Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.


ENTREVISTA: Rui Godinho, Presidente da FESPORTE

Na semana passada, comentamos aqui na coluna sobre a crise do esporte catarinense devido à pandemia da COVID-19: competições adiadas, falta de investimento e repasses cancelados.  Citamos também a falta de comunicação de FESPORTE com a imprensa em geral. Sobre esse assuntos, entrei em contato com o presidente Rui Godinho, presidente da FESPORTE, para uma entrevista na edição deste fim de semana do jornal ND impresso e aqui na coluna digital. Confira abaixo as declarações do gestor do esporte catarinense. DETALHE: o questionamento dos problemas da comunicação foi respondido por Jefferson do Amaral, gerente de comunicação e não pelo presidente Rui Godinho. Confira na última pergunta.

Sobre os problemas oriundos da quarentena prolongada, na quarta (12) a FESPORTE definiu as propostas de calendários para que, caso aprovado pelo governo do estado e o CED (Conselho Estadual do Esporte), seja uma luz no fim do túnel e não abrevie o término da temporada de 2020. São três as possibilidades levantadas que serão apresentadas, levando em questão o tempo das competições e a quantidade de eventos promovidos. Em tempo de crise, é a alternativa que garantir em partes o ano do esporte catarinense.

ENTREVISTA: Rui Godinho, presidente da FESPORTE ( Fundação Catarinense do Esporte)

O esporte, como toda a sociedade em geral, sente também os efeitos da pandemia. Como gestor, qual é agora neste momento, o seu maior desafio?

Esse desafio não é só do gestor, mas de toda equipe da FESPORTE.  Todos os nossos jogos sempre foram feitos basicamente da mesma forma, com pequenas alterações e mudanças no decorrer dos anos e acabava-se copiando muito o que era feito no ano anterior e nesse ano tivemos essa situação, a pandemia, que tivemos que repensar todo calendário e os formatos e isso mostra a eficiência da equipe que temos dentro da FESPORTE que pensou não só em uma proposta de calendário, mas apresentou três opções não só para o governador, mas também para a comunidade esportiva; para o CED (Conselho Estadual de Esportes) e todas elas partilhadas, como a gente consegue atender todos esses jogos de mês a mês.  Então começaremos os novos eventos a partir de julho, é claro, se assim permitir a Secretaria de Saúde, se eles entenderem que é possível voltarmos nesse momento com segurança para todos os atletas, então se nós tivermos esse cenário, conseguiríamos concluir todas as etapas estaduais até o mês de dezembro. Faríamos os dez eventos estaduais da FESPORTE. Isso tranquilamente. Se começarmos no mês de agosto, a segunda possibilidade: nós teríamos alguns campeonatos estaduais que deveriam ser suspensos por que não teríamos tempo para realizá-los. E na pior das hipóteses com o início sendo em setembro, teríamos que fazer cinco eventos: o Moleque Bom de Bola, o Dança Catarina, o JASC, a Olesc e os Joguinhos. Seriam as competições que conseguiríamos salvar nesse período de setembro a dezembro.

2 – A quarentena vai se estendo e diminuindo as datas dos calendários das competições previstas. Como a Fesporte vai conseguir conciliar todos esses eventos?

O nosso maior desafio é entregar o produto: o calendário da FESPORTE. A possibilidade de realizá-los. Os municípios investem mais de R$ 27 milhões de bolsa-atleta e bolsa-técnico. Precisamos atender esse público. A gente fala muito que o esporte é desenvolvimento social, que é saúde. Falamos um monte de coisas, mas esquecemos de falar que o esporte é desenvolvimento econômico. Com dados retirados da Fazenda aqui do Estado, vimos que diretamente há o recolhimento de mais de R$ 85 milhões só de coisas que conseguimos especificar como do esporte, fora aquilo que não conseguimos mensurar, que o esporte passa junto. Isso fica bem claro que o não cumprimento do calendário, traria um prejuízo muito grande dessa arrecadação, além disso traria muito prejuízo para os para os atletas e treinadores, que muitos deles se não tiver o calendário da FESPORTE serão mandados embora, ou não receberiam o valor do bolsa-atleta. Olha só a cadeia que o calendário da FESPORTE movimenta. E a gente precisa cumprir da melhor forma possível. Há uma flexibilização desse calendário, apresentamos as três propostas e aguardamos um posicionamento do Secretário de Saúde, trazendo segurança para os atletas. Queremos fazer e estamos preparados para isso.

3 – O governo Carlos Moisés vive um momento de turbulência. O Sr. não teme que essa situação acabe interferindo no esporte? Tem conversado com o governador em busca de soluções?

