Hemerson Maria reitera objetivo do acesso e garante: “ficar e terminar o trabalho”

Hemerson Maria, técnico do Figueirense – Anderson Coelho/ND

O técnico Hemerson Maria concedeu uma entrevista exclusiva ao grupo RIC na tarde desta segunda-feira, no CFT do Cambirela. Embora um bate-papo prioritariamente sobre futebol, o comandante alvinegro confirmou uma proposta do futebol árabe por seu trabalho. O comandante, que vê o Furacão na 8ª posição a dois pontos do G4, entretanto, garante que fica “até o final do projeto” no bairro do Estreito.

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Hemerson Maria como poucas vezes visto. Sorridente, tranquilo e elucidativo em suas respostas. Não que ele não o seja nas outras oportunidades, mas é inegável a interferência do clima do jogo e a atmosfera do futebol em cima do seu comportamento nas entrevistas.

Com a Série B parada em função da Copa América (assim como a Série A) e os jogadores em período de férias, o técnico usa o tempo para aparar arestas do seu time, encontrar soluções para as mais variadas adversidades de jogo e descansar o grupo. Em meio a esse momento mais “tranquilo” da temporada, o treinador admitiu uma proposta que balançou mas que, a priori, será recusada pelo treinador que fala em um projeto com “início, meio e fim”.

Confira a íntegra completa da entrevista com o técnico Hemerson Maria, direto do CFT:

Notícias do Dia: Qual o balanço desses primeiros seis meses a frente do Figueirense?

Hemerson Maria: O saldo é extremamente positivo, tudo que foi traçado na temporada foi concluído. Talvez a gente tenha um insucesso que foi na Copa do Brasil na desclassificação para a Luverdense, mas a liderança no campeonato estadual onde lideramos 11 rodadas de 18, chegamos em uma semifinal com a Chapecoense onde perdemos por detalhe, essa pontuação que estamos na Série B está dentro da esperada. A performance da equipe vem melhorando, o aproveitamento de atletas da base. A perspectiva é muito positiva. O torcedor está vendo o esforço da equipe, está resgatando o orgulho. Mas nosso grande objetivo é estar com uma das vagas no G4 no final da temporada.

ND: Com esse grupo é possível cumprir esse objetivo?

HM: No futebol nunca se há grupo fechado, sempre tem espaço para atletas que possam agregar valor técnico. No decorrer da caminhada também acontecem algumas lesões, acaba perdendo atletas para outros mercados então, nós, estamos sempre atentos em oportunidades que apareçam no mercado. O Figueirense está em busca de um ou dois atletas para qualificar mais o nosso elenco e, mais que qualificar o nosso grupo, é essa união que está sendo resgatada com o torcedor. Essa empatia que está acontecendo, o torcedor tem nos ajudado muito e creio que é um grupo de atletas que ainda pode render mais tecnicamente, cabe a nós para que possamos extrair o máximo desse grupo em busca dos objetivos do clube.

ND: Qual a importância dessa presença do torcedor?

HM: A Série B é um campeonato muito nivelado tecnicamente e o fator casa é fundamental. O Scarpelli lotado, o apoio que vem das arquibancadas, é fundamental. Eu tenho esse sonho e esse objetivo de, juntamente com meus atletas, tentar resgatar esse carinho do torcedor com o Figueirense, esse companheirismo, essa paixão. A gente vem fazendo de tudo, jogando com garra, com disciplina tática e temos esse sonho de ver o Scarpelli lotado em todos os jogos da Série B para que, juntos, o torcedor possa nos empurrar para as vitórias e, junto das grandes vitórias, os objetivos do clube também.

ND: Tu és o grande ídolo desse atual grupo para o torcedor, como que tu recebe isso?

HM: Eu vejo que o Figueirense tem jogadores que estão se tornando ídolos dentro do campo. Caso do Denis, Zé Antônio, Alemão, Ruan Renato, algumas das referências. Hoje os jogadores estão se destacando individualmente, mas o grande craque da nossa equipe é o coletivo. Quando você fala da minha pessoa eu vejo que todos estão sendo importante, do porteiro ao presidente. Me sinto honrado e feliz por estar vestindo essa camisa. Minha família vendo um representante da família comandando uma camisa e um clube tão tradicional. Me sinto honrado. Estou fazendo o que eu gosto dentro de um clube que eu gosto e aprendi a gostar.

ND: O que tem de concreto sobre essa proposta para sair do Figueirense?

