Poder abre crise entre confederação e liga de basquete

GIANCARLO GIAMPIETRO E PAULO ROBERTO CONDE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As duas principais entidades do basquete brasileiro vivem nos bastidores uma situação de estresse, que pode afetar a condição do país no cenário internacional.

Sob nova gestão, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) não tem falado a mesma língua da LNB (Liga Nacional de Basquete), que realiza o NBB, principal campeonato masculino nacional.

Na agenda do novo presidente, Guy Peixoto, não houve nem sequer um compromisso oficial com a cúpula do LNB em três meses de administração da confederação.

O distanciamento aparente entre as duas organizações pode comprometer a derrubada da suspensão imposta pela Fiba (Federação Internacional de Basquete) contra o Brasil, que vigora desde novembro em razão de dívidas e problemas estruturais.

A federação, baseada em relatório enviado por seu conselheiro espanhol José Luis Sáez após avaliação da CBB no início deste mês, estaria convencida a derrubar a punição ao Brasil no próximo dia 21, em reunião ordinária.

Porém, dado o cenário de desacordo interno, a entidade pode voltar atrás. Sem a certificação, seleções, times e até árbitros estão impedidos de participar de eventos promovidos pela Fiba.

No epicentro da divergência entre a confederação e a liga está o direito de organizar a LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete), competição para atletas sub-22.

A LNB emitiu comunicado na sexta-feira (9) em que descartou qualquer chance de repassar a tutela do LDB para a confederação, que lhe solicitou o campeonato.

A liga de desenvolvimento projetou jogadores hoje na NBA como o pivô Cristiano Felício (Chicago Bulls) e o ala Bruno Caboclo (Toronto Raptors) e é considerada de grande potencial mercadológico.

As duas entidades aguardam o desfecho das finais do NBB para voltar ao assunto.

Bauru e Paulistano vão disputar o quinto e decisivo duelo da decisão no próximo sábado (17), em Araraquara.

OFERTAS

Em negociação a partir de reunião realizada entre diretores da confederação e da liga no dia 2 de junho, a LNB já fez algumas concessões.

Suas competições passarão a utilizar apenas o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da CBB para julgamento de questões disciplinares. A liga apenas exige que este tribunal tenha flexibilidade e agilidade para tratar de pautas urgentes.

A LNB também abriu mão de organizar a Liga Ouro, uma divisão de acesso ao NBB.

Em seu lugar, deve ser reativada a Supercopa Brasil, conduzida pela confederação. A gestão de competições de base nacionais também terá exclusividade da CBB.

A Liga Nacional de Basquete recebe patrocínio da Caixa Econômica Federal, cuja marca hoje acompanha os naming rights do NBB.

O acordo entre ambos tem duração prevista até 2020. Anualmente, são repassados R$ 5,5 milhões para a liga, que foi criada e é administrada pelos principais clubes do país com a chancela da CBB.

Desde 2014, a NBA também é sua pareceria comercial.

A confederação, por sua vez, está amarrada financeiramente. Ela está impedida de receber recursos previstos pela Lei Piva -verba obtida por loterias federais e distribuída pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil)- devido à suspensão imposta pela Fiba.

Com as seleções brasileiras suspensas, também perde seu principal ativo para a captação de recursos.

Depois dos Jogos do Rio, a CBB também perdeu seu patrocinador, o Bradesco.

A administração de Carlos Nunes, presidente da entidade entre 2009 e 2017, deixou dívida acumulada em torno de R$ 20 milhões. Novos processos trabalhistas agravam o quadro financeiro.

A obtenção de campeonatos de peso poderia lhe garantir receita, daí o interesse em assumir a liga nacional.

Em comunicado, a confederação afirma ter alinhavado o apoio de “dos maiores patrocinadores esportivos do mercado nacional” para investir nas seleções caso a suspensão seja revogada.

SOBREVIVÊNCIA

Com apoio da Globo, a LNB foi fundada em agosto de 2008, como resultado de insatisfação dos clubes com a gestão do antigo Campeonato Nacional pela CBB. A entidade era presidida na época por Gerasime Bozikis.

A última edição do Nacional foi realizada em 2008, já esvaziada por dissidência dos clubes de São Paulo. Do Estado, apenas o Rio Claro participou daquela temporada.

Dois anos antes, o campeonato nem sequer chegou ao fim, depois de ação na Justiça do Brasília, contestando escalação irregular de um jogador do Rio de Janeiro.

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