Arana revê o Atlético-PR e faz até promessa por título do Corinthians

Jovem lateral volta à Arena da Baixada para enfrentar o clube no qual esteve emprestado por menos de dois meses. Ao LANCE! ele fala sobre fé e o momento vivido no Timão

Guilherme Arana é um homem de fé. Católico fervoroso, o lateral-esquerdo do Corinthians se apoiou na crença religiosa para alcançar o sonho de se tornar jogador de futebol e enfrentar as dificuldades da vida, e é nela que confia também para buscar o título brasileiro. Se o técnico Tite afirma que não faz orações pedindo por vitórias, com o jovem de 18 anos já é diferente. Ele não só reza, como até faz promessa pelo título brasileiro.

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o garoto de 18 anos exibe tatuagens de imagens religiosas, mostra com orgulho uma pulseira de Nossa Senhora Aparecida que recebeu do treinador alvinegro (para afastar as lesões), mas se recusa a falar a promessa que fez pelo hexa do Timão.

– É segredo (risos) – brincou, antes de ser questionado se vale fazer promessas para ganhar títulos:
– Vale, pô! Faço bastante promessa, para abençoar, não machucar e dar tudo certo. E sempre trabalhando. Sem esforço nada vem, não adianta só pedir – declarou ao LANCE!.

Neste domingo, Arana pedirá bênçãos em mais uma partida como titular do Corinthians. O adversário será especial. Às 16h, na Arena da Baixada, o ala reencontrará o Atlético-PR, clube que defendeu por três jogos neste Brasileirão. Emprestado ao Furacão para pegar experiência, o lateral ficou menos de dois meses em Curitiba e voltou às pressas ao Timão por conta da venda de Fábio Santos.

Embora o tempo no Atlético-PR tenha sido curto, o garoto afirma que aprendeu muito no clube e que fez amigos no Paraná. Mesmo assim, a volta ao Corinthians foi comemorada. Depois de dez anos na base alvinegra, ele finalmente teria chances.

Porém, a estreia de Arana foi de uma forma que ele jamais poderia imaginar. Minutos depois de substituir Uendel, em partida contra o Sport, o garoto falhou duas vezes e viu os pernambucanos empatarem o duelo. Contudo, no fim do confronto veio a redenção. O garoto sofreu o pênalti que originou o gol da vitória.

– Após o erro passou um filme na minha cabeça. Pensava: “Justo na minha estreia não pode acontecer isso, tenho que reagir”. Consegui o pênalti e comecei a vibrar como louco, foi um momento especial dar a volta por cima na estreia.

Depois disso, ele atuou em mais seis oportunidades, cinco como titular, e caiu nas graças de Tite.

E Arana não só tem amuletos, como também acabou tornando-se um. Com ele em campo, o Timão ainda não perdeu – cinco vitórias e dois empates. Não dá para discordar: o santo do garoto é forte!

– ‘Pipeiro’ na infância, ala se inspira em Alba

Nascido e criado em Sapopemba, bairro carente de São Paulo, Guilherme Arana não tinha o futebol como único hobbie na infância. Na verdade, a bola ficava até em segundo plano quando o garoto avistava uma pipa no ar. O passatempo dura até hoje. O lateral-esquerdo aproveita os momentos livres, sobretudo nas férias, para se divertir na laje de casa.

– Fico empinando pipa o dia inteiro, minha mãe fica louca. Não moro mais em Sapopemba, mas sempre estou lá visitando o pessoal da minha rua, até porque minha namorada mora ali também – contou.

O futebol, contudo, não se tornou apenas a profissão de Arana, que gosta de acompanhar jogos de outras equipes do Brasil e do mundo pela televisão. Tanto é que a sua maior inspiração joga na Espanha. Não se trata de Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar, mas sim de Jordi Alba, lateral do Barcelona.

O ala corintiano diz que costuma ver o Barça e outras equipes atuando até como uma forma de estudo.

– O Alba é um cara que vai bem tanto na parte ofensiva, como na defensiva. Um cara rápido, ágil e habilidoso, gosto de vê-lo – comentou.

– Bate-bola com Guilherme Arana, lateral do Corinthians, ao LANCE!:

Você sempre jogou como lateral-esquerdo ou quando criança se arriscava em outras posições?
Eu brincava no ataque quando pequeno. Virei lateral desde que entrei no Corinthians, com oito anos. O técnico falou que atacante já tinha muito, se eu quisesse ficar teria que fazer a lateral. No começo estranhei, mas aos poucos fui gostando também. Primeiro era ala esquerdo, no futsal. Aí fui para o campo na lateral. Depois disso, nunca mais larguei.

Você entrou no clube muito cedo. Chegou a pensar em fazer outra coisa além de jogar futebol?
Sempre acreditei que seria jogador. Coloquei na minha cabeça que poderia virar alguma coisa, minha família e meus amigos também me ajudaram. Nunca passou pela minha cabeça ter outra profissão. Minha mãe sempre me incentivava, devo todas minha vitórias a ela, pois não era fácil antes, quando tinha que pegar vários ônibus para jogar e treinar longe. Passei um período difícil, via garotos da minha idade saindo, se divertindo, e eu tinha que treinar. Mas valeu a pena.

Como foi a curta passagem pelo Atlético-PR? Aquilo te ajudou?
O primeiro jogo do Brasileiro que fiz foi lá. Foi um aprendizado muito bom. Me ajudou bastante a ida para lá, aprendi como é o dia a dia em outros clubes. Quando vim para cá tinha mais experiência, não senti tanto.

Você já realizou o sonho de se tornar jogador. Qual o próximo?
O sonho de todo jogador é com a Seleção Brasileira, mas sei que ainda está cedo. Vou continuar trabalhando forte. Espero que num futuro próximo eu consiga ser convocado. Acompanho também muitos jogos na Europa, quem sabe daqui uns anos esteja lá. Minha cabeça é voltada no Corinthians, vou sempre trabalhar ao máximo para no futuro colher.

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