Após bronze em Lima, catarinense Rudolph Hackbarth cobra melhorias no handebol brasileiro

Nascido em Blumenau, Rudolph Hackbarth começou jogar handebol aos oito anos de idade, ainda no colégio. O blumenauense afirma que sempre gostou de praticar todos os esportes, mas um professor em especial, Robson Cesar de Souza, foi o principal incentivador para seguir no handebol. “Ele sempre me incentivou muito por eu ser canhoto, dizia que isso era um diferencial e deveria seguir no esporte”.

Catarinense de Blumenau, Rudolph Hackbarth integra a seleção brasileira principal desde 2017 – Divulgação/ND

A carreira profissional de Rudolph começou ainda na região do Vale do Itajaí. Depois de jogar pelo time do colégio, o atleta passou a fazer parte do time da cidade, que o fez chegar até a seleção brasileira de base. Depois, o ponta jogou pelo time de Itajaí e em seguida representou o time de Londrina, no Paraná. Mas, foi em 2016, quando o atleta foi contratado pelo Esporte Clube Pinheiros que sua carreira decolou.

“No Pinheiros, onde fiquei por três anos e meio, foi que a minha carreira alavancou de vez. Pelo clube eu comecei a integrar a seleção brasileira desde o ano de 2017”, afirma o atleta.

Pan de Lima

Depois da histórica campanha no Mundial da modalidade, realizado em janeiro na Alemanha e Dinamarca, a seleção brasileira chegou como a grande favorita para a medalha de ouro no Pan 2019. No mundial a seleção encerrou na 9ª colocação, garantindo a melhor classificação na história e se enchendo de expectativas para alçar voos mais altos.

No Pan, entretanto, a decepção foi grande. A seleção não fez um bom torneio e acabou eliminada pelo Chile nas semifinais, tendo que se contentar com a medalha de bronze.

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“Acho que no todo, o Pan não foi um bom campeonato. Não foi só a partida contra o Chile, mas o torneio em geral de toda a seleção foi muito ruim. Muita coisa poderia ter sido melhor. A preparação para o torneio, o nosso rendimento, a gestão da CBHb (Confederação Brasileira de Handebol). Foi uma junção de fatores que acabou gerando esse resultado ruim”, desabafou o atleta.

Além do favoritismo, a derrota foi frustrante para os brasileiros porque o título em Lima seria a maneira mais fácil de a seleção conseguir garantir a vaga para as Olimpíadas de 2020 em Tóquio. Agora, o Brasil vai ter que torcer para uma combinação de resultados e esperar cinco meses para saber se terá o direito de disputar o torneio Pré-Olímpico em 2020.

Os campeões continentais garantem vaga nas Olimpíadas e as vagas restantes são disputadas em um torneio Pré-Olímpico que reúne as vice-campeãs continentais e as seis melhores equipes do Mundial ainda não classificadas para a Olimpíada pelos campeonatos continentais. Como ficou em 9º lugar no Mundial, o Brasil terá que torcer para que o Egito vença o Campeonato Africano e que o classificado pelo Campeonato Europeu seja Noruega, França, Alemanha, Suécia, Croácia ou Espanha para herdar uma vaga no torneio que acontece em abril de 2020.

“Participar das Olimpíadas é um sonho que a gente ainda tem então a participação no Pan foi muito frustrante. Mas a gente não podia se abalar e tinha que se reerguer. No dia seguinte (da derrota para o Chile) tínhamos a disputa da medalha de bronze contra o México e o Brasil estava em disputa direta com o México no quadro geral de medalhas. Era uma vitória muito importante para o país e para o COB então a gente tinha que ganhar mesmo não sendo o que a gente buscava e sonhava”.

Futuro incerto

Recém contratado pelo Club Balonmano Ciudad de Logroño, da Espanha, o futuro de Rudolph em seu clube contrasta com o futuro da seleção brasileira.

Em participação frustrante no Pan, Brasil ficou com a medalha de bronze e se complicou na corrida por uma vaga nas Olimpíadas – Divulgação/ND

Pelo clube, uma potência do handebol espanhol, a liga nacional se inicia no dia sete de setembro e ainda há a disputa da Copa do Rei e da Copa Europeia nesta temporada. “Temos uma expectativa muito boa para essa temporada, eu acabei de chegar, mas o time é muito forte, ficou em 3º lugar no campeonato espanhol e agora temos o campeonato continental”.

Os próximos passos da seleção brasileira, entretanto, ainda são incertos. Apesar da histórica campanha no Mundial, no início do ano, o treinador Washington Nunes não resistiu a campanha aquém das expectativas no Pan de Lima e acabou sendo demitido.

“Agora não sabemos como vai ficar nossa preparação com a seleção brasileira. Demitiram o treinador após o Pan então a gente está esperando para ver quem assume para ver qual vai ser o planejamento. A princípio a seleção ia se reunir em outubro e em dezembro para pelo menos treinar e se preparar para uma possível disputa do Pré-Olímpico, agora que estamos sem treinador está essa indefinição”, relatou o ponta da seleção brasileira.

Liga nacional fraca prejudica o handebol nacional

O handebol brasileiro alcançou resultados fantásticos nesta década. Além da melhor classificação da seleção masculina em um Mundial, a seleção feminina conquistou um inédito e surpreendente título Mundial em 2013. Entretanto, os ótimos resultados pouco contribuíram para o desenvolvimento do esporte em território nacional.

“O maior problema para o desenvolvimento do handebol no Brasil é que temos poucos times bons, não tem estrutura. Atualmente temos apenas dois clubes profissionais (Pinheiros e Taubaté) e os outros ficam à mercê, só se mantêm para jogar as competições. Então fica uma liga fraca e os atletas acabam buscando uma alternativa fora do país”.

Hackbarth acha que falta apoio e principalmente estrutura para o desenvolvimento da modalidade – CBHb/Divulgação

Hackbarth ainda afirma que há pouco incentivo para o desenvolvimento do handebol e que a gestão da CBHb precisa melhorar bastante para a liga nacional atingir um nível mais alto e impactar no real desenvolvimento da modalidade.

“Com um nível mais alto e uma gestão melhor acaba tendo mais visibilidade e as empresas começam a investir no esporte, acabando dando um apoio e incentivo na base, no início da formação. Isso acaba formando mais atletas e com um nível mais alto”.

Apoio à modalidade

Para o atleta, falta bastante apoio do CBHb para um maior desenvolvimento. Atualmente quem mais dá suporte para o handebol nacional é o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), mas mesmo assim, o apoio diminuiu bastante depois das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

“O ciclo olímpico do Rio de Janeiro foi muito bom em termos de apoio, tinha dinheiro, tinha estrutura e tinha um treinador estrangeiro (o espanhol Jordi Ribera) que montou um projeto muito legal que ajudou muito os atletas no Brasil a se desenvolverem. Mas, infelizmente, depois das Olimpíadas foi tudo embora e ficamos sem o apoio”, relatou Hackbarth.

Rudolph ainda afirma que ao menos, apesar de não melhorar a estrutura interna, os bons resultados obtidos na década abriram as portas para jogadores brasileiros atuarem em ligas estrangeiras, sobretudo na Europa, e isso contribuiu para melhorar o nível do jogo brasileiro.

“Os bons resultados só aconteceram porque os atletas brasileiros foram muito para o exterior e melhoraram o nível de jogo. Consequentemente, a seleção também melhorou o seu nível. O que ficou mais fácil com os bons resultados foi que os atletas começaram a ir para a Europa e assim nós conseguimos jogar em um nível mais alto, mas o apoio e estrutura interna não”, finalizou Hackbarth.

Pan 2019