Wilson Poit defende modelos de desestatização

Para o empresário, as dificuldades dos gestores públicos em realizar investimentos mostram a necessidade urgente de redução do Estado e abertura ao capital privado – e uma política de privatizações, concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). “É uma tendência inevitável nas grandes e médias cidades”, argumentou Wilson Poit, durante fala na ACIF, na última terça-feira (26). Suas experiências na Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias de São Paulo ilustraram a conversa e reforçaram o posicionamento da ACIF nesta matéria.

Considerado um empreendedor em série, Poit nasceu no interior de São Paulo, e se criou numa lavoura de café. Morando com a avó, na capital, graduou-se em engenharia elétrica e abriu diversas empresas. Só aos 40 anos teve sucesso com uma locadora de geradores, onde alcançou a liderança de mercado nacional e vendeu-a para a líder mundial do setor. Em 2002 foi selecionado como Empreendedor Endeavor e em 2013 teve as primeiras experiências na área pública, culminando com o cargo de secretário entre 2017 e 2018.

Para levar a frente o processo de enxugamento da máquina pública, interferiu em carteis e negócios dominados até por décadas por interesses corporativos. “Cemitérios, parques, mercados, terminais de ônibus, bilhetagens, centros de eventos, estádio de futebol e autódromo. A Prefeitura não pode sustentar estas estruturas (e o faz muito mal), enquanto tem escolas, creches e hospitais em péssimas condições”, observou. “Com a venda, as concessões ou as PPPs, é possível dar um choque de qualidade, gerar recursos para a Prefeitura e criar empregos”, resumiu.

“Em alguns casos as reações foram tão fortes que precisei de segurança pessoal, diante das ameaças”, lembrou. “A estratégia também envolveu muita negociação na Câmara de Vereadores e obstáculos vindos do Tribunal de Contas e do Ministério Público”.

Com toda esta bagagem, Poit deixou referências a serem replicadas em Florianópolis. Falou da privatização de centros de eventos como o Anhembi/SPTur; concessão do estádio do Pacaembu e do Mercado Santo Amaro e parcerias público-privadas na iluminação pública, limpeza urbana e educação. A criação de um fundo imobiliário é outra proposta paulista que pode ser repetida em todo o Brasil. “Começamos com dois mil imóveis e podemos chegar a 35 mil, pois o desconhecimento do patrimônio público é muito grande e as possibilidades de gerar renda para a municipalidade são imensas”, explicou.

Rodrigo Rossoni, presidente da ACIF, espera que o conhecimento compartilhado por Wilson Poit contribua na adoção de políticas de inclusão da iniciativa privada na atuação em áreas onde tem competência e libere o Estado a investir naquilo que é de sua responsabilidade primária – saúde, educação, habitação e segurança. “A ACIF quer apoiar os agentes públicos nesta temática para se sentirem motivados a agir’, finalizou.

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