Marquinhos faz mea culpa, explica 2019 e projeta Avaí de 2020

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A um sopro do rebaixamento para a Série B, o Avaí trabalha para encarar o Cruzeiro, na próxima segunda, no Mineirão, às 20h, pela 33ª rodada. Enquanto a queda não é 100% consumada, a promessa dentro do clube é de que 2020 já está sendo arquitetado a partir de um projeto ambicioso: títulos da Recopa catarinense, do Estadual e da Série B. Ídolo azurra, Marquinhos Santos está engatinhando na carreira de gerente de futebol. Ontem falou sobre o “vexame” deste ano e o planejamento para 2020.

Marquinhos Santos, gerente de futebol do Avaí – Foto: Reprodução

O que dá para ser adiantado sobre o planejamento para 2020?

A gente já vem trabalhando há quase dois meses no planejamento para o ano que vem.  A gente não engana ninguém. Aqui dentro já assumimos os erros que cometemos, uns mais, outros menos.  Todo mundo tem a sua parcela de culpa. Sabemos da mágoa do torcedor. Por mais que a gente tenha cargo aqui dentro e é remunerado por isso, somos torcedores também e sempre queremos o melhor para o clube, bons resultados, coisas que não vieram.  Apesar de ser um ano muito ruim, precisamos tirar proveito de alguma coisa, principalmente alguns jogadores da base que conseguimos botar para jogar. O ano todo não é de se jogar fora. Conseguimos o título catarinense com a mesma equipe que está aí.

Mas o futebol não dá muito tempo para acomodações. Partindo desse princípio, já começamos o planejamento para 2020. Há algumas situações de renovações e outras que a gente não vai mais contar com o atleta porque o contrato termina. Não tem porque a gente dar uma satisfação para esse ou aquele jogador, até porque os resultados falam por si.  Essa campanha do Brasileirão é vexatória, em que todo mundo é culpado. Tem de haver uma mudança muito grande.  Queira ou não queira, no segundo semestre é um grupo perdedor, isso aí a gente sabe. Está todo mundo no mesmo barco.

Agora a gente precisa tomar atitude, que a gente já vem tomando. Coisa que nos últimos anos a gente nunca fez, como um planejamento antecipado. Passarinho que acorda cedo toma água limpa. Então a gente tem de ir mais cedo ao mercado. Não dá para deixar para janeiro, porque a gente viu o que aconteceu e está pagando por isso.

Então o planejamento do Avaí já é voltado para a Série B?

Sim. Até demorei para vir falar porque não viria aqui dar esperança, mentir para o torcedor.  Nossa chance é remota, mas olha a nossa campanha, é vexatória.  A gente não tem chance alguma de ficar na Série A. Mas não é por isso que o clube vai acabar. O Avaí é um clube grande que está passando por reestruturação. Financeiramente a gente está superestável, mas dentro de campo o resultado não aparece. A gente vai dar a volta por cima, até porque não é a primeira vez que o Avaí cai. É claro que ficar subindo e descendo é ruim para o clube. Mas acredito que, dos anos que a gente caiu, esse é o que estamos melhores, em condições de fazer um time forte, com a cara do Avaí, competitivo para o ano que vem.

E sobre as contratações?

Contratações podem ser reforço ou não. Este ano a gente contratou achando que iria fazer um bom time, mas não conseguimos. Temos que manter o nosso foco. Aqui, pensando em Série B, a gente já tem de ir ao mercado. A cota vai diminuir, o orçamento vai diminuir, então o quanto antes a gente conseguir trazer atletas é importante para dar uma satisfação ao torcedor. A gente não poder mostrar para o torcedor que esse discurso é só da boca pra fora.

Na prática, o que significa essa tua passagem por uma nova função? O que você aprendeu e vai colocar em prática como um gerente mais experiente no ano que vem?

