Apresentações de reforços viram mero protocolo para Avaí e Figueirense

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O futebol pós-moderno, embora exista quem abomine, trouxe uma série de benefícios para o jogo. Além da profissionalização dos setores, atualmente já conta com a tecnologia em nome de um rendimento mais justo. A reboque de funções essenciais – como o árbitro de vídeo e o chip na bola, por exemplo – algumas condições ao redor do espetáculo fazem parte de uma realidade que vem tornando o futebol mais “sisudo” e acaba levando, junto da perda de interesse, os mais saudosistas a loucura.

Um modelo prático dessa mutação é a apresentação de reforços nos clubes. Houve uma época em que a possibilidade de “apresentar” um jogador era a chance de ligar o reforço à torcida, existia toda uma aura ao redor daquele que poderia ser o salvador – ou o cabeça de bagre – de uma temporada.

Coletiva de apresentação do meia Andrigo – John Léo/ Figueirense

Florianópolis, em um outro tempo, viu Marquinhos Santos desembarcar de helicóptero no Sul da Ilha para delírio dos fãs. Sabastián “El Loco” Abreu foi outro nome, mas no Alvinegro, a despertar a curiosidade dos torcedores mais fanáticos. Fora outros exemplos Brasil à fora, onde as mais variadas formas foram usadas para conectar o “astro” ao seu torcedor.

Em 2013 o Cruzeiro anunciou o zagueiro Dedé em um caixa de supermercado. O mesmo Cruzeiro, um ano depois, usou um carro-forte para apresentar o meia-atacante Júlio Baptista depois de anos na Europa, onde recebeu a alcunha de “La Bestia” (A Fera). Leandro Damião, também em 2014, foi contratado pelo Santos junto ao Internacional e foi apresentado como maquinista de um vagão – em mais uma ação de marketing do clube praiano.

Todos exemplos de uma época e uma medida que não voltam mais. Figueirense e Avaí, em 2019, contrataram mais de 40 jogadores. Em alguns casos os atletas foram “apresentados” mesmo depois de semanas treinando com os companheiros. O centroavante Brenner, no Avaí, foi apresentado oficialmente depois de ter estreado com a camisa azurra.

Para o colunista Fábio Machado trata-se de um processo que vai deixando, o que antes era um evento, algo “comum”: “Com o tempo as apresentações dos jogadores, que eram quase que uma solenidade, foram virando algo comum”, relembrou.

Rotina do futebol

Para o chefe da comunicação do Figueirense, Bruno Ribeiro, trata-se de um processo de “rotina” no futebol. O Alvinegro, no entanto, adota a premissa de anunciar somente “depois de ter o contrato assinado”.

Em contato com o Avaí, até a publicação da matéria, a reportagem não havia obtido resposta de uma versão azurra dessa tendência.

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