“Nosso trabalho árduo é reconquistar o torcedor”, diz diretor de futebol do JEC

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A bola vai rolar para o Campeonato Catarinense e esta temporada promete ser de muitas emoções para o torcedor do JEC. Vivendo um momento delicado tanto dentro quanto fora de campo, o Joinville trabalha para que os resultados aconteçam com a bola rolando, nas arquibancadas e nos cofres do clube.

Wilson Martins afirma que planejamento foi feito baseado na identificação e orçamento – Foto: Yan Pedro/JEC

A iniciativa de repatriar os ídolos da torcida e do clube, personagens históricos e que estiveram presentes nas conquistas mais importantes do Joinville não foi à toa. De acordo com Wilson Martins, diretor de futebol do JEC, os jogadores foram escolhidos baseados em dois pontos principais: a identificação com o clube, torcida e cidade e as condições financeiras.

“Pela primeira vez nós descobrimos o tamanho do problema com o qual estávamos trabalhando, em valores. O trabalho foi feito para buscar resultados, claro, mas em cima de uma convicção da comissão e do pessoal do futebol relacionada ao valor que esse pessoal tem para o clube. Queremos resgatar isso dentro do elenco, é um pessoal que tem uma ligação com o clube. Foi a partir disso que começamos a montar o elenco”, explica. “Nosso trabalho árduo é reconquistar o torcedor”, enfatiza.

Problemas extra-campo foram levados em conta, mas diretor diz que “todo mundo merece uma segunda chance”

E esse “pessoal que tem ligação com o clube” tem uma ligação e tanto. Ivan, Lima e Wellington Saci foram peças fundamentais nas principais conquistas do Tricolor e eles estão de volta ao clube em um momento delicado no qual o Joinville precisa renascer. Apesar de toda a história vitoriosa, Lima e Ivan têm histórico de problemas extra-campo que envolvem polícia e, de acordo com o diretor, as situações foram ponderadas pela diretoria.

Ele afirma ainda que os nomes desses atletas sempre eram mencionados e se diz feliz em ter tido a coragem de “colocar o nome deles na diretoria, discutir, brigar para trazê-los”, diz.

“A diretoria levou em consideração sim a questão das acusações, ninguém vê essas situações como algo legal. A gente tem que entender que todas as pessoas buscam uma segunda oportunidade, uma segunda chance. Eu vejo que estou dando uma oportunidade pra eles jogarem futebol. O ser humano tem o direito de errar, melhorar e acertar lá na frente”, complementa.

O diretor ressalta ainda que, em todas as negociações, um ponto era fundamental: não trazer mais problemas para o Joinville Esporte Clube. Os problemas financeiros do clube não são segredo e Wilson diz que até mesmo o técnico Fabinho Santos tinha valores a receber do clube. “Nós tínhamos uma dívida com o Fabinho, quitamos e trouxemos ele. A nossa diretoria é bem coesa e tem feito tudo conforme é possível, procurando errar o mínimo possível”, afirma.

“Todo mundo achou que a solução era fechar as portas”

Vários jogadores do elenco que estreia no Campeonato Catarinense na próxima quinta-feira (23) têm vínculo com o clube apenas até o final do Estadual e, sobre isso, o diretor salienta que o planejamento foi feito pensando em otimizar os custos e o desempenho do atleta.

Aqueles que corresponderem às expectativas da comissão e da diretoria, devem ser procurados para estender o contrato, mas novamente o diretor salienta que a torcida terá um peso grande nessa avaliação.

“O Joinville vive algo diferente. Para reconquistar o nosso torcedor precisamos fazer a coisa andar dentro de campo. Se o projeto for bom, a torcida vier junto, conseguirmos mais recursos, vamos melhorar juntos”, afirma. Além disso, ele destaca as eleições que acontecem no final desse ano e diz que a diretoria não quer deixar uma herança difícil de lidar.

Para ele, a maior dificuldade é gerir o dia a dia de um clube que tem inúmeros problemas, mas ressalta que o apoio do torcedor é primordial para que o cenário do JEC se altere. Além disso, ele argumenta que a mentalidade e o trabalho sério podem mudar o rumo do clube. “Todo mundo achou que a solução era fechar as portas. A solução é parar, entender o tamanho do Joinville para voltar a crescer ainda mais. O futebol é resolver problemas e nós estamos aqui para isso”, diz.

Diretor afirma que folha salaria é “do tamanho que o JEC pode pagar”

O diretor de futebol garante ainda que as negociações com os 10 jogadores contratados para o Catarinense foram transparentes, com todos sabendo exatamente das dificuldades financeiras do clube e aceitando a proposta porque “o distintitvo do Joinville é muito forte, continua sendo”. Sem mencionar a atual folha salarial do elenco joinvilense, Wilson garante que “é o tamanho que o Joinville consegue pagar”.

O objetivo do JEC nessa temporada está muito claro para o diretor de futebol: resgatar o torcedor. “A nossa busca constante é trazer resultados positivos dentro de campo para ver a Arena cheia novamente. Eu quero voltar a ver esse estádio como naquele jogo contra o CRB, que não cabia mais ninguém. Nós estamos trabalhando para colocar o Joinville no lugar dele. Nós queremos ver a cidade respirando o JEC mais uma vez”, diz.

O clube terá a primeira oportunidade de começar a reconquistar o seu torcedor na estreia do Estadual, quando joga diante de sua torcida.

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