Interino faz duas coisas que Roger nunca fez e vê Palmeiras jogar bem

Gustavo Scarpa, centralizado, jogou melhor do que em partidas anteriores - FOTO: Cesar Greco/Palmeiras
Gustavo Scarpa, centralizado, jogou melhor do que em partidas anteriores – FOTO: Cesar Greco/Palmeiras

Antes de mais nada, é preciso fazer duas ressalvas. Sim, foi só um jogo. Sim, o adversário era o Paraná, um dos piores times deste Brasileirão. Posto isso, é inegável que o Palmeiras jogou bem na vitória por 3 a 1 do domingo de manhã.

Wesley Carvalho, técnico interino, não teve medo de escalar a equipe de acordo com suas convicções. As novidades foram Artur entre os titulares e Gustavo Scarpa posicionado como armador, por dentro, duas coisas que Roger Machado nunca fez e nem dava sinais de que faria.

Scarpa, escalado sempre na ponta direita pelo ex-treinador do Verdão, participou muito mais do jogo nesta nova função. Os dois gols de Bruno Henrique são prova disso. No primeiro, o camisa 14 tabelou com Dudu pela esquerda – em uma parceria interessante – antes de Willian receber no pivô e rolar para Bruno bater firme. No segundo, Scarpa roubou a bola no ataque e acionou Artur, que fez o goleiro trabalhar e viu Bruno conferir no rebote.

Artur que já havia feito jogada parecida pouco antes, no lance em que o próprio Scarpa falhou na pequena área ao tentar aproveitar a rebatida do goleiro. A velocidade e os dribles do garoto de 20 anos estão em falta no elenco após a saída de Keno. Wesley Carvalho não abria mão dessas características, e por isso deu a ele sua primeira chance entre os 11.

– Eu precisava de um jogador que jogasse pelo extremo com velocidade. Eu não queria um meia no extremo – explicou.

Hyoran fez boas partidas naquela posição, mas com característica diferente, com mais articulação do que jogadas de um contra um. Já Scarpa, o dono dessa vaga no fim da era Roger Machado, foi absolutamente improdutivo ao jogar aberto.

– Acredito que o Scarpa rende mais ali. Eu gosto de jogar com os meias mais de talento, técnicos, de encaixe de bola, que ajudem na marcação, e com dois extremos que chegam mais, que busquem profundidade, que têm um contra um forte. É o que o futebol está pedindo mundialmente, a gente não pode abrir mão dessa característica – acrescentou Wesley.

Isso significa que Scarpa já está correspondendo à alta expectativa depositada nele? Não, ainda não. No próprio jogo contra o Paraná, ele sumiu no segundo tempo e foi substituído aos 13 minutos. Também não seria prudente dizer que Artur já merece ser fixado como titular. Como dissemos lá no começo do texto, foi só um jogo e contra um adversário fraco.

De qualquer forma, Luiz Felipe Scolari já tem uma amostra do que essas novidades podem aportar ao time. O novo técnico também precisa olhar com carinho para a equipe com um meio de campo mais leve, sem Felipe Melo, com Moisés e Bruno Henrique formando dupla de volantes. Parece ser o ideal para o momento.

Felipão está em Lisboa e deve chegar ao Brasil na sexta-feira, estreando no domingo, contra o América-MG, em Minas. Antes, é possível que Paulo Turra, seu auxiliar, comande a equipe na quinta, contra o Bahia, pela Copa do Brasil.

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