Escola resgata carrinho de rolimã e fomenta a prática de atividades ao ar livre

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Talvez você não saiba o que é carrinho de rolimã, mas, com certeza, terá alguém a sua volta – sobretudo mais velho – que não só sabe como foi fã em algum período da infância. Foi baseado nesse espírito que o colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima realizou, na manhã desta quinta-feira (16) a segunda edição de uma competição com o ‘veículo’. Foram 22 carrinhos confeccionados pelos próprios alunos, que desceram a rua Pedro Cunha, no bairro Estreito nessa que é apenas uma das provas da gincana da escola que, em 2019, completa 61 anos.

Alunos brincam e disputam corridas de carrinho de rolimã em Florianópolis – Everton Weber/Divulgação/ND

Se alguém na capital de Santa Catarina se deparou com o barulho inconfundível e ensurdecedor do carrinho de rolimã, não foi um lapso de memória ou qualquer outro flash de um tempo que não volta mais. Com apoio da prefeitura que, por meio da Guarda Municipal, fechou a rua entre Afonso Pena e Professora Antonieta de Barros, e cerca de 700 estudantes entre pais e professores acompanharam a competição que representa o pontapé na gincana da escola. Foi justamente a busca, ou a contramão ao boom do eletrônico que motivou a escola a proporcionar “vitamina D” e “atividades ao ar livre”.

“O ano passado, nos 60 anos da escola, investimos em provas que resgatavam brincadeiras antigas e o carrinho de rolimã foi uma delas, que foi o maior sucesso. Só de eles sentirem o prazer de brincar ao ar livre por um material confeccionado por eles, já vale. E sair do eletrônico, do quarto, da sala, mas essa experiência da vitamina D eles não têm”, contou Ana Maria de Moraes Máximo, coordenadora de eventos.

O clima no local dava o tom e a “seriedade” da prova. Gritos de guerra entre torcidas descritas e identificadas com o número da turma e muita vibração a cada descida.

Gabrielli da Silva Rodrigues, 11 anos, estudante do 7º ano mesclava euforia com decepção. Na condição de “motorista” do carrinho, ela venceu a bateria pela sua turma mas, logo após a prova, tomou conhecimento de que sua equipe havia sido “eliminada” em função do carrinho não atender aos requisitos básicos. Apesar da frustração pelo resultado, ela não escondeu a satisfação pelo clima de competição que emanava da calçada.

“Não vamos ganhar [a gincana], mas eu gosto muito quando tem. Eu estava esperando o ano inteiro por ela”, admitiu a jovenzinha.

Prova de sucesso

Se alguém na organização do evento, um pai ou uma mãe carregava alguma dúvida a respeito da prova, tirou toda e qualquer na manhã desta quinta. A euforia a cada descida era realmente contagiante. Para o organizador da gincana, o professor de educação física, Rodrigo Luciano de Souza, 46 de idade e 23 anos de escola, o sucesso da modalidade ganhou tanta força que já há um projeto ousado para o próximo ano.

“Eu brincava de rolimã e resolvi trazer para a escola e a gente fez um carrinho, foi uma loucura e todo mundo queria andar e nós só descíamos ali no pátio. Depois foram três carrinhos e foi mais sucesso. Aí eu tive a ideia de pedir para os alunos pedirem ajuda aos pais e avôs para montarem um carrinho e eu cheguei aqui e tinha um monte. Ano passado foi uma corrida para cada, o tempo estava ruim, enfim, aí esse ano estruturamos aqui fora para fazer. Quero ver, no próximo ano, eu ainda não falei com o colégio, mas irmos para um lugar maior, convidar a comunidade, outras escolas”, projetou o organizador.

A gincana, além das provas previstas para essa quinta-feira, transcorre durante meses com atividades em todas as frentes educacionais.

Para a coordenadora Ana Maria, a prova e a gincana têm uma simbologia maior em todo esse contexto. “Eu penso que investir na educação é a melhor saída para um Brasil melhor. Tudo que é feito e feito para eles possam ter consciência da representação deles na sociedade é importante”, apontou.

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