evento Viva a Lagoa, uma parceria entre a Amola, a Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) e a prefeitura que pretende fazer com que mais pessoas aproveitem e enalteçam as belezas da região, a cultura tradicional das rendeiras, do boi de mamão, da gastronomia e dos esportes praticados no bairro.

Entre as atividades de maior expressão estão os esportes náuticos. Rodrigo Daura Brito, de 47 anos, é dono da escola náutica Wind Center há 24 anos. Lá se pratica windsurfe, kitesurfe e stand up paddle e, segundo ele, turistas do mundo inteiro vêm para praticar esses esportes na Lagoa tanto pela beleza como pela segurança do local.

“O esporte náutico ainda não faz parte das culturas manezinha e brasileira, mas lá fora estrangeiros como americanos, alemães, franceses e israelenses ficam maravilhados quando chegam à Lagoa da Conceição. Por isso apesar da distância e da dificuldade de voos para Florianópolis, eles se organizam anualmente para vir para cá”, afirma Rodrigo. Inclusive, o tricampeão mundial de windsurfe, Kauli Seadi, praticava o esporte aqui na Lagoa da Conceição.

Amor pelo bairro e pelo esporte

Esq. para dir: Naito Silveira, Suzana dos Santos, Carmem Santos e o atleta Valmir Carvalho, organização e disposição para correr a disputa neste domingo (8) – Anderson Coelho/ND

O arquiteto e urbanista paulistano Guilherme Zerwes, 38 anos, também escolheu a Lagoa da Conceição para ser o seu lar. E para unir o seu amor pelo local e o seu conhecimento na área de sustentabilidade, ele também faz parte da Associação dos Moradores da Lagoa da Conceição. “Eu acredito no poder do coletivo para transformar o nosso bairro. Cada lugar tem uma característica, e percebo que a Lagoa ainda é um lugar de uso. Precisamos conscientizar as pessoas para que a Lagoa se torne um local que todos desejam frequentar e onde se sintam bem”, pontua Guilherme.

Naito Silveira, diretor técnico da Volta à Lagoa, destaca a importância do evento. “Essa prova é a mais antiga corrida de rua realizada na Capital organizada pela Acorj -SC (Associação dos Corredores de Rua de São José) e também é considerada uma das provas mais queridas pelos atletas por causa das belas paisagens e pelo amor à Lagoa da Conceição”.

A prova que será realizada neste domingo tem como um dos organizadores o maratonista Valmir Carvalho, de 59 anos, e hoje presidente da Acorj-SC. Ele figura entre os principais atletas do Brasil, com 64 maratonas no currículo, e em somente quatro delas não subiu ao pódio, uma marca invejável até mesmo fora do país. Além disso, somam-se ao seu currículo outras 560 vitórias em corridas rústicas.

Ele conta que antigamente havia menos corredores profissionais, mas que o desempenho era muito mais alto do que o atual. “Hoje, com a chegada das assessorias esportivas, iniciou-se um trabalho importante com um número expressivo de corredores de diferentes idades”, afirma o maratonista.

Valmir atualmente é treinador de corredores, entre os quais estão Suzana dos Santos, de 49 anos, que inicialmente corria na esteira e a partir do ano passado passou a realizar a prova de 10,5 km da Volta da Lagoa. “Correr na esteira é totalmente diferente, inclusive é mais fácil, entretanto, nada melhor do que praticar esporte desfrutando da paisagem. Eu me motivei tanto que no ano passado fiquei em terceiro lugar na prova”, revela Suzana, que pretende ganhar a disputa neste ano. Ela conta que a corrida também a ajudou a superar uma depressão.

O número de corredoras é cada vez maior tanto para melhorar a saúde e retardar o envelhecimento como para melhorar a autoestima. Carmem Santos, de 54 anos, tinha o hábito de caminhar na beira-mar norte, mas ano passado resolveu encarar a meia Maratona Vida e Saúde” realizada em São José, e neste ano irá correr os 4 km da Volta da Lagoa. “A corrida é para todo mundo que é saudável e tem disposição. Já dei até um par de tênis para a minha neta de 5 anos com o objetivo de incentivá-la a correr que nem a vovó”, conta Carmem, feliz da vida.

Camila Rodrigues (à dir.) e Felipe Cunha, protagonistas de “Topissima”, junto à direção executiva da rede, participaram de um jantar na sexta-feira (6) realizado pela RICTV Record – José Somensi/Divulgação/ND

Jantar

Os atores Camila Rodrigues (à dir.) e Felipe Cunha, protagonistas de “Topissima”, junto à direção executiva da rede, participaram de um jantar na sexta-feira (6) realizado pela RICTV Record. Acompanhados de quatro telespectadores de sorte, eles foram convidados do jantar de gala na Macarronada Italiana, restaurante referência da Capital. O evento teve ainda a presença de nomes da RICTV, como Marcelo Mancha e Raphael Polito, além de Deia Busato e Maria Lúcia, digital influencers catarinenses. Camila e Felipe Cunha também entregarão as medalhas para os vencedores da prova Volta à Lagoa, que será realizada neste domingo (8)

Inspira!