Com uma mulher como treinadora, Desterro Rugby quebra paradigmas no campeonato brasileiro

Há quem ainda desconfie e até ouse contestar, mas lugar da mulher é onde ela quiser. É nessa linhagem que Lariane Pruner, 28 anos, reforça a tese e quebra paradigmas ao aparecer como treinadora do Desterro Rugby, representante catarinense na liga nacional da modalidade. Ela é a única representante do sexo feminino no comando técnico de uma equipe no País, desacredita a condição do esporte como “violento” e quer o Desterro na próxima fase da competição.

Há um segundo questionamento que Lariane tira de letra, toda vez que indagada: “O rugby é um esporte de evasão e não de contato, apesar de todo mundo achar isso”. É uma explicação técnica para resumir a dinâmica de um esporte que, se no Brasil é novato e avança aos poucos, ao redor do planeta é consolidado.

Lariane Pruner, treinadora do Desterro Rugby – Flavio Tin/ND

“Tu não bate, tu derruba. Mesmo assim tem uma regra. Não pode derrubar do peito para cima, por exemplo, que aí o atleta está passível de punição. É um jogo agressivo, não é um jogo violento”, explicou a treinadora.

A paixão ao redor da prática é um dos grandes fomentadores da própria modalidade. Lariane usa uma analogia para explicar seu ingresso dentro do esporte que, segundo ela, quer viver para o restante dos seus dias.

“Eu sou bem viciadinha, foi lá em 2012 quando estava treinando em uma academia funcional e surgiu a oportunidade de eu treinar. A gente fala que você foi picado pelo mosquito do rugby, um mosquitinho que pica e acabou. É um vício que não te livra mais”, brincou Lariane que é profissional de educação física e natural de Brusque, no Vale do Itajaí.

De maneira mais didática, revela que há uma expressão que serve de esqueleto para elucidar e ensinar o esporte, o “DRIPS”: Disciplina, Respeito, Integridade, Paixão e Solidariedade.

O primeiro questionamento, retomando o tema abordado ainda no segundo parágrafo, leva em conta a presença de uma mulher em um esporte supostamente apontado “para homens”. Lariane lembra que são incontáveis os questionamentos nesse sentido e que, sempre que abordada, usa da técnica da pergunta até que a pessoa em questão desista.

“Eu pergunto o porquê. É esporte para homens, ah é, porque? Sim, mas porque? E assim eu vou até a pessoa desistir e ver que não faz sentido”, sorriu a educadora física.

Desafio em curso

No início do ano de 2019 Lariane foi convidada a condição de técnica do time principal do Desterro Rugby. Antes de aceitar a proposta, refletiu sobre o que descreveu como “desafio” uma vez que as barreiras a serem superadas foram erguendo-se naturalmente.

“Olha o meu tamanho, no meio daqueles caras. Como eu vou ganhar o respeito deles, mas sem querer ser mesquinha ou superior. Não, eu pensei que deveria ser igual, acho que a gente cresce todo mundo é igual”, argumentou.

Lariane Pruner, treinador do Desterro Rugby – Flavio Tin/ND

Passados nove meses do ano ela fala que o saldo é positivo, apesar de ponderar algumas coisas e lembrar que a temporada ainda não terminou.

“Eu fiquei meio nervosa no início, eu não tinha muito ideia de como conseguir fazer isso. Enfim, eu vim querendo agregar e poder retribuir o que o Desterro fez por mim”.

Estreia no nacional com vitória

De olho na classificação à próxima fase do campeonato brasileiro 1ª divisão – Super 13, o Desterro estreou com vitória na competição. Bateu o Serra Gaúcha, de Caxias do Sul (RS), pelo placar de 18 a 13.

A próxima rodada para o representante de Santa Catarina acontece no sábado (14), contra o Farrapos, de Bento Gonçalves (RS).

Lariane Pruner, técnica do Desterro Rugby – Flavio Tin/ND

São dois grupos divididos pela geografia do País nessa primeira fase. No grupo B, o Desterro Rugby precisa classificar-se entre os três primeiros de sete concorrentes. Pelo grupo A, que tem oito equipes, quatro classificam diretamente.

O regulamento prevê ainda repescagem para o 5º colocado no grupo A e 4º colocado no grupo B.

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