OPINIÃO: Recordações de um Pelé sempre cordial e simpático

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Minhas principais recordações de Pelé foram dos poucos contatos que tive com ele pessoalmente, quando foi sempre extremamente cordial e simpático.

Uma vez o vi em Nova York, onde eu morava na rua 52, perto da Segunda Avenida, e ia a um restaurante de comida bem caseira que ele também frequentava, já que tinha escritório nas proximidades. Encontrei-o em mais de uma ocasião no local, comendo com um ou dois amigos, num canto, sem alvoroço, mas sempre que reconhecido pela clientela não se negava a tirar uma foto, dar um autógrafo, falar uma palavra amistosa em seu inglês com aquele sotaque carregado que ele tem.

Outra feita Pelé foi fazer uma gravação no apartamento onde mora meu pai e eu aproveitei para agendar uma entrevista com o Rei do Futebol. Descemos juntos no elevador, que parou num andar antes de descer para o térreo. E não é que uma moça abriu a porta e ficou tão assustada, mas tão assustada, como se estivesse tendo uma alucinação, que deixou o elevador descer e perdeu a viagem?

Pelé, o Rei do Futebol, completa 75 anos de idade (Foto: AFP)

Um terceiro encontro tive com Pelé na Coreia do Sul, quando do sorteio dos grupos das Eliminatórias para a Copa de 2002. Quando desceu do carro mal podia andar. Uma multidão o cercou e mais de duas décadas depois de ter parado de jogar futebol chamava mais atenção do que qualquer outra personalidade. Pelé, afinal, foi muito mais do que um jogador de futebol, virou um pop star, mesmo que não gostemos (e eu não gosto) de muita coisa errada, a meu ver, que fez depois de parar de bater uma bolinha.

Mas comigo sempre foi gentil. Mesmo após um premiado e polêmico caderno especial que produzi sobre ele para a “Folha”, em 1999, não cortou relações comigo. Pelo contrário. Quando precisei fazer uma matéria com ele me ligou na redação, o editor de Esporte atendeu, eu estava jantando, talvez até tenha achado que fosse trote, mas me passou o número em que Pelé se encontrava, eu consegui contata-lo e conversamos sobre sua vontade de criar um clube de futebol na Baixada Santista, investindo na formação de novos valores.

Acho que Pelé poderia ter sido muito mais engajado fora dos gramados, principalmente em relação à causa negra, deveria ter usado seu nome, que é fortíssimo, para campanhas marcantes, enfrentado de verdade o status quo do futebol, mas muitas vezes ele preferiu o caminho mais fácil, o que lamento. Agora dentro de campo, sem palavras. Foi, de fato, genial. E é o brasileiro mais conhecido de todos os tempos, o que não é pouca coisa, não.”

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