Carateca Douglas Brose deixa medalha do Pan 2019 para trás e persegue sonho Olímpico

O carateca Douglas Brose é gaúcho, natural de Cruz Alta, mas manézinho de coração. Hoje com 33 anos, o multicampeão, agora catarinense, conta que se mudou para Florianópolis com apenas cinco anos, tendo poucas lembranças de sua cidade natal. De sorriso fácil, e dono de quatro medalhas em Jogos Pan-Americanos – bronze em 2007 e 2011, ouro em 2015 e prata em 2019 – Douglas agora quer deixar para trás a medalha conquistada na última semana e ir atrás de seu maior sonho, as Olimpíadas de Tóquio em 2020.

Douglas conquistou sua 4ª medalha em Jogos Pan-Americanos em Lima – Anderson Coelho/ND

A relação de Brose com o caratê vem de muito cedo, desde os sete anos quando começou a praticar junto com seu irmão mais velho. Os primeiros golpes foram dados na ASTEL (Associação Esportiva e Social de Florianópolis) e logo depois os treinos passaram a acontecer no colégio Tradição, localizado no bairro Trindade, onde Douglas estudava e começou a disputar suas primeiras competições.

Antes de o caratê se tornar um esporte olímpico – irá fazer parte dos Jogos pela primeira vez em Tóquio 2020 – o atleta conta que os apoios e incentivos eram muito mais difíceis, e o suporte que recebeu no estado de Santa Catarina acabou estreitando ainda mais os seus laços com o lugar.

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“Eu tive durante muito tempo um bom apoio do Estado, foi o que me fez conseguir muitos títulos. Chega um momento que você começa a competir muito e começa a ter muitos gastos, principalmente com viagens. Quando começam as viagens internacionais, são 10, 12 etapas de Liga Mundial por ano então cada viagem que você faz para a Ásia ou Europa é muito caro. Durante um bom tempo eu tive o apoio do governo do Estado, tive apoio da própria fundação de Florianópolis que eu ainda tenho, e da Prefeitura. Agora tenho o apoio do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que praticamente banca todas as nossas viagens, do Governo Federal e das Forças Armadas, onde sou terceiro sargento”, afirmou o atleta.

Corrida Olímpica

Depois de algumas semanas de bastante tensão e mais de 20 dias de concentração, Douglas está usando esta semana para descansar, aproveitar a família e sair um pouco do clima de competição. Mas na próxima semana, os treinos já voltam com tudo vislumbrando a classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

No dia sete de setembro, o atleta já participa de uma etapa da Liga Mundial no Japão. Depois já emenda outras etapas no Chile, na Rússia e na Espanha, com uma diferença de uma a três semanas de uma etapa para outra.

Brose atualmente ocupa a 12ª posição no ranking Olímpico, que classifica os quatro melhores colocados para as Olimpíadas de Tóquio – Anderson Coelho/ND

Um bom desempenho nas etapas da Liga Mundial é essencial para que Brose carimbe seu passaporte para as Olímpiadas. O atleta possui dois caminhos para garantir esta classificação. Uma é através do ranking olímpico – leva em consideração os resultados obtidos nas etapas da Liga Mundial, no campeonato continental e no pan-americano, classificando os quatro melhores colocados – que Douglas ocupa atualmente a 12ª colocação, e a outra é através do torneio Pré-Olímpico que será realizado de oito a 10 de maio de 2020, em Paris,

“Tóquio 2020 é o sonho, é o que a gente sempre buscou então a gente está nessa corrida Olímpica. Essa corrida é uma loucura porque ela não para, então tem mais 10 competições. Desde setembro do ano passado já está tendo competição que classifica. A ideia é fazer um bom trabalho em Tóquio, um bom espetáculo em Tóquio pra que as pessoas e o COI (Comitê Olímpico Internacional) vejam e aquilo encha os olhos para garantir o caratê também nas Olimpíadas de 2024, uma vez que ainda não está confirmado e por enquanto ainda está fora”.

Da água para o vinho

Douglas Brose enxerga uma mudança “da água para o vinho”, como ele mesmo diz, em relação ao apoio que o caratê recebe depois que se tornou um esporte Olímpico.

