Ivan Basso volta ao Giro d’Italia como o ‘Fazendeiro Terrível’

Apelido recebido por seu estilo no ciclismo contrasta com ações sociais no país

Aos 37 anos de idade, Ivan Basso largou na sexta-feira para o Giro d’Italia pela equipe Cannonddale Pro Cycling 15 anos depois de ter disputado a prova em seu país pela primeira vez. Apelidado de “O Terrível” pelo público local, o ciclista, já pensando em sua aposentadoria, agora se divide entre o esporte e o mundo dos negócios, já que desde 2011 cuida de uma fazenda de mirtilo em Cassano Magnago, sua cidade natal.

Além de já ter uma carreira encaminhada para quando deixar o esporte profissional, Basso cuida da fazenda em parceria com instituições sociais italianas. Em suas terras, emprega pessoas com deficiências nas plantações de mirtilo. Mesmo assim, afirmou ao LANCE!Net, por e-mail, que ainda se considera 100% um atleta.

– Neste momento, a fazenda de mirtilo é algo que eu criei como um investimento. Honestamente, não me sinto um fazendeiro, mas um ciclista profissional (risos). A ideia da fazenda muito me alegra porque há um aspecto social na gerência. Tenho a chance de dar empregos a pessoas com deficiências, graças ao apoio de algumas associações da minha cidade – contou.

O aspecto solidário contrasta com a fama que Basso ganhou nas provas que disputou ao longo de sua carreira. De acordo com o ciclista, seu apelido é uma brincadeira em relação a Ivan, o Terrível, imperador russo que viveu entre 1530 e 1584 e ampliou seus territórios – foi o responsável pela conquista da Sibéria. O governante era considerado inteligente e dedicado, mas sofria com crises de paranoia.

– Meus fãs costumavam me chamar assim por causa da minha maneira de competir: como eu gerencio a corrida, como eu comando o pelotão… E porque eu nunca desisto – disse Basso, antes de admitir que aprova o apelido:

– Bem… sim, eu gosto dele!

Agora, Basso volta a competir em seu país dois anos após tê-lo feito pela última vez – terminou na quinta colocação em 2012. Seus melhores resultados vieram em 2006 e 2010, quando ficou com o título da competição. Ele já disputou oito vezes a tradicional Volta da França e seu melhor desempenho veio em 2005, quando ficou com a segunda colocação.

Terrível sobre a bicicleta, solidário longe dela. Assim Basso se prepara para a transição de ciclista para fazendeiro. E ela pode estar próxima, já que o italiano afirma que, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, planeja vir ao Brasil apenas como turista.

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Você gosta mais de competir na Itália, diante da sua torcida, ou na tradicional Volta da França?
Bem, existem dois aspectos que precisam ser levados em consideração para eu responder. O coração me empurra no Giro. Pedalo no meu país, em frente ao “meu” povo. O Giro é um evento nacional e popular, então você não se sente parte apenas de um evento de ciclismo, mas de algo mais. A Volta da França é o maior e mais importante evento de ciclismo, absolutamente. Você está sob um holofote mundial. Na França, eu atinjo a popularidade mundial.

Quais são suas lembranças favoritas do Giro?
As melhores lembranças que tenho são de 2006 e 2010. Em 2005 eu cheguei como favorito, mas, por conta de problemas intestinais, tive de desistir de vencer. 2006 foi uma experiência incrível, mas 2010 é minha memória mais intensa. Por várias razões, foi minha maior chance de me redimir. Além disso, foi um desafio duro e eu tive de lutar muito para vencer. Quando entrei na Arena, em Verona, com meus filhos me esperando no pódio… bem, foi uma emoção verdadeira.

Como você descreve sua rotina no esporte?
A vida de um ciclista profissional exige sacrifícios. Seu corpo é como uma máquina, e você precisa cuidar o tempo inteiro. Dieta, estilo de vida, descanso, treino. Você precisa de atitude, de uma vida regular. Claro que, quando você está de férias, você pode relaxar e se dar algo a mais. Mas, especialmente para um competidor de grandes provas, cada aspecto pode fazer a diferença. Pessoalmente, eu nunca sofro por fazer renúncias. Amo meu trabalho e me sinto feliz e sortudo por fazê-lo. Se você quiser chegar ao topo, precisa aceitar as glórias na mesma medida que aceita as responsabilidades.

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