Marco Aurélio Cunha justifica demissão de Emily e minimiza boicote de jogadoras

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O coordenador de futebol da seleção brasileira feminina, Marco Aurélio Cunha, tentou se justificar em meio às críticas após a demissão da técnica Emily Lima na última sexta (22).

Desde a saída da ex-comandante e o retorno de Vadão, a equipe vive um momento turbulento, e algumas atletas decidiram não atuar mais com a camisa do Brasil: a atacante Cristiane, 31, do Changchun Yatai (CHI), a meia Fran, 27, do Avaldsnes Idrettslag (NOR), e a lateral Rosana, 35, do North Carolina FC (EUA).

“A troca sempre é dura, triste e incomoda muita gente, mas [demitir a Emily] foi uma decisão da CBF em função dos últimos resultados. Ela tem toda a capacidade e o mérito, talvez só falte um pouco de maturidade”, disse o coordenador em participação no Fox Sports. “Eu realmente não me meto com trabalho técnico, mas não posso ficar defendendo A ou B”, acrescentou.

Questionado a respeito da influência negativa de uma cultura machista sobre o desenvolvimento do futebol feminino brasileiro, Marco Aurélio disse não acreditar que o preconceito alegado pelas atletas seja tão decisivo.

“Eu acho que o machismo já afetou muito, mas hoje muito menos. O preconceito às vezes vem um pouco do lado de lá, do lado delas. A gente quer mostrar que não, mas as pessoas, por não serem atendidas em suas demandas, acabam achando que sim”, respondeu o dirigente.

No entanto, ele se viu obrigado a comentar os boatos em torno de uma suposta insatisfação das jogadoras com seu trabalho. “Não estão a favor, nem contra. É tudo calor do momento. Eu não sei, não faço votação por maioria ou minoria. Obviamente, não se pode agradar todo mundo”, minimizou.

Cunha acredita que a decisão de Cristiane, Francielle e Rosana se deve mais à carência da modalidade do que a um suposto boicote contra a CBF.

“O Brasil tem uma base de seleção que vem desde a Olimpíada. O que eu percebo em algumas é uma certa fadiga. Nós não podemos mudar, do dia para a noite, uma cultura que é sofrida e acomodada. Nós estamos tentando fazer isso com muita força. A Cristiane vem desse reflexo de algumas frustrações, de não ter conseguido a medalha de ouro [em quatro Olimpíadas], e tinha o apego com a Emily. Há uma renovação”, disse Marco Aurélio.

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