Entre o orgulho e a dor: Figueirense e Fluminense reeditam final de 2007

Atualizado

Assegurada a classificação as quartas de final do campeonato Catarinense 2020, o Figueirense concentra sua força e seu espírito para a Copa do Brasil. O Furacão encara o Fluminense, nesta quarta-feira (11), às 19h15, no estádio Orlando Scarpelli.

Ao passo que o horário do jogo se aproxima, memórias de junho de 2007 vão tomando conta dos torcedores e toda a comunidade alvinegra. Há pouco menos de 13 anos, as duas equipes decidiram a Copa do Brasil onde o Tricolor das Laranjeiras levou a melhor depois de empate em 1 a 1 no Rio de Janeiro e vitória por 1 a 0 em Florianópolis.

André Santos (6), com a bola, em jogo histórico do entre Figueirense 0 a 1 Fluminense, em 2007 – Foto: Cristiano Andujar/Especial para o ND+/Arquivo

Seja na versão dos protagonistas do espetáculo, de profissionais da época ou até mesmo de torcedores, a verdade é que, apesar do vice-campeonato, o episódio foi marcado como um dos maiores da história quase centenária do Figueirense.

O Grupo ND, em contato com alguns dos personagens que fizeram aquela partida dentro e fora de campo, trouxe alguns elementos que contam sobre a final que está marcada no coração alvinegro (para bom ou para ruim).

Orgulho e dor

Para o goleiro Wilson, 36 anos, atualmente no Coritiba, apesar da “dor” da derrota, “ficaram as boas lembranças”. Foram seis anos vestindo a camisa do Furacão – de 2007 a 2012 – onde Wilson criou grande identificação com o clube.

Wilson, atleta identificado com a camisa do Figueirense – Foto: Arquivo/Ndonline

Questionado pela reportagem, o experiente atleta falou com carinho, apesar do lamento por não ter “marcado na história do clube”.

“Não existe trauma, ficou aquele sentimento de que deixamos escapar um título que ficaria marcado para sempre na história e na carreira de cada jogador”, relembrou.

Wilson, que jamais negou o amor e o sentimento pelo Figueirense, ainda citou a festa da torcida e a atmosfera gerada no estádio Orlando Scarpelli, palco da finalíssima.

“A festa da torcida, a atmosfera que estava no estádio com uma decisão tão importante. Infelizmente não conseguimos, mas foi uma decisão onde o Figueirense jogou de igual para igual contra um grande clube do futebol brasileiro e saiu derrotado no detalhe”, acrescentou o arqueiro.

Heroi improvável

Roger Machado Marques, 44 anos, é atualmente técnico do Bahia. Enquanto trilha seu caminho como treinador, Roger ainda lembra – com carinho – da sua época como atleta.

Com poucos gols ao longo da carreira, o ex-lateral-esquerdo não titubeia ao afirmar que o tento assinalado diante do Figueirense, com três minutos de bola rolando, no estádio Orlando Scarpelli, foi o mais importante de toda sua carreira.

“O gol [contra o Figueirense] decisivo transformou a imagem da minha carreira, estive em campo muitas vezes, mas fazer aquele gol decisivo foi a primeira e única vez”, disse o agora técnico do Tricolor Baiano.

Roger Machado sai para comemorar o seu gol assinalado com a perna direita – Foto: Cristiano Andujar/Especial para o ND+/Arquivo

E realmente foram raros os momentos do então jogador comemorando um gol. Em 2007, ano da fatídica final, segundo o site ogol.com.br, Roger fez 29 jogos e assinalou um gol.

A improbabilidade do gaúcho de Porto Alegre (RS), revelado no Grêmio, não parou por aí. Lateral-esquerdo de origem, Roger, já no final da carreira, foi deslocado para a zaga.

Mais que isso, contou que “ganhou” a titularidade no último treino, depois que o titular Luis Alberto sentiu um problema muscular. Roger revelou ainda que jogou com o nariz quebrado.

“A dúvida [entre Roger e Luis Alberto] foi até a véspera do treino, momento que ele sentiu. Outra memória foi que no jogo da ida quebrei o nariz e joguei a volta com nariz quebrado”, admitiu.

Acrescenta-se a isso, ainda, o fato de Roger, canhoto, ter assinalado seu gol na perna direita. Quase inacreditável.

Felicidade, tristeza e indício de “já ganhou”

Para o colunista do Grupo ND, Fábio Machado, o duelo da próxima quarta-feira traz um “baú de emoções ambíguas”. Com uma campanha convincente, em 2007, o time foi abraçado pela sua torcida fase a fase.

Apesar do orgulho e a empolgação gerados ao longo da campanha até a finalíssima, em Florianópolis (SC), quatro minutos foram suficientes para dizimar um sonho. Fábio relembra “o caminhão de gols perdidos” e, mais que isso, uma espécie de “já ganhou” por parte da imprensa local.

Confira o relato do jornalista

O adversário do Figueirense na Copa do Brasil remexe num baú de emoções ambíguas: felicidade e tristeza. Felicidade por relembrar uma campanha inesquecível do time catarinense na competição nacional.

Fase a fase, o alvinegro foi avançando e quebrando as expectativas e as apostas. Como uma bola de neve, o torcedor foi abraçando o time, a onda foi crescendo culminando num jogo histórico no Maracanã, onde jogando bem, empatou em um a um com o Fluminense.

A semana que antecedeu a decisão foi uma loucura na cidade. Só que o sonho de uma conquista nacional – e a subida definitiva para outro patamar no cenário nacional – durou apenas 4 minutos de bola rolando. Daí em diante o sentimento de felicidade foi trocado pelo sentimento da tristeza e da decepção. Nunca um título esteve tão perto, tão próximo.

Passado todo esse tempo não tem como esquecer o caminhão de gols perdidos que no mínimo levaria a decisão para as penalidades máximas. Assim como também não dá para esquecer a arrogância de uma parte da imprensa da época que já contava com o título em menosprezo ao adversário. Fator que o time carioca soube muito bem utilizar. Quem esteve no vestiário do time campeão depois do jogo viu nas paredes as reproduções das colunas, as matérias e charges dando como certo o título para o time catarinense.

Felicidade e tristeza: a lembrança dos jogos diante do Fluminense na decisão da Copa do Brasil de 2007.

Ficha técnica

Figueirense: Wilson; Anderson Luís (Fernandes), Felipe Santana, Chicão, Vinícius (Édson) e André Santos; Diogo (Ramon Costa), Henrique, Ruy e Cleiton Xavier; Victor Simões. Técnico: Mário Sérgio.

Fluminense: Fernando Henrique; Carlinhos, Thiago Silva, Roger e Júnior César; Fabinho, Arouca, Cícero e Carlos Alberto (Thiago Neves); Alex Dias (Rafael Moura) e Adriano Magrão (David). Técnico: Renato Gaúcho.

Gol: Roger (3/1T)

Cartões amarelos: Edson (FIG); Júnior César e Thiago Neves (FLU)

Local: estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis (SC). Data: 06/06/2007

Arbitragem: Héber Roberto Lopes (PR); auxiliado por Roberto Braatz (PR) e Altemir Hausmann (RS).

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