Alana Maldonado e Ricardinho brilham na oitava edição do Prêmio Paralímpicos

A judoca Alana Maldonado e o jogador Ricardinho, do futebol de 5, foram os grandes destaques no Prêmio Paralímpicos, que foi realizado na noite desta quarta-feira no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Eles ganharam a premiação de “melhor atleta” e deixaram para trás grandes estrelas do esporte na principal celebração do esporte adaptado nacional.

“Foi um ano muito abençoado, com a sensação de dever cumprido. O objetivo foi alcançado em uma temporada que tive lesão, mas consegui me recuperar. Desde que entrei no judô, sonhava com esse momento e fiz história ao conquistar a primeira medalha de ouro paralímpica no Mundial de Judô. Agora, meu foco é os Jogos de 2020, em Tóquio, quando quero conquistar a primeira medalha de ouro feminina brasileira. Vou treinar muito para isso”, disse a judoca.

Alana Maldonado foi campeã mundial em Portugal, um feito inédito para o judô paralímpico nacional. Antes, já tinha ganhado a medalha de ouro no Open Internacional na Alemanha e no Brasil, e prata na Copa do Mundo na Turquia. Praticante da modalidade desde os quatro anos, ele foi diagnosticada com a doença de Stargardt aos 14, acabou tendo apenas 20% de sua visão, mas só entrou para o esporte paralímpico em 2014, na faculdade.

Ricardo Alves, o Ricardinho, é ala da seleção de futebol de 5 e neste ano foi campeão mundial na Espanha, com o Brasil, sendo o artilheiro da competição. Ele já foi eleito o melhor jogador do mundo duas vezes, em 2006 e 2014. Começou a praticar a modalidade aos 10 anos depois que um deslocamento de retina quatro anos antes já tinha comprometido sua visão. O jogador se emocionou ao ser apontado como o “melhor atleta masculino” de 2018.

“Foi um ano de ouro. Com minha equipe, disputei quatro competições e venci todas. No Mundial, fomos campeões, fiz gol na final, fui artilheiro e melhor jogador. Estou bastante feliz e já vamos pensar no próximo ano, quando teremos Copa América e o Parapan em Lima. E em 2020, temos de defender nossa medalha de ouro nos Jogos de Tóquio”, afirmou Ricardinho.

O Prêmio Paralímpicos marcou o encerramento de uma temporada vitoriosa do esporte brasileiro, mesmo sem realização de Mundiais das duas principais modalidades, natação e atletismo. Mesmo assim, o Brasil obteve cinco medalhas de ouro e 19 pódios nas 17 modalidades que tiveram Mundiais em 2018.

“Tivemos conquistas inéditas, como o ouro no ciclismo e o bronze no goalball feminino. Também ganhamos medalha de prata no tênis de mesa. Foi um ano muito positivo, com pódios importantes”, explicou Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Ele contou ainda que o CT Paralímpico funcionou em sua plenitude, com 260 competições no ano e a presença de quase 20 mil atletas utilizando sua estrutura. “Inauguramos aqui o CT de formação paralímpica para crianças, fizemos o Festival Paralímpico em 48 cidades e aprimoramos a governança de nossa entidade. Foi um ano bem positivo e coroamos esses feitos com essa festa aqui na nossa casa”, continuou.

A festa contou com mais de 500 pessoas e foi organizada pelo CPB. A oitava edição do evento teve como ponto alto a homenagem a Andrew Parsons, que ganhou o Prêmio Aldo Miccolis, dado para quem dedicou sua vida ao esporte paralímpico. O dirigente foi presidente do CPB de 2009 a 2017 e atualmente comanda o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) e é membro do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Já na votação do público, quem ganhou a disputa de Atleta da Galera foi Igor Barcellos (bocha), que desbancou André Rocha (atletismo) e Evellyn Ramos (natação). Ele recebeu 44,4% dos votos e festejou sua temporada, quando foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira. O atleta nasceu com paralisia cerebral decorrente da falta de oxigenação no parto e descobriu o esporte ao assistir aos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016.

Confia o melhor de cada modalidade:

Atletismo – Petrúcio Ferreira

Basquete em CR – Marcos Sanchez

Bocha – Maciel Santos

Canoagem – Igor Tofalini

Ciclismo – Lauro Chaman

Esgrima em CR – Jovane Guissone

Esportes de Neve – Cristian Ribera

Futebol de 5 – Ricardo Alves

Futebol de 7 – Evandro Gomes

Goalball – Leomon Moreno

Halterofilismo – Mariana D’Andrea

Hipismo – Rodolpho Riskalla

Judô – Alana Maldonado

Natação – Daniel Dias

Parabadminton – Vítor Tavares

Parataekwondo – Débora Menezes

Remo – Diana Barcelos e Jairo Klug

Rugby em CR – José Raul Schoeller

Tênis de mesa – Cátia Oliveira

Tênis em CR – Ymanitu Geon

Tiro com arco – Jane Karla

Tiro esportivo – Geraldo von Rosenthal

Triatlo – Jessica Ferreira

Voleibol sentado – Wescley Oliveira

Melhor técnico individual

Denilson Lourenço (Judô)

Melhor técnico coletivo

Alessandro Tossim (Goalball masculino)

(Paulo Favero, São Paulo)

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