Futebol, carne e cerveja: meninas reúnem-se semanalmente e ajudam a quebrar barreiras

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Futebol, carne e cerveja. Trata-se de uma das grandes e mais explosivas combinações no Brasil, além de ser um tradicional pivô de intermináveis DRs (discussão do relacionamento) entre casais. Já foi indício e tema de música em meio a um cenário exclusivamente dominado pelo sexo masculino. Foi.

A reportagem do ND, em busca de histórias que inspirem a mulherada nessa avalanche do futebol feminino, encontrou um grupo de mulheres que, há oito anos, protagoniza a famigerada “pelada” toda a terça-feira, em Florianópolis, para fomentar a amizade e liberar as impurezas proporcionadas pela rotina do dia a dia. Mais que isso: para consolidar a autonomia de fazerem e lidarem com o que bem entendem.

O time não tem nome e, no máximo, intitula um grupo no aplicativo WhatsApp chamado Fut de Terça. Não importa. Enraizado em virtude de quase dez anos de existência na Astel (Associação Esportiva e Social de Florianópolis), o espaço já testemunhou vários ciclos: viu meninas começarem, pararem, voltarem e até casarem. De maneira paralela se manteve imóvel e, não só sobreviveu a todas essas variáveis, como vem renovando o ciclo moldado e pautado pela “cervejada” no fechamento do horário.

Francielli Luca é uma das precursoras do grupo – Flavio Tin/ND

“É o momento do lazer, da descontração, de meninas que não se conhecem e criaram vínculos. É um vai e vem de meninas. É curioso que sempre tem meninas para vir jogar e por isso conseguimos segurar esse horário”, explicou Francielli Lucca, 35 anos, uma das mais longevas da turma.

Fran, como é chamado entre as demais, revelou que inicialmente havia aquele bloqueio e até comentários mais inconvenientes sobre a presença dela e da turma jogando futebol. Nada que tantos anos na condição de “peladeira” não tenha deixado para trás.

“Existe aquela coisa de toda menina que joga futebol é homossexual. Eu acho que depois que agente começa a viver tudo isso, até sente alguns comentários, mas depois acha tudo tão normal”, argumentou a “jogadora” que profissionalmente atua como gerente comercial. No anseio (também) por desmistificar alguns itens que teimam em pairar sobre a sociedade, Fran contou que é casada e seu marido também joga futebol. “Sempre fui respeitada, já até jogamos juntos mais de uma vez”.

Priscila Toniolo joga há três anos com o grupo – Flavio Tin/ND

Para a profissional do marketing Priscila Toniolo, 35, natural de Porto Alegre (RS) e moradora de Florianópolis há três anos, entende que esse movimento da qual ela faz parte, é uma maneira de mostrar que no futebol não há “distinção de gênero”.

“Quando comecei a jogar sempre tinha aquela pergunta de, ‘nossa, tu joga bola’, mas agora não, agora todos os lugares que a gente vai existem meninas jogando bola”, contou a gaúcha que, fardada dos pés a cabeça com o uniforme do Internacional, revelou sua paixão pela modalidade e pelos jogos do seu time. “Não é questão de gênero, é questão de fazer o que gosta”, finalizou.

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