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Peruanos veem Brasil “acessível” sem Neymar e lembram triunfo em 2016

Brasil e Peru se enfrentam na tarde deste sábado como líderes do Grupo A e possuindo apenas um gol de saldo de diferença para colocar os comandados de Tite acima dos de Gareca. Em meio à condição de quase igualdade para o duelo das 16h (de Brasília), na Arena Corinthians, a Gazeta Esportiva perguntou a alguns jornalistas peruanos o que eles pensavam da partida.

Quatro profissionais da imprensa do país andino presentes ao estádio mostraram confiança na capacidade da equipe fazer um grande jogo diante do Brasil, apoiando-se em dois fatores básicos: a ausência de Neymar, cortado da Copa América devido a uma lesão no pé direito, e a força que a equipe demonstrou com Ricardo Gareca, responsável pela classificação à última Copa do Mundo, na Rússia.

Outro ponto citado como fundamental para o ganho de confiança dos peruanos foi a vitória da equipe sobre os então comandados de Dunga, na Copa América Centenário, em 2016. Veja abaixo, por tópicos, o que pensam os jornalistas ouvidos pela Gazeta.

Favoritismo do Brasil

Peter Sebastian Arévalo, repórter do Fox Sports Peru:

“Peru conseguiu vir ao Brasil para ser protagonista na Copa América. E isso passa por aquela vitória sobre o Brasil em 2016, com o gol de mão do Ruidíaz. Creio que o Peru vai enfrentar o Brasil sem medo”.

Jorge Luís Saldaña, repórter do jornal Depor, de Lima:

“Se há alguma característica marcante da equipe do Ricardo Gareca é: não importa o adversário, sempre vamos propor o jogo. Pudemos ver isso na Copa contra a França, mesmo contra um time com mais individualidades, jogou de igual para igual. Acredito que o cenário dessa vez é parecido ou até pior, porque o Peru é visitante”.

Milagros Crisanto, repórter do jornal La República:

“Antes se via um nível muito acima do Brasil. Todos nós olhávamos o Brasil de baixo, como se fosse algo impossível. Mas acredito que o feito do Peru de ter ido à Copa pode dar essa força. A equipe do Gareca tem armas para ganhar o jogo e já eliminou o Brasil da Copa América em 2016”

Erick Osores, repórter da América TV:

“Acredito que a Bolívia não exigiu muito do Brasil. A Venezuela é um adversário que poucos têm valorizado, mas tem bom jogo e pode chegar até entre os quatro melhores. Dizer que o Brasil não é favorito é impossível, mas vejo o jogo equilibrado”.

Ausência de Neymar

Peter Sebastian Arévalo, repórter do Fox Sports Peru:

“Com o passar dos anos se vê o Brasil, sim, como uma equipe grande, com jogadores muito bons. Mas que foi se ‘europeizando’, perdendo a magia que eu me acostumei a ver, nos anos 1970, 1980. Não há isso no Brasil mais. Acredito que, por isso, o Brasil perde muito com a saída do Neymar. Com Neymar, aumentaria o favoritismo do Brasil”.

Milagros Crisanto, repórter do jornal La República:

“Para mim, a ausência do Neymar não muda muito o Brasil. Sinto que não afeta demasiado. E, pela situação que afeta o Neymar, acho até que deu mais tranquilidade ao time”.

Erick Osores, repórter da América TV:

“São 60 gols. Brasil sem Neymar perde todos esses gols. O resto do elenco tem 80 gols, então é claro que faz falta”.

O que Gareca fez de especial na seleção?

Peter Sebastian Arévalo, repórter do Fox Sports Peru:

“Esse time já conseguiu feitos com Gareca que nunca aconteceram antes. Ganhou do Paraguai no Defensores del Chaco. Ganhou de visitante contra o Equador, em Quito, onde nunca havia ganhado. Virou um jogo contra o Uruguai. Há uma força mental muito grande neste time do Gareca”.

Jorge Luís Saldaña, repórter do jornal Depor, de Lima:

“Gareca sempre valorizou o senso de pertencimento ao país. Ele notava que os jogadores perdiam e saíam sem se importar, tentou resgatar isso. Foi na Copa América em 2016 que ele passou a dar chances aos Andy Polos e Edison Flores do Peru. Mais por um coletivo do que por individualidades. E isso fez retomar a paixão do torcedor”.

Milagros Crisanto, repórter do jornal La República:

“Gareca já disse um milhão de vezes que ele acredita no jogador peruano. E fez o jogador peruano acreditar nele mesmo”.

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