Primeiro preciso dizer que estava em condições de assumir o cargo. Agora eu vou pegar um trabalho do início, coisa que não ocorreu este ano.  Quando eu assumi estava muito difícil contratar pelo lado financeiro, na parada para a Copa América, fazer uma proposta para o jogador e ele aceitar por causa da pontuação que a gente tinha. Era uma pontuação ridícula e ninguém queria vir para cá. Outros pediam salário que era para não vir mesmo, um dinheiro muito acima. Para a Série B não vai vir o Messi nem o Cristiano Ronaldo, mas temos uma lista de jogadores que estão em análise, vendo a cara que temos de dar ao time no ano que vem.  Ainda não definimos o treinador. Quem vir terá de se encaixar no perfil do Avaí. Estou alinhado com o presidente Battistotti, que passou a caneta para mim. Neste ano que vem ele vai ficar só com o lado financeiro. A gente é quem vai atrás de jogadores e treinador. A gente sofreu um pouquinho este ano, mas estabilizou o clube. O aprendizado é esse.

Como foi o planejamento de 2019?

Estamos empenhados em levar o Avaí de volta à Série A no ano que vem e conquistar o Catarinense. Acredito que a gente terá de fazer um time forte já em janeiro, não esperar para depois do Estadual, como a gente fez este ano. Chegou na hora e não tivemos como contratar. A gente passou do tempo certo para contratar.  Nisso a gente pecou muito.

Vocês estão antecipando acerto com alguns jogadores, vai haver uma lista de dispensas antes do fim da temporada?

Não. Se fizéssemos isso estaríamos premiando a nossa incompetência e a dos jogadores. Vai todo mundo terminar o ano abraçado. Se estivéssemos vencendo estaria todo mundo abraçado, sorrindo. Como não estamos, está todo mundo abraçado, chorando. Mandando os jogadores embora agora, também tem uma questão financeira, vai ter de pagar isso, pagar aquilo. A não ser aquele jogador que queira vir fazer acerto, que vai abrir mão de algumas situações que acabem sendo benéficas para o clube. Aí é da parte dele. Fica todo mundo.  Só estamos é elaborando o período de férias.  Dia 19 de janeiro já vamos ter jogo pelo Catarinense.

Como seria as férias?

De repente a gente antecipa a folga de alguns jogadores que têm contrato para o ano que vem, já para logo depois do jogo contra o Flamengo, para sair dia 4 de dezembro e voltar no início de janeiro. Até porque a gente perde muito tempo em exames, e a pré-temporada é curta. Precisamos começar já com foco total porque o ano que vem é o ano que a gente tem de mostrar que o que aconteceu foi apenas um deslize.

O Evando (treinador) falou que já haveria alguns jogadores contratados…

Na verdade ele se equivocou ao falar que tem jogador contratado. A gente tem conversas muito adiantadas com alguns jogadores, mas sabemos que enquanto não assinar não está fechado.

E qual vai ser o perfil do técnico para o ano que vem?

Não será fácil contratar. A gente viu como está o mercado, os treinadores estão ganhando muito acima. O nosso pensamento é fazer um futebol  atrativo, que o torcedor tenha gosto de ir ao estádio. Hoje o torcedor está chateado, e não será qualquer time que ele irá abraçar. Tem de ser um time brigador, com qualidade e com um futebol atrativo, que proponha jogo. Esse ano, por exemplo, na Ressacada a gente não conseguia impor o nosso jogo, diferentemente dos outros anos, quando a gente conseguia fazer isso contra grandes equipes. A gente precisa montar um time que melhore a autoestima do torcedor.

Quais as metas que o Avaí traça par 2020?

Primeiramente é levantar a Recopa, o título do Catarinense, passar pelo menos quatro etapas da Copa do Brasil, porque financeiramente é bom, até para poder contratar um ou dois jogadores para a Série B, e conquistar o título da Série B. E torcer para não cair nenhum time grande, que daí fica mais parelho, se bem que se um deles cair não vai permanecer com a cota de Série A. Se o Fluminense cair, por exemplo, acredito que a gente briga de igual para igual.

Para ter a caneta, como você disse, chegou a impor alguma condição para o presidente?

Não impus nada. Falo com o presidente, tenho total abertura para conversar com ele. O que falei é que não adianta ter um departamento de futebol se ele não for responsável pelas atitudes. Disse ao presidente: “Deixa com a gente”. Se não for assim, vou para a arquibancada torcer, ser mais um corneteiro lá de cima. É claro que a gente vai sentar, mostrar pra ele um acerto com jogador e ele pode dizer que não dá. Essas situações do lado financeiro a gente tem de levar para o presidente. Mas o lado técnico, emocional, as coisas que pertencem ao departamento de futebol é a gente quem tem de resolver.

Assista à entrevista na íntegra:

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