HM: Já venho sido procurado há algum tempo, desde 2014, quando estava no Joinville. As pessoas procuram, ficam mandando situações extra-oficiais e eu sempre falei: gostaria de resgatar o meu nome no cenário nacional e agora realmente teve uma proposta formal, foi passado para o Figueirense, só que nosso objetivo aqui é terminar o projeto. Terminar o trabalho que está sendo realizado no Figueirense. Estou me sentindo muito bem. Nosso objetivo é ficar e terminar um trabalho que está sendo bem sucedido.

ND: Então você fica?

HM: É, a gente tem a ideia de ficar, sim. Como eu falei, estou me sentindo muito bem aqui no clube, vários jogadores que se comprometeram a vir para o Figueirense, nós que contratamos, nós que fizemos o contato. Eu, como comandante, tenho que dar o exemplo, de começar um trabalho e de continuar.

ND: Quando tu fala ‘a ideia é ficar’ tem uma pequena possibilidade?

HM: Não vamos ser hipócritas, o futebol é cíclico, as coisas acabam mudando de um momento para outro. Volto a dizer e já foi passado para o Figueirense: o meu desejo é ficar, a gente já iniciou conversas para estender o vínculo, eu gosto de trabalhos de médio e longo prazo. Nosso intuito aqui é ter um trabalho com início, meio e final.

ND: Em meio a essa quebra da temporada, qual é o calendário ideal para o Hemerson Maria?

HM: O calendário ideal é que a competição não parasse, que tivesse a continuidade, porém, com um espaçamento maior entre os jogos. Quando retomarmos a competição nós vamos fazer sete jogos em um mês e depois oito jogos em um mês. Isso é horrível ainda mais em um País que tem uma dimensão continental como é o Brasil. Não há tempo para recuperação dos atletas, você pode perceber que vai aumentar o índice de lesões. Não adianta lutar contra uma coisa que a gente não tem o controle. As pessoas mais interessadas que são os treinadores, os jogadores, essas pessoas não são ouvidas. O calendário está estabelecido. Agora cabe a nós tirar proveito da melhor maneira possível para que, quando iniciar, voltarmos com força total.

ND: O que falta para o Figueirense vencer fora de casa?

HM: Na Série B é importante o fator casa, ter um aproveitamento que temos (três vitórias e um empate), que é o aproveitamento ideal, mas fora de casa também precisa ser competente para vencer os jogos. É fora de casa que o adversário acaba, as vezes, se expondo um pouco mais. Eu penso que falta nós sermos efetivos, aproveitarmos a oportunidade. Com exceção de dois jogos, contra o Bragantino (0 a 2 para os paulistas) e o Sport (0 a 0) onde não criamos muito, mas nos outros jogos (Guarani e Oeste) a gente poderia ter sido mais feliz.

ND: Em relação a dinâmica do jogo, quando a bola passa pelo sistema defensivo, é uma questão circunstancial ou o teu time busca esse toque de bola?

HM: Faz parte do nosso jogo. O Denis, no jogo contra o Oeste, ele teve uma posse de bola maior que oito jogadores do Oeste. Somente três jogadores de linha do Oeste tiveram um percentual de acerto de passe maior que o do Denis. Essa bola, quando é jogada para o Denis, ele não dá o chutão, ele dá o passe. Ele participa da nossa organização ofensiva. Hoje a saída de bola é pautada pelos nossos zagueiros. A bola precisa chegar no chão e o passe de qualidade, por isso a importância da participação do Denis.

ND: O João Diogo tem o nome cobrado pelos torcedores, qual é a posição que ele rende mais?

HM: É um menino que está evoluindo bastante, tem o Matheus Lucas também, uma pena que o Matheuzinho lesionou ele que vinha em uma crescente interessante. O João Diogo tem a característica de um atacante com bastante mobilidade. Ele pode jogar como ponta, tem velocidade, força, sabe dar assistência. Não é o centroavante que se limita a jogar de costas. Temos três jogadores com características diferentes: o Rafael Marques é o mais experiente, faz um papel melhor de pivô onde ele sai para tabela, segura a bola na frente; o Matheus Lucas é um centroavante mais brigador e o João Diogo é o nosso melhor finalizador. Só que é um garoto e precisa aprender algumas coisas que a gente está ensinando tanto dentro de campo como fora de campo. Mas sem dúvida nenhuma é um jogador de muito potencial e um jogador que vai dar muitas alegrias a torcida.

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