Clube de Florianópolis fomenta o vôlei para formar cidadãos e captar talentos

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Guto [ao fundo, de branco], observa o “padrinho” e levantador Marlon; técnico é o grande mentor do Projeto Saca Essa – Flávio Tin/ND

O motivo é um só: a paixão pelo vôlei. É ela, no entanto, que alimenta a ideia do Projeto Saca Essa voltado para formação de atletas da modalidade que cobra rendimento, mas foca prioritariamente em cidadãos. Ainda que não exista – sobretudo nos tempos atuais – um modelo ideal de predicados, é possível encontrar exemplos que sondam isso. Nesse caso, o levantador Marlon, 41, ex-seleção brasileira e atualmente no Sesc Rio personifica o sonho de centenas de atletas da Grande Florianópolis.

Trata-se de uma grande engrenagem. Vai do idealizador, passa pelo amor de jovens e adultos, a estrutura de primeira linha e um padrinho. Grosso modo é mais ou menos assim que funciona o projeto Saca Essa que atende extensa faixa-etária à AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) com sede em Coqueiros, na capital.

Guto Valle Pereira, 54, professor de educação física e técnico (nível três) é o mentor do traço, embora ele pondere sobre sua real meta. “O objetivo agora não é meu, é deles”, apontando em direção ao centro da quadra onde a turma do infantil realizava um aquecimento sob o olhar do padrinho Marlon.

O projeto, apesar de tamanha realidade, é recente. Fará, ao final de 2019, dois anos. “Nosso objetivo é formar atletas e cidadãos, acima de tudo. Para que tenham uma vida digna, vida do bem. Com conduta, orientação e educação, coisas que acabaram batendo com esse perfil do Marlon. A filosofia é baseada na vida dele”, explicou Guto que está há 32 anos na modalidade “que a gente gosta”.

Marlon planta exemplo e colhe empatia

Marlon, ao centro, fala para jovens sonhadores da modalidade – Flávio Tin/ND

Marlon transferiu-se, mês passado, para o Sesc, do Rio de Janeiro após duas temporadas atuando no Minas (MG).

O levantador é enfático e até se emociona ao descrever de maneira didática sua relação humana com, sobretudo, amantes da modalidade. A partir do convite do técnico no qual revela uma relação antiga no nicho, Marlon se descreve como um elo dentro desse mecanismo.

“Eu sou uma ferramenta para que ele fortaleça a filosofia dele e todos os critérios que são implantados com uma prática que vivo diariamente. Eles terão uma referência de um atleta de conduta, de sucesso”, detalhou.

Marlon, que marcou sua carreira pela liderança que empregou nas equipes, compartilha e comprova anos como capitão pode onde passou.  Também por isso revela um lado que, no fundo, admite mover toda e qualquer vontade de fazer o bem.

“A receptividade deles me emociona. O maior carinho é quando chego aqui e sou abraçado por eles. Os conhecidos e os que ouvem minha história. Isso é muito legal!”, antes de lembrar também questões técnicas: “Me procuram pra saber exercícios e movimentos que auxiliem na função de levantador, ou questões sobre liderança”.

Um fruto

A ciência comprova que a pratica leva à perfeição. E não trata-se somente a questão técnica, e sim de uma colheita que vai além do rendimento e alia isso ao amadurecimento.

“Antes de vir pra cá eu não sabia o que eu queria da vida, não tinha responsabilidade nenhuma, se eu tirasse nota boa ou nota ruim eu não me importava”, relembrou o jovem Lucas de Oliveira, 14, natural de Florianópolis, estudante do 9ª ano.

O projeto Saca Essa fez alguns alertas, sobretudo de vida. “Ao longo do ano eu comecei a me interessar no colégio, comecei ajudar em casa, tratar minha família e amigos com respeito”, admitiu o jovem que já mira à vida de atleta do voleibol de maneira profissional olhando o Padrinho.

“É uma inspiração, não só para mim, mas para todos do projeto. Desde que ele veio aqui já sentimos toda essa inspiração que ele representa”, finalizou.

Lucas de Oliveira, com a bola, é apontado como um futuro promissor e é exemplo do efeito do esporte – Flávio Tin/ND

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