Ataíde chama Aidar de corrupto e promete mostrar gravação: ‘Vou até o fim’

Vice-presidente de futebol do São Paulo bate forte em ex-presidente e promete seguir com investigações. Dirigentes chegaram a brigar em hotel na capital paulista

Divulgação

O vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, disse neste domingo que não vai se contentar com a saída de Carlos Miguel Aidar da presidência e vai até o fim no processo de apuração das suspeitas de corrupção do ex-presidente. Antes da partida contra o Vasco, no Morumbi, Ataíde falou grosso, chamou por diversas vezes Aidar de corrupto e prometeu entregar nesta segunda-feira a fita em que diz ter gravado o ex-mandatário admitindo irregularidades.

– Quero dizer que a fita será entregue ao presidente do Conselho Deliberativo e eu vou até o fim. Todo mundo que estiver envolvido. Vou entregar amanhã, inteira, não tem razão por você mexer na fita e se você mexe, ela perde valor. Vou até o fim no processo contra o Aidar, porque ele agiu com muita desonestidade contra o São Paulo, e eu fazia papel de bobo como vice-presidente, porque eu não encontrava a prova. E embora eu tivesse declarações por e-mail dele, sem nenhuma explicação das coisa… Até que ele acabou confessando – disparou Ataíde, no saguão do Morumbi.

Ataíde também falou sobre o caso do zagueiro Iago Maidana, que está sendo investigado pela CBF. O dirigente disse que o episódio trouxe lama ao São Paulo e que está claro de que houve corrupção da parte de Aidar. Pela negociação, que utilizou o Monte Cristo-GO como ponte, o Tricolor pode ficar impedido de contratar jogadores.

– Maidana é uma besteira muito grande. O Iago foi uma coisa maluca, eu estava no Rio de Janeiro, quando ele fez a negociação de um jogador que viria de graça. Ele comandou os funcionários do clube e fez diretamente sem eu participar. Depois de ceder ao Conselho, vou mostrar a vocês o e-mail em que ele diz que não tenho absolutamente nada com isso, que ele fez a negociação isolada. Essa só pode enlamear o nome do São Paulo. Embora estejam dizendo, juridicamente, que o clube terá problemas com o STJD, não, foi normal com o clube de Goiás. Não negociou nada com Itaquerão, mas a forma que chegou mostra que houve corrupção no meio – declarou o vice.

O vice-presidente de futebol, que voltou ao cargo com Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, após ser destituído por Aidar, ainda usou o termo corrupção quando se referiu ao contrato com a Under Armour. O dirigente se refere ao termo que iria comissionar Cinira Maturana, namorada do ex-presidente, em R$ 6 milhões. Segundo ele escreveu no e-mail, Aidar admitiu o acordo que favorerecia a amada.

– Também tinha uma cópia de um contrato no qual ele ganhava dinheiro na negociação com a Under Armour. É uma cópia sem assinatura. Ele diz que não assinou, mas é corrupção da mesma maneira, porque ele confessa na gravação: “Eu tentei de todas maneiras conseguir a comissão, mas a Under não assinou”. Isso é o que ele disse. O presidente do clube e pede R$ 6 milhões para fazer uma negociação, é corrupção – afirmou.

Como já tinha escrito em e-mail direcionado a Aidar logo depois que agrediu o ex-presidente num hotel na capital paulista, Ataíde disse que começou desconfiar após negociações feitas sem sua participação. Ele citou os casos do lateral-direito Douglas, vendido ao Barcelona, o volante Wesley, comprado do Palmeiras, e do volante Denilson, vendido ao Al Wahda.

– Eu tinha três casos que me preocupavam: negociação do Wesley, que ele fez tudo e sem nenhuma participação, na do Denilson, que entrou um pedido de comissão na última hora de um empresário, que eu desconfiava do que estava acontecendo. Essas foram as que mais me preocupavam e mostravam coisas fora dos parâmetros corretos. Mas você não consegue as provas. Corre, procura e não conseguia nada. Eu estranhava a presença de alguns empresários e desconfiava da atuação dele e do Aidar. Quando eu perguntei, ele negou. Não tinha provas. E não pode deixar palavra contra palavra em algo grave assim. Então, decidi fazer um ato fora das regras normais. Forcei ele numa conversa, e a do Douglas também foi muito confusa. E nessa conversa puxei e ele falou o que me interessava – definiu Ataíde.

Ataíde deve entregar a fita completa a Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que acumula as presidências do clube e do Conselho Deliberativo desde a saída de Aidar. Vale lembrar que Leco já tinha dito que ouviu a gravação, a considerou grave, mas em sua primeira entrevista como presidente interino afirmou que só ouviu parte dela.

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