Chapecoense espera 100 mil pessoas para velório coletivo na Arena Condá

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira (30), em Chapecó, a diretoria da Chapecoense falou sobre o estado de saúde das vítimas do acidente aéreo da última terça-feira, dos preparativos para o velório que deve ocorrer na Arena Condá e dos rumos do time a partir de agora. A expectativa é de que 100 mil pessoas compareçam ao estádio para o velório coletivo dos jogadores, dirigentes e jornalistas que morreram no acidente.

Dirigentes em coletiva na Arena Condá. - Daniel Queiroz/ND
Dirigentes em coletiva na Arena Condá. – Daniel Queiroz/ND

O dia do velório ainda não está definido, pois depende da liberação dos corpos da Colômbia, mas tudo indica que o evento seja nesta sexta-feira. Os corpos devem ser transportados da Colômbia até o Brasil por aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). A diretoria trabalha para que o velório seja feito no gramado da Arena Condá com todas as vítimas que morreram no acidente, mas será respeitada a vontade das famílias que queiram fazer velórios em outros lugares. Dos 19 jogadores que morreram, nenhum era natural de Santa Catarina. O velório deve durar algumas horas e, em seguida, os corpos serão liberados para as famílias.

De acordo com o último relatório divulgado pela Chapecoense, os três jogadores e o jornalista que sobreviveram ao acidente e ainda estão hospitalizados não correm risco de vida e devem ficar ainda mais 10 dias na Colômbia.

Uma equipe de médicos, enfermeiros e psicólogos estão desde ontem em Chapecó dando apoio às famílias das vítimas.  De acordo com os dirigentes, foram atendidas mais de 200 pessoas no clube ontem e todos os atletas têm seguro.

Os dirigentes agradeceram a ajuda de diversos órgãos, como Polícia Militar, Polícia Federal, Governo Federal, Governo de Santa Catarina e o Governo Colombiano, que têm tornado todo o processo agilizado.

De acordo com o vice-presidente jurídico do time, Luiz Antônio Palaoro, a escolha da companhia aérea para realizar o voo foi feita pela própria Chapecoense, sem interferência de qualquer entidade. “Essa empresa tinha tradição em transportar times de futebol, como fez com a própria seleção boliviana e argentina e vários outros times. Não tinha por que duvidar disso. Fizemos a primeira viagem a Barranquilla e deu tudo certo, então decidimos fazer com eles novamente. Eles tinham o know-how de transportar times de futebol”, afirma Palaoro.

Futuro do clube

Sobre a possibilidade de aceitar jogadores emprestados de outros times e disputar a última partida do Campeoanto Brasileiro com o Atlético-MG, os dirigentes declararam que vão aceitar qualquer tipo de apoio. “Nosso clube é um dos menores orçamentos do Brasil. Não somos um time de muita expressão no Brasil. Vamos precisar de muito apoio dos clubes e também da Rede Globo e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para reerguer o nosso time. Vamos começar tudo do zero. Não temos 11 jogadores para por em campo. Precisamos de muito apoio de todos os clubes”, afirmou o presidente em exercício Ivan Tozzo.

Em conversa com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, Ivan afirmou que o presidente sugeriu que o título da Copa Sul-Americana fosse dividida entre a Chapecoense e o Atlético Nacional. “Nosso clube estava muito organizado. Essas pessoas que faleceram eram vencedoras. Eu sei da vontade que eles tinham de ganhar esse título. O Chapecoense é a alegria de Chapecó e do Oeste catarinense. Tava todo mundo muito junto”, afirma ele, que desistiu de viajar com o time dois dias antes.

Nesta semana, os dirigentes estão focados em dar atenção às famílias das vítimas do acidente e, a partir da próxima semana, vão estruturar uma chapa para a nova diretoria do clube. Dentre as primeiras medidas, segundo o vice-presidente do Conselho da Chapecoense, Gelson Dalla Costa, estarão pedir à CBF a manutenção da Chapecoense na Série A do Campeonato Brasileiro pelos próximos três anos e solicitar à Rede Globo um aumento da cota de televisão. “Nosso clube está bem estruturado. Perdemos os atletas, a direção, mas o clube está bem estruturado. Nunca gastamos mais do que recebemos. Somos uma família bem organizada, com todas as decisões tomadas em conjunto. Para o ano que vem vamos precisar adquirir todos os atletas e vamos ter que começar praticamente do zero”, afirma Ivan.

Os dirigentes agradeceram a comoção internacional e as mobilizações feitas por torcedores e simpatizantes da Chape. Até o início da semana, o time tinha 9 mil sócios pagantes e, de ontem para hoje, mais de 13 mil pessoas de fora da Chapecó se inscreveram para se associar ao time e contribuir com a reestruturação do clube.

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