Anteriormente, o apoio do COB já existia, mas era algo muito mais esporádico, a realidade mudou complemente para Brose depois que a modalidade foi confirmada para Tóquio 2020.

“A gente não tinha um apoio dessa magnitude, depois que o caratê virou Olímpico, mudaram completamente os apoios. Hoje, logicamente não são para todos, mas os atletas que estão mais bem ranqueados, como é o meu caso, no ranking mundial tem apoio 100% para estar em todos os eventos, competições e treinamentos com muito profissionalismo”.

Douglas começou a praticar caratê aos sete anos de idade, junto com seu irmão mais velho – Anderson Coelho/ND

O carateca afirma ainda que com a “chancela Olímpica” muitas portas se abrem. Hoje, além do apoio do COB, os atletas também podem contar com incentivos do Governo Federal em programas como o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, além do programa de alto rendimento das Forças Armadas, criado em 2008 para captar atletas de alto rendimento através de editais públicos.

Na visão de Douglas, o que ainda falta para o caratê crescer ainda mais, apesar das excelentes mudanças e progressos que aconteceram nos últimos anos, é o incentivo privado, que ainda é muito difícil de se conseguir.

Para o atleta, o investidor privado busca um retorno mais pontual de mídia e de vendas de produto e os esportes que não possuem tanta visibilidade, como ainda é o caso do caratê, acabam encontrando dificuldades para fechar esse tipo de parceria.

O caminho apontado pelo multicampeão é a profissionalização do esporte. Quanto mais atletas, clubes e confederação se tornarem profissionais, mais credibilidade o esporte terá. Através dessa profissionalização, se tornar mais fácil popularizar o esporte e vender o produto.

“O caminho é começar a divulgar cada vez mais o esporte. Profissionalizar ele e estar cada vez mais buscando e talvez utilizando de incentivos públicos para desenvolver o esporte em uma magnitude que abra para abranger televisão, internet e as competições sejam todas transmitidas, Isso cria um diferencial e faz com que o esporte se popularize e atraia mais investidores para as modalidades”.

Base de treino em Florianópolis

Antes das competições e viagens, Douglas costuma fazer todo o seu treinamento e preparação na cidade de Florianópolis. O atleta destaca inclusive, que o COB tem auxiliado bastante para manter o alto nível de performance e treinamento quando está em sua cidade.

Em setembro atleta começa uma maratona de etapas de etapas da Liga Mundial no Japão, no Chile, na Rússia e na Espanha – Anderson Coelho/ND

Para auxiliar nos treinamentos, o Comitê tem mandado muitos atletas de alto rendimento para treinar e dar apoio para Brose em Florianópolis mesmo, sem que o atleta tenha que sofrer com o desgaste de viagens para manter um alto nível de competitividade.

Além dos treinamentos na Ilha, o carateca complementa sua rotina com algumas sessões no Rio de Janeiro. Em determinadas competições, os atletas que representam o Brasil fazem a concentração dentro do centro de treinamento do Time Brasil, localizado na Barra da Tijuca.

Títulos de Douglas Brose

  • Pan-Americano de Karatê (2019)
  • Campeonato Brasileiro (2017)
  • Campeonato Pan-Americano Curaçao (2017)
  • US Open Las Vegas (2017)
  • Campeonato Pan-Americano Rio de janeiro (2016)
  • US Open Las Vegas (2016)
  • Jogos Pan-Americanos Toronto (2015)
  • US Open Las Vegas (2015)
  • Campeonato Pan-Americano Toronto (2015)
  • Campeonato Mundial Bremen (2014)
  • US Open Las Vegas (2014)
  • Campeonato Pan-Americano Lima (2014)
  • Jogos Sul-Americanos Santiago (2014)
  • US Open Las Vegas (2013)
  • Campeonato Sul-Americano Fortaleza (2013)
  • German Open Erfurt (2011)
  • Campeonato Pan-Americano Guadalajara (2011)
  • Campeonato Sul-Americano Montevidéu (2011)
  • Campeonato Mundial Belgrano (2010)
  • Jogos Sul-Americanos Medellín (2010)
  • US Open Las Vegas (2009)
  • Jogos Mundiais Kaohsiung (2009)

Pan 2019