Dia do Ciclista: grupo sobe o Morro da Cruz toda semana para popularizar o trajeto

Atualizado

O Dia Nacional do Ciclista, comemorado em 19 de agosto, serve para promover a educação e a paz no trânsito. Além de uma boa prática para a saúde, o habito de pedalar pode servir para a socialização pessoal e, até mesmo, da cidade.

Um grupo de ciclistas de Florianópolis, denominado Nesse Morro Eu Não Morro, costuma subir o Morro da Cruz desde 2013 para desconstruir a visão negativa que a região já teve, de ser um local violento e de o trajeto, de 3 km e 285 metros de subida, ser de muito dificuldade.

Grupo Nesse Morro Eu Não Morro sobe toda quarta-feira o Morro da Cruz até o Mirante – Divulgação/Vinícius da Rosa

Vinícius Leyser, de 34 anos, foi quem começou com a ideia. Desde jovem, Vinícius tem o hábito de pedalar até o mirante do Morro da Cruz e começou a chamar alguns amigos para fazer o mesmo.

“O pessoal ficava meio receoso no começo, e só subia quem treinava ou quem era maluco, que eu acho que é o meu caso. Eu gostava de subir para ver o pôr do sol e até fazer alguns desafios, por exemplo, chegar no mirante com a cerveja gelada”, relembrou Vinícius.

A relação de convidar amigos e pessoas próximas para fazer o mesmo acabou virando uma rotina praticada toda quarta-feira. O trajeto é bem definido, começa no heliponto na avenida Beira-Mar Norte, às 20h, segue pela Beira-Mar, sobe a avenida do Antão e vai até o Mirante do Morro da Cruz.

Heliponto na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, é o ponto de partida – Divulgação/Vinícius da Rosa

Diferente de alguns grupos de ciclismo de Florianópolis, o evento é neutro, ou seja, não é vinculado com nenhuma loja. O grupo tem uma página no Facebook para divulgar as pedaladas semanais.

Como o evento não tem vínculo comercial, pessoas de outros grupos de pedalada comparecem, participam e ajudam a divulgar para outras ciclistas. É exatamente esse o caso de Gabriel Momo, 24 anos, que participou pela segunda vez da pedalada com o grupo Nesse Morro Eu Não Morro. Segundo ele, a relação com a bicicleta e de chegar ao destino final é diferente.

“Sempre que chego aqui é uma sensação diferente. Chegar até o final é uma sensação de conquista, dever cumprido, além de ficar olhando para esse lindo visual aqui de cima”, avaliou Gabriel.

Grupo já chegou a contar com 75 pessoas subindo no mesmo dia – Divulgação/Vinícius da Rosa

Naiara Lima, 32 anos, também é praticante assídua da pedalada. O amor pela prática de pedalar é tão grande, que ela desafiou-se a subir o Morro da Cruz durante 30 dias e sem pausa.

“Em 2015, tive a brilhante ideia de subir 30 dias seguidos com minhas amigas. Foi bom, a gente subia na parte da manhã, e acabamos conhecendo os motoristas de ônibus devido o fato de subir os trinta dias no mesmo horário e, às vezes, ainda vinha na quarta à noite. Acabamos perdendo peso e brincávamos que subir o morro era a nossa academia”, relembrou Naiara.

Leia também: 

A subida dos 285 metros serve até mesmo para quem está se preparando para provas de ciclismo. Mas como toda prática esportiva, pode fazer bem para o corpo e a mente.

“Eu adoro ver a cidade de longe, você se distancia, mas tem a sensação de um panorama geral de toda a correria que passamos no dia a dia. Mas a sensação de realização compensa muito o esforço realizado na subida”, falou Naiara.

Ciclistas aproveitam a bela visão do mirante para tirar fotos – Divulgação/Vinícius da Rosa

Segurança

Em dias com temperaturas menos congelantes em Florianópolis, o número de ciclistas pode aumentar e, em alguns casos, chegar a mais de 70 ciclistas subindo o Morro da Cruz. É normal algumas pessoas levarem 15 minutos e outras 45 para finalizar o trajeto. Para a segurança do grupo, uma viatura da GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) segue os ciclistas desde junho deste ano, a partir da saída na Beira-Mar Norte e até o retorno. Como alguns sobem o trajeto em uma velocidade mais reduzida, a viatura vem acompanhando esse grupo para caso alguém passe por algum problema de saúde.

Além da falta de infraestrutura para os ciclistas, como ciclovias, o respeito do motorista é fundamental para a segurança dos praticantes desse esporte. Segundo o agente da GMF, Rogerio Martarello, falta consciência para o motorista quando passam por ciclistas.

“Quando o motorista não é o usuário da bicicleta, falta um certo cuidado com o ciclista, passar mais devagar e mais longe. Cuidados básicos que são fundamentais para evitar um acidente”, falou Rogério Martarello.

Após a popularização do caminho do Morro da Cruz por grupos que desmistificaram a visão de um trajeto perigoso, é comum subir pela avenida do Antão, caminho que leva para o Mirante do Morro da Cruz, e se deparar com ciclistas subindo e descendo a estrada em qualquer hora do dia.

Para quem gosta de pedaladas, o grupo Nesse Morro Eu Não Morro dá o aval que a sensação e a visão de chegar ao cume do Morro da Cruz valem cada gota de suor gasta no caminho.

Mais Esportes