Número de sócios-torcedores dos clubes catarinenses é baixo

Atualizado

*Colaboraram Adrieli Evarini, Bianca Bertoli e Willian Ricardo

O torcedor é a única razão para a existência do futebol, ainda que a modalidade esteja entranhada na alma de todos os brasileiros. Mesmo com o craque, o dinheiro acumulado ou o maior número de troféus, nada vai evidenciar mais o tamanho de um clube do que o tamanho e força de sua torcida.

Torcida do Figueirense tem uma média superior a 5 mil pessoas por jogo – Foto: Flávio Tin/ND

O volume de sócios de um clube não determina o tamanho da sua massa, mas certamente serve como expoente de uma nação. É evidente que um torcedor, por ser sócio, não é mais ou melhor do que o outro. Mas também é inegável que sua colaboração com quem diz amar é muito maior.

Nas últimas semanas o Club de Regatas Vasco da Gama ganhou as manchetes no País, na América do Sul e no planeta inteiro ao, em intervalo de poucos dias, alavancar seu quadro social.

Em menos de dez dias, o cruzmaltino saltou de 33 para mais de 178 mil sócios-torcedores. Em termos de ranking, o clube carioca pulou da 8ª para a primeira posição, segundo levantamento publicado pelo portal Uol Esporte.

Torcida da Chapecoense presente na Arena Condá durante o Campeonato Brasileiro – Foto: Sirli Freitas/Chapecoense/Arquivo/ND

Esse “boom” aconteceu a partir de uma promoção do Gigante da Colina no embalo da campanha Black Friday, data já conhecida (também) no país por oferecer descontos em todo e qualquer segmento. A promoção encerrou neste domingo (8).

Cenário do quadro social em Santa Catarina

O ND+, em levantamento junto aos dez clubes participantes da primeira divisão do Campeonato Catarinense em 2020, mostra que o movimento local associativo acontece, porém ainda de maneira tímida.

Embora um processo em transformação, principalmente embalado pelos clubes emergentes, os quadros sociais ainda engatinham entre os representantes locais do futebol.

Quadro social do Avaí é um dos maiores de Santa Catarina – Foto: Daniel Queiroz/arquivo/ND

Avaí e Figueirense aparecem com os principais números, ao lado da Chapecoense. A dupla da Capital, no entanto, não divulga os valores aportados nos cofres dos clubes e o quanto isso pode representar na receita do ano.

Outro detalhe na linha dos três clubes com o maior número de sócios em Santa Catarina, é a questão do número “aproximado”. O Avaí disponibiliza uma espécie de placar no site voltado para seus sócios, que, na última quinta-feira (5), que apontava 7.856 associados em dia.

Chapecoense e Figueirense, por outro lado, divulgaram um número aproximado de 8 mil sócios.

Emergentes e transparentes

O Tubarão, considerado “o primeiro clube start-up do País”, apresentou seu balanço dos últimos três anos. O clube do Sul do Estado pulou de 151 sócios, em 2017, para 781 sócios em 2019. Os números trouxeram juntos os valores que saltaram de R$ 38.000 em 2017 para R$ 520.000 na atual temporada.

Torcida do Brusque foi a única entre as catarinenses com motivos para festejar em 2019 – Foto: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FC

Outro clube que ganhou relevância no cenário estadual, o Brusque, com o título nacional da Série D, também abriu sua “sala” de sócios. Apesar da timidez dos números, a administração do clube aposta no desempenho recente para aquecer seu plano de adesões que, criado em junho desse ano, deve passar por melhorias.

O Quadricolor conta hoje com 195 sócios que aportaram, nos cofres, R$ 35 mil. O projeto do novo “xodó” de Santa Catarina é mais que dobrar esse valor até o final de 2020.

O Juventus, de Jaraguá do Sul, quer aproveitar sua participação na Série A do Estadual, em 2020, para captar sócios. O Moleque Travesso, por outro lado, aposta nos “passaportes” para a competição onde revela ter comercializado 30%. Segundo repassado pela administração do clube, a estimativa é colocar 5 mil pessoas no estádio João Marcatto por jogo no Estadual.

Sem calendário e sem quadro

O Concórdia revelou um quadro social com menos de 100 integrantes e, em função de não ter um ano cheio de competições, muitas dificuldades para arrecadar. A direção ainda informa que os torcedores optam por comprar ingressos para os jogos de maneira individual.

O clube estima, no entanto, aquecer o seu quadro até 2021 apesar de não ter dado início a campanha para arrecadar integrantes já na próxima temporada.

Gigantes que se apequenam

Criciúma e Joinville são os destaques negativos desse movimento. O momento nos gramados justifica a queda do número de sócios, mas evidencia a necessidade de os machucados torcedores de Tigre e Coelho em “pegar junto” para o ressurgimento de ambos no cenário nacional.

Torcida do JEC nos tempos de Série A do time – Foto: Carlos Junior/Arquivo/ND

O JEC já teve cerca de 12 mil sócios quando atuou pela Série A, em 2015, mas as sucessivas quedas de divisão fizeram ir embora também o seu fiel torcedor. Recentemente, o clube fez uma campanha parecida com a do Vasco. A Black Friday do Coelho, no entanto, rendeu menos de cem adesões ao Tricolor.

Sócios-torcedores em Santa Catarina*

Avaí: 7.856 (clube não divulga receita gerada)

Figueirense – aproximadamente 8 mil (clube não divulga receita gerada)

Chapecoense – aproximadamente 8 mil – receita anual de R$ 7,5 milhões**

Criciúma – 3.400 sócios com um receita mensal de R$ 230 mil

Joinville – 2.400 sócios com uma renda que representa 68,20% das receitas do clube (JEC não abriu valores)

Marcílio Dias – 1.200 sócios que representam 8% do orçamento do time, que é de R$ 4,2 mi. Anualmente as contribuições dos torcedores rendem R$ 346 mil.

Tubarão – 781 sócios e um aporte de R$ 520.000 no ano

Brusque – 195 sócios e um valor – em seis meses – de R$35 mil

Concórdia – menos de 100 sócios, alega não ter “calendário cheio” para angariar mais integrantes.

Juventus – sem sócios, mas aposta na competição e no desempenho em 2020 para incrementar seus números.

  • o Avaí disponibilizou números absolutos, enquanto Chapecoense e Figueirense apresentaram aproximados de sócios; por isso, para efeito de edição, o Leão aparece em primeiro por causa da precisão dos dados fornecidos em relação aos valores imprecisos dos demais.
  • Outro dado a se ressaltar é que alguns clubes optaram por informar receita anual, outros a mensal e em mais casos apenas o percentual correspondente. A reportagem respeitou a forma como cada clube se apresentou, apesar de ter solicitado quantidade de sócios-torcedores, o valor gerado em receita e o quanto isso representa no orçamento de cada agremiação.

Futebol