Jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol dependem do Bolsa Atleta

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A seleção brasileira que estreia na Copa do Mundo Feminina neste domingo (8), diante da Jamaica, conta com forte apoio estatal. Das 23 jogadoras do Brasil, 17 recebem o Bolsa Atleta, programa do Governo Federal que ajuda financeiramente as jogadoras com pagamentos mensais. Como comparação, nenhum jogador da seleção masculina que disputará a Copa América a partir de sexta-feira recebe o Bolsa Atleta.

Foto oficial da seleção brasileira feminina – Divulgação/CBF

As jogadoras da seleção dizem utilizar os recursos do programa para pagar despesas básicas como compra de chuteira, suplementos alimentar e até transporte para ir aos treinamentos. A lateral Tamires, de 31 anos, é uma das atletas mais experientes da seleção brasileira. Jogadora do Fortuna Hjorring, da Dinamarca, ela já fez parte das categorias Nacional e Internacional do Bolsa Atleta e atualmente recebe os valores da faixa Olímpica.

“É um incentivo muito grande. Sabemos que, às vezes, no futebol feminino, você não é tão bem remunerada em alguns clubes. O Bolsa Atleta ajuda a somar os rendimentos com o salário do clube para a gente poder comprar chuteiras e suplementos”, explica.

Os valores pagos pelo Bolsa Atleta variam de R$ 410 (categoria Base) a R$ 15 mil (Pódio). No caso da seleção feminina, as 18 atletas contempladas recebem entre R$ 1.020 (categoria Nacional) e R$ 3.500.

Entre as 23 jogadoras convocadas pelo técnico Vadão para o Mundial, apenas seis defendem clubes no Brasil. Atuar no exterior, no entanto, não é um impeditivo para ser contemplada pelo programa.

A lateral Letícia Santos, defende o SC Sand, da Alemanha, desde 2017. Mesmo morando fora do Brasil, ela recebe o Bolsa Atleta na categoria Internacional (valores que variam entre R$ 1.020 e R$ 2.500, a depender dos resultados obtidos e do nível da competição).

Aos 24 anos, ela relembra que o dinheiro do programa, principalmente no início da carreira, chegou a ser a sua única fonte de renda. “Ajudou porque muitas vezes a gente não recebe salário ou é muito pouco. Foi importante em uma época em que os meus pais não podiam me ajudar e foi um auxílio para eu continuar indo aos treinamentos. Agora, o Bolsa Atleta tem me ajudado a auxiliar a minha família também”, diz.

Amadorismo
Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro Masculino, para se enquadrar no Licenciamento de Clubes da CBF, precisam manter um time de futebol feminino (tanto adulto como de base). A regra, no entanto, não garante a profissionalização da modalidade no País.

No Brasil, a maioria das jogadoras de futebol é amadora. Apenas uma pequena parte tem contrato em carteira de trabalho, no regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Por isso, muitas jogadoras recebem dos seus clubes ajuda de custo somente em acordos pontuais de prestação de serviço para disputar campeonatos e, assim, não têm salário fixo.

Zagueira Érika, que ficou fora da convocação da Copa Feminina por conta de uma lesão, é uma das beneficiadas pelo programa – Reprodução/Instagram

A zagueira Érika, do Corinthians, recebe o Bolsa Atleta desde 2007. Ela participou de toda a preparação para o Mundial até sexta-feira, quando acabou cortada por lesão. “É um dinheiro de suma importância, que nos ajuda a comprar os materiais como chuteira, caneleira e roupas. Hoje, eu tenho carro, mas antes o dinheiro do Bolsa Atleta e me ajudava também no transporte de ônibus e metrô para os treinos. Também ajuda na alimentação, já que a gente precisa muito de suplementos”, conta.

Não são apenas atletas menos badaladas que recebem ajuda do Governo Federal. Marta, eleita pela Fifa a melhor jogadora do mundo por seis vezes, sendo cinco de forma consecutiva, também recebe o Bolsa Atleta. A atacante do Orlando Pride, dos Estados Unidos, está inscrita na categoria Olímpica.

Seis jogadoras do elenco que disputará a Copa do Mundo não são contempladas no programa federal: Formiga, Daiane, Debinha, Kathellen, Luana e Ludmila. Todas atuam na Europa.

O Programa

O Bolsa Atleta é considerado o maior programa de patrocínio individual para atletas do mundo. Em vigor desde 2005, já distribuiu mais de R$ 1,1 bilhão de acordo com dados da Secretaria Especial do Esporte, do Ministério da Cidadania.

O Bolsa Atleta conta atualmente com 6.200 integrantes em cinco categorias. Até o fim do ano passado, estavam contemplados 3.058 atletas, mas em abril o governo do presidente Jair Bolsonaro publicou nova lista com mais 3.142 contemplados. Assim, foram adicionados ao orçamento do programa R$ 70 milhões.

A previsão é de que o governo lance, ainda este ano, novos editais de seleção de atletas. As bolsas também devem passar por um processo reestruturação, com reajustes de cerca de 10% nos valores do benefício.

Levantamento da Secretaria Especial do Esporte aponta que o Bolsa Atleta já concedeu 63,3 mil bolsas para 26,5 mil atletas nos últimos 14 anos. Nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, 77% dos 465 atletas da delegação brasileira participavam do Bolsa Atleta. O Brasil conquistou 19 medalhas e somente o time de futebol masculino, que ganhou o ouro, não tinha atletas bolsistas.

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