Conheça a história do último jogo do JEC contra um time estrangeiro

A bola foi generosa com Marcos Paulo naquele 7 de fevereiro de 1999. O hat-trick – três gols numa única partida – marcou a reestreia do atacante com a camisa tricolor e foi também o último amistoso internacional da história do JEC. Até agora.

Nas décadas de 1980 e 1990, JEC costumava enfrentar adversários internacionais – Foto: Arquivo Pessoal

Quase 21 anos depois de vencer o Grasshopper no saudoso estádio Ernestão, o Joinville volta a campo para enfrentar uma equipe internacional. Dessa vez, o adversário será o Club Atlético Talleres, da Argentina.

A memória do personagem principal daquele jogo ainda guarda os lances dos gols que fizeram, inclusive, com que a equipe suíça pensasse em levá-lo para a Europa. “Depois do jogo o staff deles foi até o vestiário e eles queriam me contratar. Era minha estreia no Joinville, não tinha nem cabimento eu sair”, relembra.

O Grasshopper não ficou de olho em Marcos Paulo à toa. Os três gols que sacramentaram a vitória do Joinville por 3 a 0 saíram dos pés dele e, mais de duas décadas depois, ele ainda se lembra de dois deles. “Eu consegui fazer três gols bem bonitos. Lembro que um foi chute forte de fora da área. O outro foi o mais bonito, eu entrei na área e o goleiro achou que eu iria driblar, mas toquei por baixo. Esse foi muito bonito”, conta.

O atacante, que chegou ao Joinville em 1995 e estourou no cenário nacional, estava fazendo sua reestreia depois de sair do Grêmio e lembra que pisar novamente no gramado do Ernestão foi emocionante, apesar do pouco público. “Era o meu primeiro jogo depois da volta. Eles vieram fazer a pré-temporada aqui e foi muito emocionante, apesar de ter pouca gente. As pessoas estavam de férias, era só um amistoso, mas pisar no Ernestão sempre foi uma emoção muito grande para mim”, diz.

A súmula do jogo confirma a ausência de torcedores naquele que seria o último jogo internacional em 20 anos. Apenas 340 pessoas puderam assistir o hat-trick de Marcos Paulo. Entre elas, Wilson França, radialista conhecido na cidade. “Tinha pouca gente, mas o Marcos Paulo estava inspirado, marcou os três”, lembra.

Poucos registros existem daquele jogo, mas a súmula guarda a memória do jogo. Pelo lado suíço começaram a partida Zuberbulher, Gree, Smiljanic, Sermeter, Tararache, Mazzareli, Zanni, Tikva, Kawelascwili, Magro e Turkylmaz. O árbitro foi Osvaldo Meira Júnior, com a assistência de Clésio Moreira dos Santos e Giuliano Bozzano.

Eles até tentaram “cometer o crime” em Joinville, mas Bambam, Clóvis, Decarlos, Luciano Panambi, Raul, Téio, Coracini, Emerson Almeida, João Carlos Cavalo, Marquinhos Rosa, Paulo Roberto Felipe, André Biquinho e a estrela do jogo Marcos Paulo não permitiram que os estrangeiros fizessem a festa no Ernestão.

Inglês x português

O jogo foi bem “normal”, não teve nenhum lance de violência e nada atípico além dos três gols marcados por Marcos Paulo, mas o atacante lembra que antes mesmo de os jogadores entrarem em campo, havia uma preocupação: a língua.

“O que eu e todos nós achávamos engraçado é que ficou a dúvida: como vamos nos comunicar com o adversário?”, brinca. Ele conta que, à época, poucos jogadores arranhavam no inglês e a comunicação foi, digamos, estranha. “Alguns até rabiscavam o inglês, mas a maioria não. Foi engraçado, mas no final, a língua da bola é uma só”, ressalta.

Segundo o atacante, nem os três gols marcados abalaram o Grasshopper que “saiu satisfeito, apesar de derrotado”.

Palco diferente

Agora, quase 21 anos depois, o palco é outro, mas Marcos Paulo estará presente, desta vez, na arquibancada. “Vou estar lá, torcendo para que o resultado possa se repetir. Espero que saiam três gols do Lima, do Robert… imagina que história bonita seria”, projeta.

Depois de duas décadas, o JEC volta a enfrentar um adversário internacional. O Talleres ficou ainda mais conhecido dos brasileiros depois de eliminar o São Paulo da Libertadores e, na próxima terça-feira (14), a partir das 20h, encara outro Tricolor, o de Joinville.

Para Marcos Paulo, o amistoso é importante por ser um adversário muito qualificado que poderá dar ao técnico Fabinho Santos condições de experimentar e analisar os jogadores que tem no elenco. “É um amistoso com poder de dificuldade muito maior, vai ser um bom teste. Além disso, é um grande presente para o torcedor tão sofrido do Joinville. Para que possa reviver aquilo que a gente deixou para trás”, salienta o último jogador a marcar contra adversários “gringos”.

A expectativa é boa. Até hoje, o Joinville fez oito amistosos internacionais e não perdeu nenhuma partida sequer. Seleção romena, Colônia e Club Kimberley empataram com o JEC. Já o Grasshopper (que jogou duas vezes no Ernestão), Argentina, Japão e Deportivo Litoral sofreram duras derrotas dos pés tricolores.

Além de servir como preparação para o Campeonato Catarinense, o jogo marca ainda o início das comemorações aos 44 anos do clube, comemorado no dia 29 de janeiro.

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