Namoro de Zé e Nena, uma paquera que começou na roda-gigante, está completando 55 anos

A ametista, uma variedade roxa ou púrpura do quartzo, é considerada pelos místicos a pedra da sabedoria equilibrada e humilde. Esta virtude, com certeza, vem marcando a vida em comum do casal José de Oliveira e Waltrudes Saramento de Oliveira. Zé e Nena, como são mais conhecidos, comemoram nesta quinta (19) 55 anos de união, com equilíbrio, humildade e o indispensável amor. A história destas bodas de ametista começa numa roda-gigante. Vamos a ela, pois.

Fabrício Porto/ND

Eles não têm mais as fotos do tempo de juventude, mas um painel mostra a ampla família

“Só eu e Deus”, recorda ele, sobre a mudança para Joinville

Segundo dos cinco filhos de uma família de lavradores, José, ou Zezinho para os pais e irmãos, nasceu – no dia 25 de fevereiro de 1935 – e se criou em Guamiranga, interior do município de Guaramirim. Ele conta: “Nossa família era pobre, sempre trabalhou para os outros, cultivando arroz, cana e outras culturas. Todos os filhos precisavam ajudar e aprendi cedo o valor do trabalho duro. Não tive muito estudo, e o pouco que aprendi foi quando trabalhei na casa de uma professora”. Ele, porém, sonhava um pouco além, e aos 21 anos deixou a casa dos pais, em direção a Joinville. “Foi só eu e Deus”, lembra emocionado, mas com a certeza de ter tomado a decisão certa. Morou em pensão, conseguiu emprego na Tupy, onde ficou nove anos, seguido de outros 19 na Consul. Aposentou-se em 1984 e continuou trabalhando, “fazendo uma coisa aqui, outra ali…”.

Rainha do Estrela e das domingueiras

Joinvilense, Waltrudes virou “Nena” ainda criança. Nasceu no dia 23 de junho de 1940 no bairro Vila Nova. É a única ainda viva da prole de sete filhos dos Saramento. Também teve vida dura: “Perdi minha mãe quando tinha sete anos, e fui criada pela família Boehm, lá mesmo na Vila. Com 17, vim morar com uma irmã no Centro, trabalhei numa fábrica de molhos e depois com um irmão. Gostava muito de dançar e cheguei a ser rainha do Estrela da Vila Baumer”.

Domingo no parque e um passeio na roda-gigante

Os caminhos de Zé e Nena se cruzaram num certo domingo, lá por 1958. O local: um parque de diversões, montado na esquina da Getúlio Vargas com Plácido Olímpio, onde hoje há um posto de gasolina. Conta Zé: “Fui com um colega de trabalho da Tupy, o Lolo. Pelas tantas, vi duas moças bonitas e uma delas olhou pra mim”. A versão dela: “Fui com uma amiga ao parque. Aí vimos um moreno bonito. Ele olhou pra mim, mas minha amiga garantia que foi pra ela. Até que ele deu uma piscada pra mim, me fez um sinal e fomos na roda-gigante”.

O primeiro encontro se resumiu a isso. “Naquele tempo – salienta Zé – namoro era coisa séria, precisava consentimento dos pais.” Pouco tempo depois, Zé foi convidado para a festa de batizado de um sobrinho do amigo Lolo. No mesmo dia, Nena abandonava a “domingueira” no Estrela. “Tava chato, aí resolvi sair e ir à festa de batizado de um sobrinho”, lembra ela.

O leitor já deve ter adivinhado: Nena e Lolo eram irmãos, e o sobrinho, claro, era o mesmo. Aí não teve jeito, começou o namoro, com o devido consentimento de todos os irmãos da moça. Casaram-se no dia 19 de junho de 1959, na catedral antiga, abençoados pelo monsenhor Sebastião Scarzello. Moraram um tempo no Bom Retiro, depois no Costa e Silva e há 20 anos vivem no Jardim Paraíso. Na próxima quinta, feriado de Corpus Christi, com certeza a casa estará cheia: sete filhos, respectivos genros e noras, 20 netos e 11 bisnetos estarão comemorando as bodas de ametista de uma história iniciada numa roda-gigante.

Bilhete para o eterno namorado

No dia da entrevista, 12 de junho, Nena passou ao repórter um bilhetinho endereçado ao Zé: “Foi muito bom te conhecer naquela tarde lá no parque. Aquele olhar está durando 55 anos. Esse amor tão verdadeiro resultou em sete filhos que são a razão do nosso viver. Parabéns, meu eterno namorado.”

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