Conheça a história do clássico mais polêmico da história de Figueirense e Avaí

Reprodução/Arquivo O Estado/ND

Cenas do segundo jogo do decisivo clássico de 1999, em que Genilson deixou o campo só de cueca

Em sorteio realizado 40 minutos antes da partida diretamente do chapéu do presidente da FCF (Federação Catarinense de Futebol) Delfim de Pádua Peixoto Filho, o árbitro Clésio Moreira dos Santos, o Margarida, foi o “escolhido” para apitar uma das finais mais polêmicas da história do futebol catarinense. “Foi o jogo da minha carreira”, afirmaria quase 13 anos depois daquele Figueirense 2 x 1 Avaí, em 25 de julho de 1999. Eram 23.375 pessoas no Orlando Scarpelli – o maior público dos 400 clássicos disputados até hoje.

Campeão da Série C do Brasileiro em 1998, o Avaí havia eliminado o rival da Copa do Brasil de 1999 e vencido o primeiro jogo da decisão na Ressacada por 2 a 0, com gols de Alex Rossi e Dão. Ao Figueirense, melhor campanha do Estadual, bastava vencer em casa e empatar a prorrogação para ser campeão. “Tínhamos convicção de que poderíamos vencer o Avaí em casa, mesmo tendo perdido o primeiro jogo. E foi o que aconteceu”, lembra Abel Ribeiro, técnico do Figueirense naquela decisão – atualmente auxiliar de Branco.

Os gols saíram no segundo tempo. Genílson, artilheiro daquele Catarinense com 26 gols, marcou o primeiro, aos 20 minutos. O atacante Dão empatou 14 minutos depois para o Leão. Aos 38, Claudiomir caiu na área, após ser puxado por Dirlei. Muita reclamação do time visitante, Genílson foi para a bola e converteu, levando o jogo para a prorrogação. “Foi realmente uma guerra. Não houve futebol”, recorda o meia Fernandes sobre os 30 minutos finais.

Com pouco futebol, a partida seria marcada por um lance de bola parada. Régis cobrou falta na área, Alex Rossi recebeu em condição regular e tocou para Adílson mandar para as redes. O árbitro correu para o centro do campo, enquanto o auxiliar Paulo Henrique de Godoy Bezerra mantinha a bandeirinha em riste, sinalizando impedimento de Alex Rossi.

Pressionado pelos alvinegros, Margarida voltaria atrás, anulando o gol que teria dado o título ao Avaí. “O bicho pegou. A cavalaria entrou em campo, teve bomba de efeito moral, spray de pimenta. Pensei que fosse morrer”, conta Fantick, que jogou as duas partidas da decisão improvisado na lateral direita, sobre o que ocorreu depois do lance. O jogo foi encerrado três minutos antes do final e o Figueirense levantou seu 10 º título Catarinense.

“Meu erro foi não olhar para o assistente”

“Meu erro maior foi não ter olhado para o meu assistente, Paulo Henrique de Godoy Bezerra. Quando Régis, do Avaí, lançou a bola dentro da área do Figueirense, Alex Rossi cabeceou para trás. Neste momento, o Alex estava em posição de impedimento e o Paulo Henrique levantou a bandeira. Eu não me posicionei de uma maneira correta para olhar o Paulo Henrique de frente. Se eu mato a jogada ali, não falariam mais nada.

Eu indiquei para o meio, confirmando o gol do Avaí e o Paulo Henrique, honradamente, com responsabilidade, ficou com a bandeira erguida. O pessoal do Figueirense veio ao meu encontro para falar ‘ô professor, o seu assistente está indicando alguma coisa de errado lá’. Fui lá e perguntei: ‘O que é que foi, Paulo?’. ‘Já estou mais de uma hora com esta bandeira erguida e agora que você olha. O Alex estava na posição de impedimento’, ele disse”. Clésio Moreira dos Santos

Clésio foi árbitro profissional entre 1989 e 2004. Apitaria ainda o clássico na final do returno de 2002, com mais uma vitória do Figueirense. É conhecido no país pelo projeto árbitro show, em que se veste de rosa e faz arbitragens performáticas em partidas amistosas.

Foi realmente uma guerra”

“Um clássico histórico. Em 1999, havia equilíbrio nas duas partidas, como sempre é o clássico. E o Avaí venceu a primeira partida, nós começamos a reverter e vencemos a segunda. E na prorrogação, foi realmente uma guerra. A gente fala até hoje que não existiu futebol. O nervosismo era tão grande naquela prorrogação que estava difícil de sair um gol. Tanto que ficou 0 a 0 e, pela campanha, o Figueirense conseguiu o título. A cidade estava ansiosa para ver um clássico decidindo o campeonato. E depois de 13 anos acontece novamente. Estou muito feliz de estar vivenciando este momento outra vez”. Fernandes, meia do Figueirense

“Venceu o time que mereceu ser campeão”

“Representou a mudança da estrutura. Eu já tinha participado em 1998 do momento da transição. O Figueirense em três anos retornou à Série A. O título de 99 foi o grande salto para o crescimento do Figueirense. O jogo terminou dentro do tempo que o árbitro entendeu. As questões que aconteceram dentro de jogo… é uma decisão de campeonato e venceu a equipe que mereceu ser campeã”. Abel Ribeiro, técnico do Figueirense

O erro mesmo foi do Bezerra”

“Foi a maior tristeza da minha carreira. Na verdade, mistura de tristeza e frustração. Naquela época o Catarinense era mais longo e foi, praticamente, o trabalho de um ano inteiro jogado fora. A cavalaria entrou em campo, teve bomba de efeito moral, spray de pimenta. Pensei que fosse morrer. Mas, talvez, se a polícia não tivesse tomado algumas providências, poderia ter sido pior. A culpa toda caiu em cima do Clésio, mas o erro mesmo foi do Bezerra. Mas os erros acontecem, fazem parte do futebol. Este ficou mais marcado porque era uma decisão, um clássico. Mas prefiro não julgar ninguém”. Fantick, atacante do Avaí

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