A construção do calendário ela foi feita não somente com os nossos técnicos aqui da FESPORTE, mas também com a conversa constante com os presidentes de federações, apresentamos o problema, dissemos o recurso que a gente tinha, a quantidade de dinheiro disponível para fazer esses eventos. Os próprios presidentes de federações nos trouxeram soluções, propostas. Tudo foi conversado. Estamos ouvindo bastante a comunidade esportiva. Diante disso, com o calendário formado, com a participação de muitas pessoas, estamos municiando o Governador Carlos Moisés, o Secretário de Saúde e o Secretário de Educação com as informações que temos, para que eles possam também tomar as suas decisões, acredito que a oportunidade que o Governador me deu para estar aqui presidindo a FESPORTE, é para isso, para que eu leve as soluções, então ouvimos toda a comunidade e com as melhores soluções possíveis que todos estão aguardando que aconteça.

4 – Em relação aos municípios sedes das competições, como está o relacionamento da FESPORTE quanto as datas e repasses financeiros?

Bem, no primeiro mês do “fechamento do estado”, houve uma queda de arrecadação de mais de 30%. Em reuniões que nós tivemos do colegiado através de videoconferência, ficou bem claro que a prioridade do estado seria com a saúde e com segurança pública a coisas mais básicas. Tudo que aquilo que não fosse essencial seria cortado, em virtude da queda bruta das arrecadações. Dessa forma, nós buscamos soluções para conseguir o fazer nosso calendário, utilizamos recursos federais oriundos das loterias federais. Esse recurso vem para o caixa do estado “carimbado” para isso, para utilização nos eventos. A gente está tendo todo o cuidado para não utilizar recursos da arrecadação do estado neste momento em respeito pela situação que vivemos. Mesmo assim, com esse dinheiro que temos em caixa, nós vamos conseguir fazer eventos, é claro, mais curtos e mais rápidos para poder cumprir esse calendário. Eventos que levavam cinco dias para acontecer, vão levar três. Então estamos tentando fazer de forma mais célere, mais econômica, porém oferecendo esse produto. É claro que isso, nós absorvemos também coisas que eram da responsabilidade do município: Nós vamos pagar o café da manhã, o almoço e a janta desses atletas. Vamos oferecer um local para ele pernoitarem com qualidade. Então, estamos tirando esse peso das costas dos municípios porque entendemos que eles também terão quedas nas arrecadações. O único gasto seria o combustível dos ônibus ou das Vans para levarem ao local dos eventos. Estamos tentando ajudar, com recursos da loteria federal, sem utilizar recursos de tributos estaduais. Outra preocupação é evitar o conflito com educação nos municípios. Em todos esses anos as escolas eram utilizadas como alojamentos, em muitos municípios as aulas eram suspensas. E não podemos conflitar o esporte com a educação. Vejam que o esporte é um auxiliar da educação. Tendo isso como base, muitos municípios não teriam como fazer esses eventos neste ano. Conversamos com essas cidades, eles entenderam que a situação é ímpar, que nunca ninguém passou isso, por isso estamos buscando soluções.

5 – Em uma das colunas da semana passada, escrevi sobre a falta de comunicação com a imprensa em geral. E de lá para cá, nenhuma comunicação oficial foi realizada. Como o Sr. avaliou esse comentário?   (OBSERVAÇÃO: Essa pergunta direcionado ao presidente Rui Godinho, foi respondida pelo Jefferson do Amaral, Gerente de Comunicação da FESPORTE).

A gente agradece muito os veículos de comunicação que sempre dão muito visibilidade para o nosso trabalho, a gente sabe da importância que tem a comunicação dentro desse meio. Nenhum atleta consegue patrocínio se não tiver essa visibilidade. Da melhor forma possível sempre tentamos deixar a imprensa da melhor forma possível informada. O departamento de comunicação passa por uma reestruturação, a gente pensa em formatos diferentes, em formas diferentes de se comunicar. A comunicação em si mudou. A gente sempre teve muitos jornalistas nos eventos. E hoje o jornalista recebe mais informações prontas. A gente gostaria muito, e sempre gosta muito da possibilidade da imprensa. Nessa semana nós tivemos a apresentação do calendário esportivo, a gente se preparou bastante para divulgar esse conteúdo para vocês em apresentações e formatos. Então antes de ter qualquer definição concreta a gente não iria passar informações. Nessa semana a gente conseguiu apresentar para o Conselho e para o estado. E o mais breve possível nós vamos ter o retorno para a sociedade catarinense para saber quais são os destinos do esporte.