Mil quilômetros do bem: homem de 62 anos supera seus limites e dá lição de amor ao próximo

Quem nunca sonhou em dar a volta ao mundo, afinal? Passar por todos os continentes e expor o espírito e a saúde aos mais variados climas e terrenos. Pode ser que, essa condição, inicialmente atraente, tenha restringido um pouco o desejo de cada um que reflete essa interrogação, mas foi também por isso que o ND+ conversou com o engenheiro Djalma Gomes de Moura, 62, que não satisfeito em inspirar essa dúvida, está em preparação para correr 1000 quilômetros em dez dias, no Rio de Janeiro.

Foco, determinação, coragem e um coração do tamanho do percurso da ultramaratona. Esses são alguns atributos do pernambucano Djalma que, apesar de ter nascido no Recife, mora em Florianópolis há 37 anos.

“Estou mais para cá do que para lá”, sorriu o “super-homem” que prepara-se para traçar 1000 quilômetros divididos em dez dias no município de Engenheiro Paulo de Frontin, que fica a 85 quilômetros da capital carioca e é habitada por cerca de 14 mil pessoas.

O evento tem início no próximo dia 19 e a proposta da prova é fazer 840 voltas em um parque e, assim, totalizar os 1000 quilômetros até a meia-noite do dia 28.

Djalma Moura, em preparação para ultramaratona no Rio de Janeiro – Flavio Tin/ND

“Das 6h da manhã até a meia-noite os atletas precisam fazer, no mínimo, 100 quilômetros por dia. Pode fazer mais, mas nunca menos e, se fizer isso, está automaticamente eliminado. Quem alcançar a distância total antes vence a prova”, resumiu Djalma que, chega a treinar quatro vezes ao dia.

Mil km do bem

Djalma, de fala pausada e sorriso fácil, não se satisfaz em desafiar seu corpo e sua mente, ele entende que além da prática esportiva é possível sempre aplicar uma pitada de amor ao próximo.

Para essa prova no Rio de Janeiro, ele criou uma espécie de corrente solidária de modo a doar a quilometragem do percurso em uma relação de cada quilômetro ao custo de R$50.

A intenção da arrecadação, segundo Djalma, é “doar” esses mil quilômetros ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, por intermédio da AVOS (Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão).

Até o início da tarde desse domingo (1), conforme o portal da Vaquinha Online, a causa já somara mais de R$11 mil.

O ultramaratonista, embalado por esse espírito solidário, revela que, em todas suas provas, leva consigo a bandeira do Brasil e a conscientização pela doação de órgãos.

“Levo essa palavra de conscientização para doar órgãos. Tenho na família uma pessoa que precisou de um órgão novo, um transplantado e eu sei o quanto isso é difícil”, justificou.

Desafio dos limites e um desejo inusitado

Como se não bastassem as provas e o mais extremos lugares conhecidos, “seu” Djalma revela um desejo, no mínimo, inusitado, mas que fala muito da sua trajetória até aqui:

“Quero estar correndo até o último dia da minha vida”.

E a meta, além de ousada, é simbólica uma vez que o engenheiro já correu 16 maratonas até o momento. Passou pela Antártida, pelo Polo Norte além de dar a volta ao mundo passando por todos os continentes em um total de 300 km.

Djalma Santos com duas bandeiras que ele carrega consigo nos mais variados terrenos – Divulgação/ND

“Muita coisa aconteceu, coisas marcantes, essa prova do Polo Norte foi a mais difícil, onde eu estava a todo instante furando o piso e isso, a dificuldade é extrema. Além de ser um clima muito inóspito, algo como -33ºC. O frio é tanto que passe a não sentir parte do corpo”, relembrou.

Essa condição, dentre outras coisas, fez saltar o orgulho da sua esposa Sheila Moura, 55, aposentada. Com uma união de mais de 40 anos, Djalma ainda faz despertar a veia do orgulho e admiração em Sheila que, apesar de também ser maratonista, admite, de maneira bem humorada, que não gosta muito desses territórios “inóspitos” do marido.

“Eu não imaginei, sabia que ele tinha muita coragem, mas a determinação a vontade são cada vez maiores”, confessou, admirada, Sheila.

Djalma, por fim, ao ser questionado sobre seus limites e seus planos ele voltou a falar no desejo de correr para o resto da vida e, mais que isso, entendeu seu grande legado na Terra.

“Minha missão é fazer essas provas, compartilhar com o público, mas sempre buscando motivá-los para que, cada um, vá em busca do seu sonho. Ninguém precisa fazer uma maratona no poro norte, subir o Everest, mas é preciso que cada um vá em busca do seu objetivo e do seu sonho”, finalizou.

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